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24/12/2008 - 15h51

Drama "Sete Vidas" confirma talento de Will Smith

SÃO PAULO (Reuters) - Em plena maturidade, com recém-completados 40 anos, Will Smith está empenhado em consolidar sua versatilidade como ator. Alterna suas escolhas de papéis entre projetos arriscados e personagens com um lado antipático, em filmes como "Hancock" (08) e "Eu Sou a Lenda" (07), embora sempre introduza neles um lado herói.

Um outro lado, mais voltado para o auto-sacrifício, é o que o ator expressa melhor em melodramas como o recente "À Procura da Felicidade" (06) e neste novíssimo "Sete Vidas", drama em estréia nacional. Ambos, aliás, dirigidos pelo italiano Gabriele Muccino, que está fazendo seu nome nos EUA depois de trabalhos como "O Último Beijo" (01) em seu país.

Estreando no Natal, "Sete Vidas" é um filme inegavelmente feito para arrancar lágrimas. Will interpreta o misterioso Ben Thomas, um fiscal do imposto de renda que apresenta comportamento bem fora do comum. Seleciona uma lista de pessoas em débito com o fisco e as segue, observando-as na vida pessoal e profissional.

Ben não parece realmente focado no que, em princípio, é a sua missão - receber os pagamentos em atraso com o Leão. Demonstra mais interesse no quanto seus devedores são bons seres humanos e merecem apoio. E é capaz de muita fúria quando descobre que um deles, diretor de uma clínica de idosos, anda maltratando uma de suas internas.

Vai ocupar toda a sua atenção a moça Emily Posa (Rosario Dawson, de "Sin City"). Ela luta contra uma deficiência cardíaca congênita, que a pôs na fila de um transplante de coração. Por essa dificuldade, acabou devendo mais de US$ 56.000,00 ao fisco. Observando-a no dia a dia, Ben lhe oferece um adiamento de seis meses. E não pára por aí, tornando-se um verdadeiro anjo da guarda para ela.

O fiscal guarda um grande segredo trágico no passado, que o levou a um estranho pacto com o amigo Dan (Barry Pepper, de "Três Enterros"). E a água-viva que Ben põe no próprio quarto, num aquário, não é apenas parte da decoração, como se verá.

"Sete Vidas" tem grandes ambições. É feito sob medida para abalar corações, arrancar lágrimas e conquistar indicações ao Oscar. O italiano Muccino comprova sua total dedicação ao projeto de tornar-se o Frank Capra dos novos tempos, associado a um ator do carisma e talento de Will Smith.

Smith é o tipo do ator que carrega qualquer filme, faz até os mais críticos engolirem um pouco da boa cota de clichês do roteiro do estreante Grant Nieporte. Independentemente deles, Smith brilha de ponta a ponta nesta longa expiação de uma culpa irredimível. É muito difícil imaginar que não ganhará aqui sua terceira indicação ao Oscar. As outras duas foram justamente por "À Procura da Felicidade" e também por "Ali" (01).

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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