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11/07/2009 - 16h06

"O Contador de Histórias" recria história real de ex-menino de rua

NEUSA BARBOSA
Colaboração para o UOL, do Cineweb
O cineasta Luiz Villaça ("Cristina Quer Casar") revê a biografia de um menor abandonado, Roberto Carlos Ramos, no drama "O Contador de Histórias", atração da segunda noite do II Festival Paulínia de Cinema, exibido na sexta (10). O filme tem estreia nacional marcada para o próximo dia 7 de agosto.

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    "O Contador de Histórias" narra a história real de ex-menino de rua

Nascido nos anos 1970 em Belo Horizonte, Roberto era o caçula de uma família pobre com muitos filhos. Entregue à Febem (Fundação para o Bem-Estar do Menor) pela mãe, que acreditava que ele teria um futuro melhor ali dentro, acabou tornando-se um fugitivo da instituição. Mas que sobreviveu ao abandono e à violência e, por causa da intervenção de uma pedagoga francesa, Marguerite Duvas (vivida pela atriz Maria de Medeiros), conseguiu estudar e tornar-se, anos depois, um famoso contador de histórias, conhecido internacionalmente.

Na coletiva do filme, Villaça contou ter conhecido a história de Roberto Carlos Ramos num livro que ele mesmo escreveu, em 2002. A partir daí, lutou para transformar sua impressionante trajetória no filme, que teve ontem sua primeira sessão pública.

Pontuada de incidentes trágicos e engraçados, a biografia de Ramos sofreu, porém, diversas adaptações. O roteiro foi escrito por quatro profissionais - além do diretor Villaça, também José Roberto Torero, Maurício Arruda e Mariana Veríssimo - e condensa, por exemplo, num único personagem, a pedagoga Pérola (Malu Galli), a figura de diversas outras educadoras que passaram pela vida do menino, no período em que entrava e saía da Febem.

O diretor defende essas recriações: "Não é um documentário. Fizemos várias entrevistas e algumas pesquisas, mas tudo foi mesmo muito adaptado". Apesar disso, "O Contador de Histórias" incorpora o elemento documental ao inserir a narração em off do próprio protagonista e em sua aparição, na sequência final do filme.

TRAILER DE "O CONTADOR DE HISTÓRIAS"

Villaça acentua que procurou manter um traço essencial da linguagem de Ramos, sua fantasia para narrar episódios de sua vida, mesmo trágicos, como as violências sofridas - e que incluíram espancamentos, prisão em isolamento e até estupro. "Ele usou a fantasia até para poder aceitar essa realidade", acredita.

No filme, as fantasias do menino são materializadas com o uso de animação e de recursos como música e figurino - como numa cena de assalto a banco em que os ladrões se vestem no estilo do grupo Jackson Five, ao som da música "Sá Marina", na voz de Wilson Simonal, recuperando também o clima dos anos 70.

Tal como aconteceu a Ramos, o filme começou a mudar a vida também de pelo menos um de seus atores mirins, que nele estrearam. Paulinho Mendes, que o interpreta aos 13 anos, foi convidado a um estágio de atuação de seis meses no Grupo Galpão, de Belo Horizonte.

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