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04/08/2009 - 07h00

"G.I. Joe - A Origem de Cobra" leva os heróis de brinquedo para o cinema

ROBERTO SADOVSKI
Colaboração para o UOL, de Praga
Entre robôs gigantes, exterminadores do futuro e jornadas pelas estrelas, a temporada de cinema-pipoca estava com uma lacuna enorme e importante: faltava uma musa. Bom, com a estreia de "G.I. Joe - A Origem de Cobra" - adaptação da série de desenhos animados-histórias em quadrinhos-linha de brinquedos dirigida por Stephen Sommers ("A Múmia", "Van Helsing") - nesta sexta-feira (7/08), a temporada está completa. No papel da vilã Baronesa, a nova-iorquina (mas criada na Inglaterra) Sienna Miller encara um traje negro coladinho em suas curvas e, com óculos, armas e atitude, promete não só roubar a cena, mas também dar ao cinema pop mais um ícone que só o tempo vai provar o quanto é duradouro.

  • Divulgação

    Sienna Muller como a Baronesa, vilã de "G.I. Joe - A Origem de Cobra": figurino apertado e ação

"Eu mal me reconheço quando olho no espelho", conta Sienna para o UOL Cinema, que visitou as filmagens de "G.I. Joe" em Praga, no ano passado. "A roupa não é muito confortável, e depois de cinco meses se torna bem complicado, já que [o figurino] é justo e foi desenhado para seguir meu corpo centímetro por centímetro." A Baronesa, para quem não é versado no universo dos "G.I. Joe", que foi sucesso na telinha quando exibido no Brasil nos anos 80, é a traficante de armas aliada a Destro e ao Comandante Cobra, líder de uma organização terrorista que almeja, claro, dominação mundial. "Ela é uma 'femme fatale', não é nem um pouco boazinha", continua a atriz. "Mas é divertido interpretar alguém assim, sem rédeas. Sem falar que eu atirei com uma metralhadora dois dias atrás! Estes filmes enormes sempre dão oportunidade de a gente experimentar coisas que nunca faríamos na vida real."

"G.I. Joe - A Origem de Cobra", como o nome já sugere, trata da gênese da organização vilanesca, ao mesmo tempo em que retrata seu primeiro conflito com a equipe G.I. Joe - que, na nova versão, deixa de ser um braço do exército americano para se tornar uma organização global, que reúne, segundo o diretor, "os melhores soldados com os equipamentos mais modernos". Para estruturar o filme, Sommers devorou todo o material que existia, mas traçou uma trama original. "A história que a gente conta não está nos gibis e nem nos desenhos", diz, em um intervalo da filmagem, com a energia de um garoto de 12 anos. "Meu trabalho é pegar tudo que fazia G.I. Joe ser legal e colocar num filme de ação divertido e acelerado." Para isso, Sommers usou como ponto de partida a adição de dois membros à equipe: Ripcord (interpretado por Marlon Wayans) e seu futuro líder, Duke (Channing Tatum). "É mais ou menos um 'Duke Begins'", brinca Tatum, que faz aqui seu primeiro grande filme de ação. "Meu personagem é um soldado normal e, quando vê os Joes em ação, faz de tudo para entrar na equipe."

A seu lado, Marlon Wayans, mais conhecido por comédias como "As Branquelas" e "Todo Mundo em Pânico", que entra em cena como Ripcord - e também como alívio cômico. "Ripcord é amigo de infância de Duke e o segue para juntar-se aos Joes", explica. "Eu queria o personagem mais negro que o roteiro tivesse, mas era Heavy Duty, e já seria interpretado por Mr. Eko (ou o ator Adewale Akinnuoye-Agbaje, que faz o enigmático pastor de Lost). Então fiquei com Ripcord, que é quase tão negro quanto eu."
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    Mocinhos e vilões de "G.I. Joe - A Origem de Cobra", fantasia de ação baseada em brinquedos

Sommers começou a trabalhar em "G.I. Joe" fazendo o básico: pesquisa. Ele assistiu aos 185 episódios do desenho animado, leu as 180 edições da série de quadrinhos original (publicada pela Marvel) e mergulhou no design dos brinquedos - tudo para criar uma trama original, diferente de tudo que era conhecido pelos fãs. "Todo mundo conhece bem os personagens", conta. "Eram dezenas de personagens no desenho e nos gibis, e eu acho sensacional o fato de ninguém nunca ter morrido! Ainda assim, eu precisava ver como transformar tanta informação num filme que precisa funcionar para quem nunca viu nada dos Joes antes." Para sua trama, Sommers baseou-se no que há de mais moderno em tecnologia militar atual, e criou um caso de como seria se ela fosse usada para o mal.

