Exibido na noite deste domingo no 2º Festival de Cinema de Paulínia, "Quanto Dura o Amor?", de Roberto Moreira, acompanha três personagens solitários morando no mesmo prédio em São Paulo, na movimentada esquina da av. Paulista com a rua da Consolação. No elenco, estão Silvia Lourenço como uma atriz do interior que vai trabalhar na capital, Maria Clara Spinelli como uma advogada que recebe a atriz em seu apartamento e vive um relacionamento complicado com um colega de trabalho, e um escritor carente, vivido por Fábio Herford, que investe num relacionamento com um prostituta da rua Augusta. A estreia em circuito comercial está prevista para setembro.
Marina, a atriz, abandona seu namorado e se encanta com o ritmo acelerado da cidade grande. Ela se envolve com Justine, uma cantora que bebe demais e se apresenta em um bar da rua Augusta. Justine também sai com o dono do bar, interpretado por Paulo Vilhena. Danni Carlos, que pode ser vista no reality show "A Fazenda", da Record, interpreta a inconsequente cantora.
O roteiro original previa mais personagens e tramas paralelas. A personagem de Maria Alice Vergueiro nem aparece mais no filme e Ailton Graça teve a participação reduzida a uma ponta como zelador. Segundo o Moreira, os cortes que deixaram o filme com 83 minutos foram necessários para dar unidade ao longa. "No caso de uma história com muitos personagens, só aos poucos encontramos uma unidade de tom", diz.
"Queria que houvesse empatia com os personagens. Se eu entrasse em uma comédia mais resgada, eu me distanciaria, e demoraria para para voltar ao romance", continua o diretor, que levou meses montando as diversas tramas como um quebra-cabeças e ainda não sabe o que fazer com o material que ficou de fora.
Outra mudança foi no título do filme, que inicialmente se chamaria "Condomínio Jaqueline". "O filme não fala de um prédio. O prédio e a cidade são cenários importantes, mas a questão central do filme é o amor", disse. Filmado no Edifício Anchieta, em ruas do bairro e nos estúdios de Paulínia, o filme narra as histórias de forma envolvente, e a bela fotografia dá mais uma chance para a cidade de São Paulo roubar a cena como personagem essencial do filme, algo que se torna cada vez mais freqüente nos filmes.
Outro tema discutido no debate com o diretor foi a pequena reviravolta em uma das tramas. Moreira disse que gostaria que a surpresa fosse mantida até a estréia do filme, mas não tem como controlar um eventual vazamento. Mas mesmo que já se saiba de antemão o que acontece nessa reviravolta da história, o filme não perde sua força, graças às boas atuações do elenco e à forma delicada como retrata a solidão dos personagens. Mas é bom saber: Danni Carlos, que se sai bem como atriz, canta o filme inteiro, e quem não aprecia suas releituras de clássicos que vão de Mariah Carey e Radiohead pode se incomodar.
* O repórter viajou a convite do festival.