"'Distrito 9' não é sobre política, apartheid ou segregação. Mas para mim, qualquer filme que se passe na África do Sul terá esse pano de fundo". A opinião é do diretor do filme de ficção científica e ação que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta (16), Neill Blomkamp.
Mesmo diante da posição do diretor as interpretações politizadas do filme não podem ser deixadas de lado. Em "Distrito 9", uma nave alienígena procura refúgio sobre a cidade sul-africana de Johanesburgo. Incapazes de retornar ao seu planeta natal, os visitantes alienígenas são mantidos confinados em condições precárias em uma região da cidade, sofrendo constantes violências e sujeitos à hostilidade da população humana.
A metáfora presente no enredo é reforçada pela narrativa conduzida em forma de documentário, montado com cenas de reportagens de televisão e tomadas que representam gravações feitas por câmeras de segurança. "Uma coisa muito interessante de "Distrito 9" é que há um monte de referências muito claras a filmes de ficção científica de que eu gosto, tudo isso com Johanesburgo como pano de fundo", explicou Blomkamp em entrevista ao
UOL durante a San Diego Comic-Con, em julho.
Para o diretor, as referências a filmes como "Alien", "Robocop" e "Predador" fazem da ficção em "Distrito 9" algo quase familiar para o espectador. "É como se você estivesse acostumado com aqueles elementos de ficção, e de repente é Johanesburgo que se torna tão marcante no filme", diz ele.
Apesar de garantir que não se trata de um filme panfletário, a identidade sul-africana da produção fica presente em vários momentos. "Havia o medo de que o público norte-americano não entendesse o sotaque sul-africano, mas Peter Jackson (produtor do filme) nos apoiou no sentido de que a voz do personagem fosse natural", conta o ator Sharlto Copley que, para reforçar o caráter documental do filme, improvisou a maioria das falas de seu personagem, o abobalhado Wikus van der Merwe.
"Neill nasceu na África do Sul e trouxe para o filme um ponto de vista muito interessante. Ele sempre falava que tal coisa não seria feita dessa forma lá. Até agora eu não sei o que isso quer dizer, mas há no filme um certo tom característico que só Joanesburgo pode trazer", acrescentou Peter Jackson, produtor do filme.
Além do cenário, o filme também explora detalhes como a fala dos alienígenas, que reproduzem sons típicos da linguagem dos Bantu, uma das etnias mais perseguidas durante o período do Apartheid.
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Mesmo com todos esses elementos sociais e políticos, Blomkamp enfatiza o caráter hollywoodiano de seu filme. "Eu estava ciente de que se fizesse do meu primeiro filme algo como um manifesto isso não seria bom para minha carreira como diretor", explica o estreante.
"Distrito 9", na verdade, foi uma espécie de "plano B" para Blomkamp e Peter Jackson. Os dois trabalharam por cinco meses no projeto de um filme baseado no videogame "Halo", quando a produção foi cancelada por questões orçamentárias. "O novo projeto veio à tona em 24 horas, após o cancelamento de 'Halo'", conta Jackson. "Neill havia feito o curta "Alive in Joburg" com Sharlto, seu amigo de escola, e então decidimos investir em um novo projeto baseado nele", diz o produtor, que foi responsável por levantar a maior parte dos recursos para a filmagem de "Distrito 9".