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17/07/2008 - 13h36

"Personagens de HQ não são sempre a mesma coisa", diz Aaron Eckhart, de "Batman"

GEISA AGRICIO

Da Redação
Enquanto se comenta o embate entre a moral irretocável do Batman de Christian Bale em contraponto ao anárquico e perturbado Coringa, na elogiada interpretação de Heath Ledger, "O Cavaleiro das Trevas" tem como carta na manga o papel de Harvey Dent, preâmbulo do seu alter ego mais conhecido como o Duas Caras.

O personagem ambíguo e repleto de contradições é interpretado com sobriedade pelo ator americano Aaron Eckhart ("Obrigado por Fumar"). A convite do diretor Christopher Nolan, ele personifica um dos grandes inimigos do Homem-Morcego. Em conversa com UOL Cinema por telefone, ele falou sobre os desafios de interpretar o personagem, a convivência com Heath Ledger e opina sobre especulações de um Oscar póstumo até a possibilidade de continuar na franquia.




Como o papel do promotor Harvey Dent chegou às suas mãos?
Encontrei com Chris (o Nolan, não o Bale, adoro brincar de confundi-los) [risos], tomamos um chá e ele me pediu para ler o script. Só depois me designou o Harvey e eu aceitei. Fiquei bastante lisonjeado de fazer parte do filme, que tem um roteiro impressionante, cheio de nuances. A presença de Nolan, a oportunidade de trabalhar com aquele elenco grandioso, ao lado de Heath Ledger, Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman me cativaram.

Você comentou em uma entrevista que busca bons papéis e tem tido sorte nas escolhas. Harvey Dent está entre esses grandes personagens?
Harvey é realmente um grande um personagem, o filme acaba com essa coisa de que os personagens dos quadrinhos são sempre a mesma coisa. O Coringa de Heath Ledger prova isso. Harvey me proporcionou viver emoções extremas, lutar com garra e coragem contra os criminosos de Gothan City, defender a justiça e quase me senti um super-herói. Por outro lado, ele vive uma grande tragédia, mergulha na ira e começa a tomar atitudes desmedidas tomado pelo ódio. O bom do filme é mostrar que coisas acontecem também com pessoas boas, e diante de um choque brutal a gente nunca sabe como vai reagir. Como ator, experimentei muitas coisas através do Harvey Dent. Foi muito interessante viver o nascimento do Duas-caras, seu drama. Se as pessoas não entenderem o porquê ele se tornou um vilão, pelo menos vão saber de onde vêm suas motivações.

O Coringa do Heath Ledger, em seu último trabalho, tem atraído todas as atenções e especula-se a respeito de um futuro Oscar por sua interpretação. Como foi contracenar com ele e o que você pensa da possibilidade do prêmio póstumo?
É um prazer estar perto dele, vendo sua construção tão dedicada num processo de devoção mesmo. Ele se entregou completamente e era admirável poder acompanhar sua vontade de fazer algo tão intensamente. O Oscar é a consagração por conseguir fazer algo incomum, extraordinário e acho que seria merecido se ele ganhasse, por um Coringa memorável que ninguém fez antes. O efeito causado pelo personagem é surpreendente graças a ele. O Oscar viria como uma premiação justa não apenas uma homenagem por que ele morreu.

Já que estamos falando em especulações, há planos de alguma seqüência? É possível dizer que um dia o veremos na pele (literalmente) do Duas-caras novamente?
Não recebi nenhum indicativo a respeito, me parece que não. Acho difícil que ocorra, e é provável que o próximo filme, se houver, seja feito com outras pessoas e surjam outros papéis.

Antes de viver Duas-caras, você era fã dos quadrinhos ou já conhecia a graphic- novel "O Cavaleiro das Trevas"?
Na verdade, não. Nunca fui um tipo que compra HQs nas bancas, acompanha e lê como um especialista - isso até me deixou um pouco tenso para aceitar o papel. Mas para mim e para todo mundo os quadrinhos fazem parte da vida, com outras referências. Sempre assisti aos filmes de Batman e Homem-Aranha ou Super-Homem, assim como séries como a do Hulk. Então, não é um universo completamente estranho.

Enquanto descansa do Harvey Dent, você já tem planos de outros papéis?
Finalizei um filme chamado "Travelling" este ano, em que vivo par romântico com a Jennifer Aniston. Faço o papel de um cara cuja mulher morreu e ele parte numa viagem para tentar começar de novo, quando se envolve com o personagem dela. O filme deve ser lançado no próximo ano. Fora isso, estou sempre lendo alguns roteiros, mas nenhuma escolha por enquanto. Quem sabe consigo manter aquela máxima dos bons papéis?

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