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10/07/2009 - 17h10

"À Deriva" abre Festival de Paulínia e cria debate sobre incesto

NEUSA BARBOSA
Colaboração para o UOL, do Cineweb
Com a primeira exibição no Brasil de "À Deriva", de Heitor Dhalia, começou na noite desta quinta (9), o 2º Festival Paulínia de Cinema. Primeira produção internacional da carreira do diretor pernambucano radicado em São Paulo, o filme havia tido sua première mundial no Festival de Cannes, em maio passado, dentro da mostra Um Certo Olhar.
  • Reprodução

    A estreante Laura Neiva em cena de "À Deriva", filme que abriu o Festival de Paulínia

Diretor de "Nina" (2004) e "O Cheiro do Ralo" (2006), Dhalia selecionou dois atores internacionais para integrar o elenco deste seu terceiro trabalho - o francês Vincent Cassel ("Inimigo Público Nº 1 - Instinto de Morte", em cartaz no Brasil) e a norte-americana Camila Belle ("10.000 A. C."). Ambos falam português. O ator francês porque visita frequentemente o Brasil a passeio e a atriz norte-americana por ser filha de uma brasileira. Nenhum dos dois esteve presente à sessão em Paulínia, que aconteceu no Theatro Municipal da cidade, com 1.300 lugares, e foi bastante aplaudida. O filme tem previsão de estreia em 31 de julho.

Com roteiro assinado pelo próprio Dhalia e Vera Egito (curta-metragista e diretora de "Espalhadas pelo Ar" e "Elo", também exibidos em Cannes este ano), "À Deriva" retrata a crise vivida por um casal (Vincent Cassel e Débora Bloch), mostrada pelos olhos de sua filha mais velha, a adolescente Filipa (a estreante Laura Neiva, com 14 anos na época da filmagem).

Há no filme uma sugestão de atração erótica entre a garota e o próprio pai - que está vivendo um caso com uma amante (Camila Belle). Na coletiva do filme, nesta tarde de sexta, o diretor comentou o assunto: "Isso é construído no filme de maneira muito delicada, muito sutil. A gente nunca quis reforçar este aspecto". Dhalia destacou ter consultado vários psicólogos para poder abordar este tema e também a competição entre mãe e filha, outro detalhe importante no desenvolvimento do conflito familiar.

Para o diretor, seu filme não é sobre incesto e sim "sobre uma família". Ele destacou que a história incorpora diversos aspectos pessoais, embora não seja autobiográfica. Como a personagem de Filipa, Dhalia morou numa praia e vivenciou a separação dos pais aproximadamente com a mesma idade da protagonista.

Presente à coletiva, Débora Bloch afirmou considerar sua personagem "muito tocante". E acrescentou: "Ela é uma mulher da minha geração. É muito bom conhecer a história que se está contando".

Para ela, contracenar com Vincent Cassel foi igualmente muito agradável. "É muito fácil trabalhar com ele. Além de ser um grande ator, é uma pessoa que se integra a toda a equipe", elogia. Ela frisou que a língua nunca foi uma dificuldade por Vincent, porque "ele fala muito bem o português, melhor ainda do que se ouve no filme".

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