Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Este é o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada em 1948. Após mais de 60 anos de sua elaboração, o mundo ainda tem o desafio de fazer com que todas as pessoas tenham seus direitos cumpridos.
Com o objetivo de ampliar as discussões sobre o tema através do cinema, a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul chega à quarta edição, na qual 16 cidades brasileiras têm a oportunidade de assistir aos 39 filmes, de 11 países sul-americanos, que tratam de assuntos como os direitos das pessoas com deficiência, das mulheres e das crianças.
"Tentar exibir a produção de todos os países sul-americanos é um grande desafio, pois no continente temos países com produções muito pequenas, alguns não fazem nem um longa por ano. Nesta edição conseguimos, mais uma vez, um grande número de países participantes. É uma grande vitória", conta o curador do festival, Francisco César Filho, o Chiquinho.
Uma das preocupações do evento era atingir não apenas militantes dos Direitos Humanos, mas também pessoas que interessadas em cinema. "A cada ano estamos mais distantes de uma mostra monotemática, queremos o público cinéfilo e ele quer bons filmes", diz Chiquinho.
O evento ainda conta com uma homenagem ao "Vídeo nas Aldeias", de Vincent Carelli, e com uma retrospectiva histórica com filmes como "Também Somos Irmãos", de José Carlos Burle.
Os ingressos para os filmes do festival são gratuito e haverá algumas sessões para deficientes visuais.
A abertura da mostra em São Paulo teve a exibição do curta-metragem "Cocais, A Cidade Reinventada", de Inês Cardoso, e do documentário "Unidade 25", do diretor argentino Alejo Hojiman.
Unidade 25 é a única penitenciária igreja da América Latina. Nela não há violência, mas para ser aceito é necessário se converter e participar dos cultos e discussões da bíblia. O documentário mostra a adaptação de Simón Pedro, 18, a essa nova doutrina religiosa.
Para Hojiman o cinema pode ajudar na discussão dos Direitos Humanos: "O cinema deve servir como um diálogo com o público, o filme e o diretor não devem ter apenas uma verdade, mas o primeiro passo de um pensamento que deve continuar com o espectador, porque um diálogo pode provocar pensamento e pensamento pode provocar transformação".
Dentre os filmes que serão exibidos estão os brasileiros "O Signo da Cidade", de Carlos Alberto Riccelli e "Garapa", de José Padilha, o uruguaio "Meninos", de Gonzalo Rodríguez Fábregas e o paraguaio "Partida", de Marcelo Matinessi.
A Mostra vai até o dia 10 de novembro. Confira no
"site oficial" a programação de sua cidade.
* Danielle Noronha