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10/06/2009 - 15h49

Diretor diz que documentário mostra a "beleza da alma" das cantoras do rádio

EDUARDO TARDIN
Da Redação
"Eram como avós conversando com um neto, e dessa comunicação nasceu um filme", explica o diretor Gil Baroni, paranaense de 29 anos, sobre o documentário "Cantoras do Rádio", que estreia nesta quinta (11) em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Brasília. O público da terceira idade poderá assistir ao filme pelo preço fixo de R$ 3 em todas as cidades, menos em Brasília (saiba como).

O filme tem como ponto de partida o registro do show "Estão Voltando as Flores", de 2005, em que as cantoras Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima fizeram uma homenagem à era de ouro do rádio, entre as décadas de 30 e 50.
  • Divulgação

    Da esquerda para a direita: Carminha Mascarenhas, Carmélia Alves, Violeta Cavalcante e Ellen de Lima, estrelas do documentário "Cantoras do Rádio", que estreia em cinco cidades dia 11/6

Com depoimentos das quatro artistas, o documentário traz ainda muitos números musicais, que resgatam sucessos de artistas como Dalva de Oliveira, Nora Ney, Angela Maria, Isaurinha Garcia e outras.

O documentário "Cantoras do Rádio" tem poucas imagens de arquivo e evita se aprofundar no drama do ostracismo ao qual muitas artistas daquela época foram relegadas. Apesar de depoimentos como os do comediante Chico Anysio e do pesquisador musical Ricardo Cravo Albin sobre o pouco valor dado aos artistas de antigamente, o tom do filme é mais de celebração do que de lamento. "Queria mostrar a alegria delas", diz Baroni, que preferiu cortar algumas passagens polêmicas para evitar um "filme carrancudo, sobre senhoras carrancudas".

Leia a seguir trechos da conversa do UOL Cinema com o diretor:

UOL Cinema: Quando começaram as filmagens e quanto tempo duraram?
Gil Baroni: Em 2005 tivemos a primeira etapa de filmagens e, em 2007, a segunda. A finalização foi feita em 2008. Do começo ao fim do projeto foram cinco anos ao todo, e cerca de sete semanas de filmagens no total, entre shows e entrevistas.

UOL Cinema: Como surgiu seu interesse pela era de ouro das cantoras do rádio?
Gil Baroni: A Laura Dalcanale, produtora, me convidou para fazer parte desse documentário. Quando eu cheguei, já havia um projeto muito bem definido, que era fazer esse show delas virar um filme. Mas como? Não dava para ser algo como "Buena Vista Social Club", porque são outras realidades. Propus um roteiro diferente e fui convidado para ser o diretor. Eu ainda não conhecia as cantoras pessoalmente, e dali em diante me transportei para o passado. Durante seis meses, não tinha uma musica que eu escutasse que não fosse daquele período. Na própria Rádio UOL encontrei muitas músicas das cantoras do rádio, isso em ainda 2004, e também compramos discos. Quando a equipe se encontrou com as artistas, já estávamos no clima.

UOL Cinema: Então foi seu primeiro contato com esse universo?
Gil Baroni: Não, porque minhas avós e meus pais, que viveram essa época, trouxeram para mim uma carga de conhecimento. Meu pai é fã de Nelson Gonçalves, minha avá conhecia todas essas cantores e cantava para mim essas músicas. Você não dá valor de imediato quando escuta pela primeira vez em casa. Por isso que dediquei esse filme a minha avó.

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UOL Cinema: O filme tem um tom mais de celebração e resgate e não dá tanto espaço para a questão do ostracismo. Isso era previsto desde o começo?
Gil Baroni: Sim, queria mostrar a alegria delas. Eu tinha 150 horas de imagens, que viraram 4 horas e 30 minutos depois do primeiro corte, só com material excelente. Havia coisas muito polêmicas, muito nostálgicas, coisas muito saudosistas. Resolvi tirar tudo isso e mostrar aquilo que eu aprendi com elas, a alegria. Queria esse ritmo para o filme. A Carminha que me deu o mote, porque ela me disse assim: "Nós somos senhoras, calçamos salto alto, subimos no palco, cantamos, nos apresentamos. Nós mostramos a beleza da alma, não a beleza do rostinho bonito". A parte do rostinho bonito eu tirei para não gerar polêmica. Deixei só "a beleza da alma", porque para mim o filme é sobre isso, sobre a beleza da alma de mulheres que fizeram parte de uma história muito importante para a música.


UOL Cinema: No primeiro corte havia muito material sobre o drama das artistas do passado coisa sobre isso que acabou ficando de fora?
Gil Baroni: Sim, elas expunham isso, como um apelo. Não que eu não achasse isso importante, eu só não achava que o filme precisava ter isso, porque tinha tanta coisa boa e mais alegre. Tem coisas sobre isso no filme, mas são sutis. O próprio depoimento do Chico Anysio, por exemplo. É diferente dito por ele do que por elas. Elas tinham que falar sobre aquilo que elas viveram: o glamour, a alegria de levar música às pessoas. Senão ia fazer um filme carrancudo, sobre senhoras carrancudas. Por que isso, se elas não são assim? A Carmélia, por exemplo, está com 86 anos e tem a coragem de pegar um microfone e cantar. Como diz o ditado, "quem é rei nunca perde a majestade".

UOL Cinema: Como conseguiram a distribuição em cinco cidades logo na estreia?
Gil Baroni: No começo era um projeto independente. Exibimos o filme no Festival Internacional do Rio de Janeiro em 2008. Chegamos bem pequeninhos. Foi o primeiro termômetro, porque o Cine Odeon ficou lotado, as pessoas aplaudiam, riam, interagiam. Depois o filme foi para Porto alegre, no Festival Internacional do Rio Grande do Sul, organizado pela Panda Filmes, que decidiu distribuir o filme. "Cantoras do Rádio" será lançado em cinco salas no país, em cinco cidades [Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília], e isso é um privilégio que poucos documentários têm.

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