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05/09/2009 - 20h43

Filmes brasileiros com temática jovem tentam atrair adolescentes aos cinemas

DANIELLE NORONHA
Colaboração para o UOL
Grandes consumidores de cinema no mundo todo, os jovens estão no alvo de filmes bons de bilheteria, como os recentes "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", "A Era do Gelo 3" e "Transformers 2", títulos relacionados ao universo infanto-juvenil. Ainda assim, para as produções brasileiras, conquistar este público tem se mostrado uma tarefa árdua.
  • Divulgação

    Atores do filme "Podecrer!", de Arthur Fontes


Dialogar com os adolescentes e fazê-los se reconhecer na tela é um dos desafios dos diretores nacionais, que buscam meios para atrair a atenção dos jovens. Há tentativas, mas poucos sucessos. Entre eles está "Cazuza - O Tempo Não Pára" (2004), de Walter Carvalho e Sandra Werneck. Com cerca de 3 milhões de espectadores no cinema, o filme mostra a vida de um dos símbolos da música nacional.

Por outro lado, há filmes que atingiram um público abaixo do esperado, como o "O Magnata" (2007), de Johnny Araújo, apesar dos elementos que poderiam atrair jovens: atores conhecidos, como o protagonista Paulo Vilhena, a participação do músico Chorão (que também assina o roteiro do filme), festa e rock and roll.

Filmes brasileiros lutam por um espaço

O diretor Arthur Fontes que já trabalhou com temáticas adolescentes no documentário "Surf Adventures" (2002), e no longa de ficção "Podecrer!" (2007), acredita que a falta de filmes para adolescentes prejudica a aceitação do cinema brasileiro quando estes jovens chegam à vida adulta, já que se acostumaram ao cinema feito em Hollywood.

"Acho que se a gente tivesse um mercado de filmes para jovens mais eficiente, eles estariam mais próximos. Existe preconceito dos adolescentes brasileiros com os filmes nacionais. É um público muito difícil", conta Fontes.

A diretora Laís Bodansky concorda. "O cinema brasileiro tem que ocupar todos os espaços, e mostrar a nossa maneira de contar histórias, nessa idade se você cria o hábito de ver o cinema brasileiro e já tira a dúvida se ele é bom, é quebrada uma barreira muito grande e a chance de criar um público é maior", diz. Laís acredita que a concorrência com a grande produção de longas hollywodianos para esse público também deixa o mercado saturado: "O que você vai falar de diferente que já não foi falado?".

As Melhores Coisas do Mundo

  • Divulgação

    "O Magnata" tem roteiro do vocalista Chorão

Laís Bodansky já conseguiu atingir os jovens no seu primeiro filme "Bicho de Sete Cabeças", de 2001, e agora volta a falar para esse público em seu terceiro longa, "As Melhores Coisas do Mundo", que tem previsão de lançamento para o inicio do primeiro semestre de 2010.

Baseado na coleção de livros do Gilberto Dimenstein "Mano", onde cada volume tem um tema sobre a vida deste menino, Luiz Bolognesi fez uma história original para o filme.

Seu interesse em filme para o público jovem não foi consciente, mas ela acredita ter atração por essa fase da vida. "É um momento de transformação muito radical, é uma passagem muito intensa", conta. Laís acredita que não existe fórmula para conversar com esse público.

Para "As Melhores Coisas do Mundo", foram realizados vários grupos de pesquisa em escolas de São Paulo. "Sempre perguntávamos o que era importante ter no filme e encontramos uma forma de aproximação do público", revela a diretora.

Como atingir esse público?

Jorge Furtado tem filmes que conseguem dialogar com o público jovem, entre eles "Houve Uma Vez Dois Verões", "O Homem que Copiava" e "Meu Tio Matou um Cara".

Para o diretor, o jovem pode se identificar com qualquer tipo de filme. As trilhas sonoras servem como ponte para chegar neste público. Na trilha de "Houve Uma Vez...", bandas atuais, como Pato Fu, regravaram grandes sucessos dos anos 60. Outra alternativa "é fazer mais filmes com personagens principais adolescentes", diz Furtado.

Laís Bodansky acredita que falta também trabalho de marketing mais intenso: "É necessário instigar este público a sair um pouco do próprio universo e mostrar que existem elementos do universo dele em outros universos".

"É preciso descobrir o que o jovem brasileiro quer ver", diz Arthur Fontes. "Se você conseguir atingir esse público, que é quem realmente vai ao cinema, com certeza vai ser muito especial e vai ter muito sucesso", conclui o diretor.



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