UOL Cinema Últimas Notícias
 
20/11/2008 - 12h41

Selton Mello estréia na direção com drama "Feliz Natal"

Divulgação
Leonardo Medeiros encara família afundada em problemas em drama de Selton Mello
VEJA MAIS FOTOS
ASSISTA AO TRAILER
JÁ ASSISTIU? DÊ SUA OPINIÃO

SÃO PAULO (Reuters) - Ator consagrado na tevê e no cinema, Selton Mello faz uma estréia segura na direção com o filme "Feliz Natal", vencedor de três prêmios no Festival de Paulínia (SP), em julho passado: melhor direção, atriz coadjuvante - dividido entre Darlene Glória e Graziella Moretto - e uma menção especial. O filme chega aos cinemas do país nesta quinta-feira.

Interpretada por Darlene Glória, Mércia é a matriarca de um clã marcado pela melancolia e a solidão - cada um a seu modo. Talvez por ser aquela que perdeu de vez o contato com a realidade, ela é a que menos se importa com as aparências que seu filho Theo (Paulo Guarnieri) e nora, Fabiana (Graziella Moretto), tentam manter.

Na ceia de Natal, conturbada por natureza e ainda mais complicada com a volta da ovelha-negra da família, Caio (Leonardo Medeiros), a mãe solta palavrões e implora por carinho e atenção dos filhos.

A chegada de Caio, por sua vez, representa a necessidade de rever o passado - que sempre todos tentaram varrer para debaixo do tapete. Ele vive distante de todos, trabalhando um ferro-velho que montou numa cidade do interior. O retorno à capital tem mais a ver com seus antigos fantasmas pessoais do que com saudades da família.

Com roteiro assinado por Selton e Marcelo Vindicatto, "Feliz Natal" vai fundo na máxima do escritor russo Liev Tolstoi, que dizia que as famílias infelizes o são cada uma à sua maneira.

Aqui, não há muita chance para a redenção, afinal, este é também um filme sobre a perda da inocência. Cada personagem tem seu drama muito bem delineado e de forma bastante convincente a ponto de humanizá-los, não transformá-los em monstros, embora, em alguns momentos, suas atitudes possam ser bem monstruosas uns com os outros.

Fabiana, infeliz e insegura, desconta nos filhos, marido e sogra a sua insatisfação, ao perceber que está deixando a vida passar. Já seu marido parece ter desistido de vez de cuidar de si mesmo e da família, deixando-se levar pelos problemas, embora ele seja o pilar de sustentação dos outros. O pai, Miguel (Lucio Mauro), está casado com uma garota que tem idade para ser sua neta.

Mas é em Mércia e Caio que recai o peso maior. Ela busca nele tudo aquilo que nenhum dos outros lhe dá, sem perceber que ele não tem nada de especial, que também é frágil.

Muito condizentes com essas opções de narrativa e personagens estão a fotografia, montagem e trilha sonora de "Feliz Natal". Assinada por Lula Carvalho ("Tropa de Elite"), a fotografia, muitas vezes com uma câmera na mão leve que segue os atores, e com iluminação natural do ambiente, traduz em imagens, cores e texturas o desconforto dos personagens. Já a trilha, assinada pelo músico e produtor Plínio Profeta, é capaz de criar climas sem ser excessiva - muito pelo contrário.

Darlene Glória brilha como não tinha chance de fazer há muito tempo. A sua personagem aqui é como uma releitura, décadas depois, daquela que fez em "Toda Nudez Será Castigada" (1973) - uma das maiores interpretações do cinema brasileiro. Boa parte do mérito é dela, claro, mas outra parte pertence ao diretor, que estréia com a segurança e um comando da linguagem cinematográfica de fazer inveja a muitos veteranos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são de responsabilidade do Cineweb

Compartilhe:

    Cine UOL Lumière

    A programação completa da sala de cinema do UOL você encontra aqui

    Hospedagem: UOL Host