"A 33ª Mostra Internacional de São Paulo é um painel anual do pensamento pelo cinema de todos os cantos do mundo. Não há crise no cinema neste ano. Nem de dinheiro, nem de criatividade." Foi com essas palavras que Leon Cakoff, diretor do evento, definiu o festival deste ano, numa coletiva de imprensa, nesta sexta.
Cakoff contou que, para ele e sua comissão, não foi fácil escolher pouco mais de 300 filmes entre os 700 inscritos para o festival deste ano. "Foi um recorde de inscrições e todos representam a diversidade da produção cinematográfica, especialmente a nacional". Dentre os brasileiros mais aguardados estão "Cabeça a Prêmio", que marca a estreia na direção do ator Marco Ricca, "Insolação", de Daniela Thomas e Felipe Hirsch, "O Sol do Meio-Dia", de Eliane Caffé, "O Amor Segundo B. Schianberg", de Beto Brant, "Os Famosos e os Duendes da Morte", de Esmir Filho, e "Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo", de Marcelo Gomes e Karim Ainouz.
As produções brasileiras selecionadas para a Mostra concorrem ao Prêmio Itamaraty, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores. Antes outorgado no Festival de Brasília, este ano a premiação se realizará em São Paulo. O longa de ficção ganhador receberá R$ 45 mil, o documentário, R$ 30 mil, e o curta, R$ 15 mil. O Canal Brasil também conferirá um prêmio de R$ 10 mil para o melhor curta-metragem. Já os Estúdios Quanta darão R$ 10 mil para um longa de ficção e R$ 8 mil para um longa documental. Esses valores serão revertidos em certificados de locação de equipamentos do estúdio.
Do último Festival de Veneza, a 33ª Mostra destaca os principais premiados, "Lebanon", de Samuel Maoz, ganhador do Leão de Ouro, e "Soul Kitchen", do turco-alemão Fatih Akin. Já de Cannes, a Mostra contará com seus principais premiados: "A Fita Branca", de Michael Haneke, ganhador da Palma de Ouro, "Fish Tank", de Andrea Arnold, e "Sede de Sangue", de Park Chan-Wook, que dividiram o Prêmio do Júri, e "Ervas Daninhas", de Alain Resnais, que recebeu um prêmio especial do júri. Outro filme confirmado é o ganhador do Caméra D'Or (concedido a diretores estreantes), o australiano "Samson & Delilah", de Warwick Thornton. E também o ganhador do prêmio da crítica internacional no Festival, "Amreeka", de Cherien Dabis.
Os diretores badalados também são presença garantida com seus novos trabalhos, como é o caso de Pedro Almodóvar ("Abraços Partidos"), Ang Lee ("Aconteceu em Woodstock"), Terry Gilliam ("O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus"), Wes Anderson (a animação "O Fantástico Sr. Raposo"), Elia Suleiman ("The time that Remains"), Abbas Kiarostami ("Shirin"), Jane Campion ("Brilho de uma Paixão"), Sam Mendes ("Distante Nós Vamos") e Amos Gitai ("Carmel" e "A Guerra dos Filhos da Luz Contra os Filhos das Trevas").
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A Mostra também conta com filmes premiados em outros festivais importantes. De Sundance vem "Humpday", de Lynn Shelton, ganhador do Prêmio Especial do Júri. De Berlim, o drama político "London River", ganhador do prêmio de ator, para o malinês Sotigui Kouyaté.
Convidados, homenagens e livrosO grande homenageado da 33ª Mostra será o cineasta grego Theo Angelopoulos, esperado em São Paulo entre 25 e 29 de outubro. Além de seus filmes mais importantes, como "A Eternidade e um Dia" e "Um Olhar A Cada Dia", o evento trará seu mais recente longa, "A Poeira do Tempo", a segunda parte de uma trilogia, que começou com "O Vale dos Lamentos", também na programação.
O diretor de fotografia Christian Berger, de filmes premiados como "A Fita Branca", e "Caché", ambos de Haneke. Ele fará dois workshops em São Paulo, um para estudantes e outro para profissionais de cinema. Segundo Renata Almeida, diretora da Mostra, serão trazidos equipamentos do México para que Berger possa ministrar as oficinas que abordarão um sistema de iluminação desenvolvido por ele, denominado "Cine Reflect Light System".
Fanny Ardant, uma das musas de François Truffaut, que participou de filmes como "A Mulher do Lado" e "8 Mulheres", estará em São Paulo, entre 2 e 4 de novembro e apresentará sua estreia na direção, "Cinzas e Sangue", baseado num romance do albanês Ismail Kandaré.
Também passarão por São Paulo o produtor português Paulo Branco, o produtor e diretor italiano Gian Vittorio Baldi (produtor de "A Pocilga", de Pier Paolo Pasolini), e o francês Jean-Michel Frodon, que foi crítico de cinema do jornal Le Monde e diretor da revista Cahiers du Cinéma.
Como é tradição na Mostra, durante o evento acontecerá o lançamento de novos títulos da Coleção Aplauso, editada pela Imprensa Oficial de São Paulo, que também lançará "Os Filmes da Minha Vida". Um projeto que teve início no festival do ano passado e conta com depoimentos dos cineastas Daniela Thomas, Walter Salles, Carlos Reichenbach, além do crítico Inácio Araújo e da atriz Helena Ignez.
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