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30/12/2008 - 16h03

"A Bela Junie" traz incerteza de romances na adolescência

SÃO PAULO - O diretor francês Christophe Honoré ("Em Paris", "Canções de Amor") revisita um clássico da literatura do século 17 - "A Princesa de Clèves", de Madame de La Fayette - para extrair livremente o argumento de seu novo filme, "A Bela Junie", drama romântico ambientado numa escola de classe média em Paris.

Divulgação
Junie (Léa Seydoux) abala a rotina de um colégio de Paris ao se envolver com um aluno e um professor
ÁLBUM DE FOTOS DO FILME
TRAILER DO FILME "A BELA JUNIE"
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A chegada de uma nova aluna, Junie (Léa Seydoux), abala a rotina. Prima de Mathias (Esteban Carvajal-Alegria), ela decidiu mudar de escola para enfrentar a depressão causada pela morte recente da mãe. No novo ambiente, a garota bonita e reservada provoca paixões.

Menina que parece difícil de contentar, afinal ela aceita o pedido de namoro do mais tímido de seus pretendentes, Otto (Grégoire Leprince-Ringuet). Mas eles são muito diferentes. E Junie também atrai a paixão de um de seus professores, Nemours (Louis Garrel, de "Amantes Constantes").

Italiano e professor de música, o não menos belo Nemours também desperta paixões tanto entre professoras quanto alunas - e costuma corresponder à maioria, em geral ao mesmo tempo. Junie parece afetá-lo de outra forma, especialmente porque não se mostra disposta a ceder à atração que também sente por ele.

Como sempre nos filmes de Honoré, a presença da música é muito forte. Aqui, é marcada pelas baladas do cantor e compositor Nick Drake - que têm muito a ver com o clima e a trama. O ambiente coletivo da escola, afinal, é tão personagem quanto cada um dos alunos, cujos afetos, invejas e disputas despertam a todo momento.

O incidente envolvendo uma carta perdida, que remete a uma intriga que até então passou despercebida, lembra a origem da história no romance do século 17. A frequente lembrança da fragilidade do amor também homenageia filmes de François Truffaut , como "O Homem que Amava as Mulheres" e "O Amor em Fuga").

Honoré aposta demais no belo rosto de Lea Seydoux para traduzir seu enigma. É um filme que se enamora da indiscutível beleza de seus personagens e procura captar a fluidez das paixões da adolescência.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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