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27/08/2009 - 20h31

"O nome dela é Sabine" faz retrato delicado e comovente do autismo

ALYSSON OLIVEIRA
Especial para o UOL, do Cineweb
Sandrine Bonnaire é uma conhecida atriz francesa, cuja filmografia inclui obras como os premiados "Sob o Sol de Satã", de Maurice Pialat, e "Os Rejeitados", de Agnès Varda. Mas pouca gente sabe que ela possui uma irmã autista, cuja deficiência levou anos para ser diagnosticada, o que só piorou a condição da moça. "O nome dela é Sabine", documentário que estreia em São Paulo nessa sexta-feira, é uma crônica familiar de mais de duas décadas sobre a convivência com essa irmã.
  • Divulgação

    Em documentário, atriz francesa Sandrine Bonnaire mostra a convivência com sua irmã Sabie, que é autista


Combinando vídeos familiares com imagens recentes feitas por Sandrine, acompanhamos 25 anos na vida das duas irmãs. No passado, Sabine era uma bela moça, livre, com muitos sonhos e planos. Essa imagem é entrecortada pela Sabine do presente, obesa, depressiva, internada numa clínica de tratamento e dada a surtos de abuso e violência.

No passado, as duas irmãs viajaram para Nova York, um sonho de Sabine; hoje, a moça revê imagens daqueles dias, chora e explica que as lágrimas são de alegria. Nesse intervalo de anos, Sabine passou por diversos tratamentos e levou muito tempo para ser diagnosticada corretamente. Em certos momentos, Sandrine, narrando em off, parece fazer um mea culpa familiar, o que levanta uma questão de quão diferente seria a moça se tivesse passados por tratamentos diferentes daqueles que recebeu nos hospitais psiquiátricos.

Privilegiando um lado mais humanista, "O Nome dela é Sabine" é comovente e delicado, sem deixar de lado aspectos informativos. Atualmente, a irmã de Sandrine está numa clínica, recebendo tratamento mais adequado. Além de fazer exercícios físicos regularmente, jardinagem e participar de uma vida em sociedade, os pacientes são estimulados a interagir.

Não deixa de ser curioso que, ao longo de mais de duas décadas, Sandrine filmou essa irmã, um ano mais nova do que ela. É como se ela já esperasse um declínio e soubesse que Sabine jamais seria a mesma.

Sandrine é resistente a aparecer diante de sua própria câmera e só o faz quando isso se torna inevitável. Nesse momento, o lado documentarista sai de cena para dar espaço para a irmã. Sabine é extremamente dependente - não apenas fisica, mas também emocionalmente. Não são poucas as vezes em que ela repete a mesma insegurança, perguntando se a irmã irá visitá-la no dia seguinte. E Sandrine, sempre dedicada, responde que sim.

Atualmente, fica claro que Sabine está progredindo e se tornou menos agressiva, mas um pouco mais dependente e carente. A imagem da menina de espírito livre que pula na água estará eternizada no granulado dos filmes de família. A imagem do presente ainda é melancólica, mas "O nome dela é Sabine" deixa uma pontinha de esperança para o futuro.

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