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04/04/2009 - 07h00

Depois de "Velozes e Furiosos 4", Vin Diesel quer mais papeis sérios

CINDY PEARLMAN
Do Hollywood Watch
Se fora das telas Vin Diesel é o tipo de sujeito que pisa fundo na vida, não é de se espantar que ele hoje esteja asssociado a uma franquia chamada "Velozes e Furiosos". "Não sei ao certo de onde vem esta intensidade", diz Diesel. "Apenas sei que tenho esta reserva imensa de onde a posso extrair. Talvez seja por internalizar minhas coisas. Eu sei que posso lidar facilmente com isso porque tenho uma reserva enorme de emoções extremas."

Após interpretar o aficionado por carros Dominic Toretto no "Velozes e Furiosos" (2001) original, e depois ter ficado de fora de "+ Velozes + Furiosos" (2003), Diesel, aos 41 anos, está de volta ao do volante para "Velozes e Furiosos 4", que estréia nos Estados Unidos e no Brasil em 3 de abril. O quarto filme da série reúne Diesel com os astros originais Jordana Brewster, Michelle Rodriguez e Paul Walker. Desta vez, o ex-rivais de rachas de rua, Toretto (Diesel) e Brian O'Connor (Walker), precisam trabalhar juntos para derrotar um inimigo comum.
  • Divulgação

    Vin Diesel em cena de "Velozes e Furiosos 4"; ator agora quer papeis mais sérios

Ele pode não ter participado de "+Velozes +Furiosos" (2003) e "Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio" (2005), mas Diesel diz que nunca deu as costas ao papel que o transformou em astro. A questão foi apenas de agenda, já que o ator se viu comprometido com as sequências de "Eclipse Mortal" (2000) e "XXX - Triplo X" (2002) ao mesmo tempo que "+Velozes +Furiosos" era filmado.

"Eu não podia fazer tudo ao mesmo tempo", diz durante uma entrevista por telefone. "Muitas pessoas dizem que adoram o personagem, e eu realmente sempre o amei. Ele não é apenas divertido, eu acho que a coragem que ele exibe também é empoderadora. Vi pessoas saírem do cinema cheias de energia por causa deste sujeito e dos filmes 'Velozes e Furiosos'."

"Eu adoro a oportunidade de fazer um filme que permita a você escapar por duas horas, onde você possa realmente se deixar levar plenamente pela história." Algumas pessoas veem Dom como uma extensão do próprio Diesel, mas ele não vê dessa forma. "Eu não me comporto da mesma forma extrema no meu dia-a-dia. Mas eu acho que temos essa reserva em algum lugar, e a exploramos quando precisamos."

Desde o grande sucesso de "Velozes e Furiosos", a carreira de Diesel teve alguns altos e baixos. Mas seu mais recente sucesso não foi um de seus filmes de ação, e sim o filme para família "Operação Babá" (2005). "Eu fiz o filme porque meus sobrinhos não podiam assistir aos filmes do tio Vin", diz rindo. "Mas agora, aonde quer que eu vá, as crianças olham para mim e dizem: 'Onde está aquele pato do filme? Por que o pato bica você? Bicada de pato dói? Você machucou o pato?'" Não é o tipo de perguntas que alguém que se considera um artista sério normalmente enfrenta. "Sou um perfeccionista. Sabe como é, eu sou muito crítico a respeito de mim mesmo, em especial artisticamente. Eu bato em mim mesmo e digo: 'Vin, isso não foi bom o bastante'."

"Sou obcecado pelo que faço para ganhar a vida. Eu adoro fazer filmes e estou em uma posição bastante privilegiada, porque faço esses grandes filmes de ação que são maiores que a vida. Eu sempre quis ser um ator, e agora estou vivendo meu sonho", diz.

TRAILER DE "VELOZES E FURIOSOS 4"

Mas Diesel não entrou de cara nos contratos para três filmes. Ele cresceu em Greenwich Village, Nova York, onde sua mãe era uma psicóloga e astróloga e seu pai ensinava teatro. Ele começou trabalhando na pequena companhia de repertório de seu pai em Nova York, depois abandonou a faculdade para escrever, estrelar e rodar o curta "Multi-Facial" (1994).

Quando isso fracassou em chamar a atenção de Hollywood, ele teve que trabalhar em bares para pagar as contas. "Quando eu tinha 19 anos, comecei a arrumar emprego como leão-de-chácara em clubes diferentes. Foi algo em que me encaixei naturalmente, porque parecia ter o aspecto e tipo físico apropriado."

"Eu parecia imponente e durão", ele diz rindo, "e nunca tive problema para arrumar esses empregos. As pessoas temem e respeitam você quando é leão-de-chácara. Então, quem sabe? Pode ser de ajuda caso algum dia interprete um super-herói".

Foi bom ele ser um leão-de-chácara natural, acrescenta Diesel, porque ele seria um garçom horrível. "Eu não tinha paciência para ser garçom como outros atores, e nenhuma habilidade para isso. Eu sou totalmente sem coordenação. Mas leão-de-chácara é uma ocupação realmente perigosa. Eu tive um amigo que levou um tiro no emprego. Outro foi cortado com uma navalha. Logo, eu não queria fazer aquilo por muito tempo", lembra. "Agora, é como se aqueles dias servissem para pesquisa."

TRECHO DO FILME

Ele passava suas noites atuando com o durão, mas o jovem Diesel passava o dia simplesmente atuando. "Eu fazia testes para tudo e qualquer coisa. Eu também frequentava aulas de interpretação. Ficava sentado e sonhando o tempo todo em trabalhar em filmes. Sonhava com meu nome no cartaz do filme e pessoas vindo ao cinema para me assistir."

O sonho se realizou, é claro, começando com "O Resgate do Soldado Ryan" (1998) e prosseguindo em uma série de filmes, a maioria de ação, mas também incluindo algumas experiências incomuns como o clássico de animação "O Gigante de Ferro" (1999), o elogiado pela crítica mas pouco assistido "Sob Suspeita" (2006), de Sidney Lumet, e dois futuros lançamentos, a animação "Rockfish" e "Hannibal the Conqueror", dirigido pelo próprio Diesel, no qual interpretará o lendário general cartaginês que lutou contra Roma.

"Eu queria ser um ator e não um astro de filmes de ação quando entrei neste ramo. Eu comecei fazendo trabalhos sérios de composição e pretendo voltar a isso nos próximos anos." Esta meta reflete em parte uma mudança recente em sua vida: Diesel e sua namorada, Paloma Jimenez, tem uma filha pequena chamada Hania.

"Agora que sou pai eu mudei toda minha mentalidade, incluindo como escolho os papéis. Eu tenho que escolher papéis de qualidade. Este é o meu legado para minha filha. Minha responsabilidade e ser um grande exemplo". Além disso, ele diz, ele já realizou quase tudo que queria para si mesmo. "Minha vida é completamente inacreditável. Há momentos em que fico simplesmente estupefato com quanta sorte eu tive. Eu faço filmes! Quando algo parece bom demais, você quase hesita em se sentir tão bem a respeito... Eu me sinto como o garoto mais sortudo do mundo."

(Cindy Pearlman é uma jornalista free-lance baseada em Chicago.)

Tradução: George El Khouri Andolfato

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