Fazer a crítica de um filme fica muito difícil quando o diretor declara publicamente que seu trabalho é "pura violência e estupidez". Foi o que disse o francês Mathieu Kassovitz de sua ficção científica futurista "Missão Babilônia". Na verdade, Kassovitz reagiu à interferência da 20th Century Fox, que teria modificado e comprometido sua interpretação distópica do futuro.
No filme, Vin Diesel interpreta Toroop, mercenário que foi banido dos Estados Unidos por atos de terrorismo e se exilou na União Soviética. Ele é contratado para levar a jovem Aurora (Melanie Thierry) até Nova York na companhia de uma freira, a irmã Reneka (Michele Yeoh). A menina guarda um mistério que ao longo dessa jornada por terra, mar e ar será revelada muito sutilmente.
Há tantos problemas em "Missão Babilônia" que escolher por onde começar talvez seja a tarefa mais complicada. Basta dizer que nada faz muito sentido no filme, desde a escolha de Vin Diesel para o papel principal até a idéia de que pode haver um subtexto plausível para esse desastre. Kassovitz, cujo primeiro filme, "O Ódio" (1995), prometia revelar um grande cineasta, jogou a culpa no estúdio por perceber a estupidez de suas próprias escolhas.