Largamente antecipado desde o início do ano, quando começaram as especulações sobre a seleção oficial do Festival de Cannes, "Anticristo" e o diretor dinamarquês Lars von Trier passaram por vários testes. Em Cannes, o filme chegou a ser ridicularizado pelos jornalistas em plena sessão e Von Trier foi pressionado durante a famosa entrevista coletiva que se segue à primeira projeção.
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Com Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, o filme conta a história de um casal que se muda para uma cabana isolada após a morte acidental do único filho. De fato, o primeiro filme de terror psicológico - para quem lembrou de "The Kingdom", vale lembrar que se tratava de uma série - do cineasta não mostra o seu melhor momento. Mas está longe de ser um filme menor. A estreia será nesta sexta (28).
Produto de uma depressão, "Anticristo" foi feito para que Von Trier exorcizasse a doença. Ele mesmo explica isso no depoimento em vídeo embutido neste texto. O diretor fala que estabeleceu regras, como sempre faz em seus trabalhos, para movimentos de câmera e outros detalhes, mas nada muito engessado. "Foi uma escolha fazer um filme não muito lógico", diz ele.
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Dividido em tópicos, o vídeo mostra o diretor dinamarquês falando sobre suas influências, o paralelo entre a mulher e a crueldade da natureza, sobre terror japonês, a escolha dos atores e muitas outras coisas. Mas repete, como fez em Cannes, que "há muitas coisas que eu não posso explicarm nem para mim mesmo".
Von Trier afirma que acha um ótimo exercício defender uma tese com a qual não concorda, como faz no filme. "Não concordo com a ideia de que uma religião possa ser pior do que a outra", diz ele. "Acho que ficamos mais inteligentes quando tentamos defender algo em que não acreditamos. É um bom exercício para mentes humanistas."