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03/07/2008 - 12h18
Como Peter Berg fez 'Hancock' levantar vôo
IAN SPELLING
Hollywood Watch
Will Smith é mais ou menos o ator mais simpático do universo, de forma que é um certo choque vê-lo em "Hancock". O ator carismático interpreta o personagem título, um super-heróis alcoólatra, destrutivo e desgrenhado em uma estrada acidentada rumo à sobriedade e redenção.
"O filme não é de modo algum um 'Henry: Retrato de um Assassino' (1986), em termos de quão sombrio se torna", diz o diretor Peter Berg. "Mas até mesmo Nic Cage encontrou um modo de ser simpático em 'Despedida em Las Vegas' (1995), apesar de trágico. Eu acho que Will realiza o mesmo excelente trabalho interpretando este personagem isolado, miserável, que não dá a mínima, e funciona. Ele é realmente um ator singular."
"Eu também acho que Will realmente gosta de surpreender as pessoas que acham que ele não é capaz de fazer algo. Para Will, a idéia de que ele é simpático demais para interpretar um sujeito desagradável, ele vê como um desafio."
"Hancock" é co-estrelado por Jason Bateman como Ray, um executivo de relações públicas que tenta ajudar Hancock a limpar sua imagem e se reconectar com o público. Charlize Theron interpreta a esposa de Ray, uma mulher com algum tipo de ligação com o passado misterioso de Hancock.
O filme é o de maior peso até o momento na carreira de Berg, um ator que virou produtor/diretor e cujos créditos atrás das câmeras incluem "Uma Loucura de Casamento" (1998), "Tudo pela Vitória" (2004) e o piloto de 2006 para a série para televisão que deu origem, e "O Reino" (2007). Como ator, seus créditos de horror e ficção científica incluem "Shocker -100.000 Volts de Terror" (1989), "Passaporte para o Futuro" (1991) e "Fogo no Céu" (1993).
Falando por telefone de um hotel em Paris, poucas horas antes da pré-estréia mundial de "Hancock" ali, Berg diz que aprecia os desafios de fazer uma megaprodução.
"Era um grande filme de Hollywood, com todos os cilindros funcionando a toda", diz o diretor de 44 anos, "e foi muito empolgante fazer parte daquilo. Nós o filmamos em Los Angeles, e acho que Los Angeles está finalmente começando a responder ao problema da fuga de produções e tentando realmente, verdadeiramente ser uma cidade mais acolhedora para os filmes. Ela literalmente desenrolou o tapete vermelho para nós e permitiu que filmássemos a cidade de formas que não permitia no passado. Nós obtivemos uma cooperação realmente ótima, e acho que Los Angeles é uma personagem real no filme."
"Os efeitos foram uma curva de aprendizado", reconhece Berg. "Eu já tinha feito alguns, mas nada tão elaborado quanto estes. Nós tivemos uma empresa maravilhosa na Sony Imageworks, que me ajudou a lidar com as coisas que não sabia."
"E Will é um grande colaborador. Ele não apenas encoraja a direção, ele insiste nela."
Nos Estados Unidos, o filme foi lançado com a classificação PG-13 (menores de 13 anos só podem entrar acompanhados por pai ou responsável adulto), mas a imprensa americana divulgou relatos de que montagens anteriores de "Hancock" flertavam com a classificação R (menores de 17 anos só podem entrar acompanhados por pai ou responsável adulto), devido à violência intensa. Da mesma forma, blogueiros arautos do apocalipse ficaram em frenesi devido aos relatos de que Berg estava realizando refilmagens de último minuto.
É tudo muito barulho por nada, insiste o diretor.
"Houve muitos comentários sobre a classificação etária, e realmente nunca pretendemos ser um filme R. Nossa intenção nunca foi tentar fazer um 'Despedida em Las Vegas'. Nossa intenção sempre foi fazer algo bom para a família no feriado de Quatro de Julho."
"Este é um trabalho árduo. É muito difícil fazê-lo, e quando isso é caracterizado como uma concessão, eu realmente acho frustrante, porque não há nenhuma concessão em produzir um filme de sucesso para o Quatro de Julho. Se é o que você pretende fazer, é um trabalho realmente árduo."
Quanto a refilmagem de cenas, Berg insiste que não ocorreu nenhuma.
"Nós filmamos uma coda", disse ele. "É uma cena humorística para os letreiros finais do filme. É o que estávamos fazendo na Europa. Por acaso fizemos isso com Will Smith, então, ganhou muito destaque. Mas não precisamos refilmar cenas. Eu não gosto de ficar badalando o meu trabalho, mas estamos muito, muito contentes com o filme no momento."
Enquanto "Hancock" é lançado, Berg já está preparando seus próximos projetos: ele em breve seguirá para Vancouver para dirigir "Virtuality", um piloto de ficção científica de duas horas para a Fox Television, escrito e produzido por Ronald D. Moore, da série "Battlestar Galactica". Após completar este trabalho, ele se concentrará em "Lone Survivor", um filme de guerra baseado em fatos reais sobre quatro fuzileiros navais no Afeganistão.
Então, será a vez da refilmagem da obra mais amada do escritor de ficção científica Frank Herbert, "Duna" (1965). Berg mal consegue conter sua empolgação a respeito deste projeto.
"Eu sempre fui um grande fã do livro e sempre senti que as versões em filme dele realmente deixavam a porta aberta para uma refilmagem. Para mim os livros são muito mais brutos e, não sei, mais viscerais que os filmes. (O produtor) Kevin Misher, que é um grande amigo meu, também era um grande fã do livro e também sentia que havia algo mais lá."
"É complicado", reconhece Berg. "Nós achamos que podemos fazê-lo e vamos perseguir isso. Para todos os fãs de Frank Herbert que estão questionando, duvidando e preocupados, eu dou ouvidos a eles e os respeito, e vamos dar o nosso melhor."
(Tradução: George El Khouri Andolfato)
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