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03/09/2009 - 20h36

Em entrevista ao UOL, ator Peter Skarsgaard fala sobre os bastidores de "A Órfã"

EDUARDO GRAÇA
Colaboração para o UOL, de Los Angeles
"A Órfã", que estreia nos cinemas brasileiros em 4 de setembro, conta a história de uma menina de origem russa abandonada nos EUA em busca de uma família. Com o porém de que a pimpolha pode não ser eslava, tão pouco abandonada, e ainda por cima...huum... Peter Sarsgaard, 38, parece adivinhar como o repórter do UOL pensa em abrir sua reportagem sobre o novo trabalho do diretor catalão Jaume Collet-Serra (de A Casa de Cera) e reitera o pedido que fizera há pouco no primeiro andar do hotel Luxe, em Los Angeles: "Não vá entregar o twist do filme, hein?".
  • Divulgação

    O casal John (Peter Sargaad) e Kate (Vera Farmiga) resolve adotar uma garotinha


Não vou. Casado com a atriz Maggie Gyllenhaal, 32 (de Batman), - os dois brincam que são o par hollywoodiano com mais letras a no nome - e pai de Ramona, 2 anos e meio, Sarsgaard é um chefe de família em "A Órfã" bem diverso do da vida real. Sua insegurança em relação à mulher, vivida por Vera Farmiga, 36, às voltas com um vício que acabou levando a um acidente fatal para a família, abre as portas para a entrada triunfal de Esther (vivida por Isabelle Fuhrman, 11 anos) naquele que talvez seja o filme de horror mais apavorante do verão americano.

Simpático, barba por fazer e doido para voltar a jogar futebol, uma de suas paixões, Sarsgaard, indicado ao Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante por "O Preço de uma Verdade" e elogiado por seu trabalho em "Kinsey - Vamos Falar de Sexo", conversou com exclusividade com o UOL por conta do lançamento de "A Órfã". Seguem os principais trechos do bate-papo:

Peter Sarsgaard - Antes de mais nada, queria que esta conversa estivesse acontecendo no Brasil!

UOL - Você já esteve lá?
Sarsgaard - Nunca. E só virei ator porque um dia foram buscar um extra no time de futebol de minha escola. Meu negócio era bater bola. Então, sonho em um dia ir ao Brasil.

UOL - E você era bom como boleiro?
Sarsgaard - Era um ótimo lateral-esquerdo! E ainda jogo uma pelada para me distrair, sempre que posso. Chuto com a esquerda normalmente, mas desenvolvi minha direita também, então, sou completo, cara.

UOL - Sobre o filme, como foi dividir o set com três crianças em "A Órfã". Mesmo sabendo que eles são a alma do filme, foi complicado?
Peter Sarsgaard - Especialmente com Aryana (Engineer, 7 anos, que vive a filha mais nova do casal formado pelos personagens de Vera e Peter, ansiosa por uma irmã), sem qualquer experiência anterior, exigia-se uma certa compreensão nossa. Como ela não tinha muita noção das marcas, da parte técnica, ela fazia, naturalmente, com que a cena fosse filmada em função dela. Mas sabe o que é interessante? Grandes atores com quem trabalhei fazem exatamente o mesmo! (risos). Eles fazem com que a cena seja filmada, conscientemente, de um modo que incorporem cada detalhe de sua atuação. E lá estava Aryana fazendo o mesmo, por instinto! Era interessante vê-la atuando com a Isabelle, que é mais treinada e tinha de fazer a vilã da história.

UOL - O que despertou seu interesse para A Órfã?
Peter Sarsgaard - Bom saber disso! Quem me trouxe para o projeto foi a Vera (Farmiga), minha querida amiga. Nós dois estávamos tentando financiar dois filmes independentes, eles não aconteceram, e aí acabamos juntos numa produção maior, como esta. Com a crise financeira, este é o momento mais difícil nos EUA para filmes independentes desde que entrei nesta indústria. Não há dinheiro sobrando para empreitadas mais arriscadas.

TRAILER DO FILME "A ÓRFÃ"


UOL - Você vive em Nova Iorque e é um "bicho" de teatro. A Broadway acaba de ter uma das melhores temporadas de sua história recente, com temas mais sociais, despertados pela crise econômica. Você acha que com o teatro o efeito foi o oposto?
Peter Sarsgaard - Muitos atores chegaram à conclusão de que, com os filmes independentes engavetados, o caminho natural para se alimentarem de arte era o teatro. Por isso você viu os grandes nomes nos palcos de NY na temporada que passou e verá novamente na que começa no outono...

UOL - Sim, tivemos Susan Sarandon, Geoffrey Rush, James Gandolfini, Marcia Gay Haden, Nathan Lane, Daniel Radcliffe, Will Ferrell, Ethan Hawke, Kristin Scott Thomas e você e Maggie...
Peter Sarsgaard - Fizemos Tcheckov. Eu fiz dois Theckovs, "A Gaivota", com Kristin, e Tio Vânia, com Maggie. Posso te dizer que o russo é mais moderno do que qualquer dramaturgo ou roteirista contemporâneo. É como se com Tcheckov tivesse nascido o realismo psicológico. Os personagens quase não agem, tudo acontece por conta do comportamento, é por detrás da ação. Isso é fascinante para um ator. O enredo não tem importância alguma. Fico imaginando como seria Robert Altman dirigindo Checkov no cinema. Ou o Cassavettes. Já imaginou?

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