Assim, o filme começa centrado em Destro (Christopher Eccleston), traficante de armas que coloca as mãos em nanotecnologia usada para fins científicos e reprograma as máquinas microscópicas, colocando-as em ogivas - trabalho de um cientista que, até o fim do filme, pode se tornar o principal vilão. Para combater a organização, os Joes são acionados. "Tudo no filme é baseado em realidade, mesmo que seja fantástico", explica Sommers. "É o caso das roupas de aceleração, armaduras capazes de anabolizar a ação dos músculos. Há duas semanas, eu vi algo exatamente igual que o exército está desenvolvendo para usar em campo em cinco ou seis anos. A idéia foi pegar essa tecnologia e fazer com que ela funcione em nossa história.

TRAILER LEGENDADO DO FILME "G. I. JOE - A ORIGEM DE COBRA"

"G.I. Joe - A Origem de Cobra" se passa num futuro próximo, mas não é ficção científica. "Eu tinha receio em entrar nesse projeto porque não queria fazer um filme de guerra de fantasia", aponta Channing Tatum. "Mas quando li o roteiro vi que era mais próximo a 'X-Men' ou a 'Star Wars', com armas de raios e situações fantásticas - é tudo muito grande e exagerado!" Mesmo com o gigantismo da produção, que passa por quinze locações que vão do Pólo Norte ao fundo do mar, resvalando em Paris, Washington e Tóquio, o ator deixou o trabalho pesado para os dublês. "Stephen é muito cuidadoso, e um filme assim precisa de planejamento e de profissionais", continua. "Eu sempre fui fã de 'G.I. Joe', a primeira coisa que perguntei foi quem ia fazer Snake Eyes (um Joe que é um ninja, sempre silencioso, personagem mais famoso da série). Mas quando vi Ray Park lutando, percebi que não era mesmo para mim - mesmo que Duke lute com ele numa cena."

Marlon Wayans, por outro lado, não poderia estar mais contente em deixar as cenas perigosas com os profissionais: "Fala sério, você acha que eu vou correr por um prédio que está pegando fogo e explodindo? Eu acho que não..." Sienna Miller, por outro lado, não teve como fugir, e a Baronesa protagoniza uma das grandes cenas de luta do filme - contra Scarlett, interpretada por Rachel Nichols. "Rachel e eu tivemos a oportunidade de ser brutais uma com a outra", diverte-se a atriz. "É briga de meninos, só que somos nós duas. E ela é mais alta do que eu, por isso a Baronesa usa salto alto. Experimenta lutar de salto para ver... eu tenho todos os hematomas para provar que trabalhei duro."

ASSISTA AO TRAILER DE "G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA"

Com trajes de aceleração, visual atualizado (e bem diferente) dos quadrinhos e dos gibis e outras mudanças em relação ao "G.I. Joe" original, não é a toa que os fãs (sempre eles) estiveram com os olhos fixos na produção desde o começo, prontos para atacar cada detalhe. "Eu presto atenção nos fãs, mas no fim das contas preciso criar uma história e fazer um filme", suspira Sommers. "Atualizamos veículos e trajes do desenho porque, francamente, aquilo seria muito bobo se mostrado em um filme com gente de verdade. Era tudo colorido demais, extravagante demais... Nosso trabalho homenageia tudo que foi feito antes, mas precisa se sobressair e ser único." O que não desagrada nem um pouco a Hasbro, dona da série de brinquedos (e que já havia faturado horrores com o reboot de Transformers com os dois filmes dirigidos por Michael Bay).

"G.I. Joe - A Origem de Cobra" é a chance de criar uma nova série de brinquedos, desta vez usando o visual do filme, ao mesmo tempo em que reapresenta toda a série para os fãs mais antigos. É o fator nostalgia somado a um candidato a arrasa-quarteirão, o que no livro-caixa de Hollywood é uma combinação perfeita. "Eu recebi o protótipo de minha boneca", encerra Sienna Miller. "Eles a fizeram a partir de scans de meu rosto e meu corpo, e eu estou pronta para brincar com minha ela. Ou seja vou brincar comigo mesma... o que soa muito errado..."

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