"Um Conto de Natal", de Charles Dickens, é sucesso em todas as mídias desde que foi publicado (por iniciativa do autor) em 1843. Já foi levado às telas e TV e cinema dúzias de vezes desde 1901 - inclusive pelos "Muppets", os "Flintstones", a TV Paulista (em 1963, com o título "O Velho Scrooge") e Bill Murray (dirigido por Richard Donner em 1988). Nada mais natural, portanto, que recebesse o tratamento performance-capture/digital/ 3D que está se tornando o estilo-tendência da primeira década do século 21.
"Esta é verdadeiramente uma história universal, que já se provou ao longo do tempo", diz Robert Zemeckis, diretor de "Os Fantasmas de Scrooge", o primeiro grande lançamento da Disney para a temporada de fim de ano. "É a grande parábola moral do século 19, eficiente na época vitoriana e nos dias de hoje. A história de alguém que representa o que há de pior em nós, seres humanos, e tem uma oportunidade de redimir sua vida. Isso é algo que está embrenhando no fundo da alma de todos nós."
Para quem nunca leu o texto de Dickens a história é simples e poderosa: Scrooge, um agiota na Londres vitoriana, vive em miséria auto-imposta, sem gastar sua fortuna nem consigo mesmo, nem com ninguém. Por isso odeia a época das festas e o espírito de generosidade que domina o período. Tudo isso muda quando, numa noite de Natal, recebe a visita de três espíritos: o fantasma do Natal do passado, o do Natal do presente e o do Natal do futuro. Ao rever sua vida, Scrooge tem a oportunidade única de conhecer as origens de sua avareza, e avaliar seu impacto nas pessoas à sua volta.
Como toda boa trama vitoriana, o conto original é apavorante e nada festivo - o tema da morte e suas consequências é constante, e Zemeckis, que sempre gostou de um filme de terror, fez questão de voltar ao clima. "É uma história de fantasma, gótica como era o gosto do período", diz Zemeckis. "Quis ser fiel a isso, porque é um dos elementos fundamentais do apelo da obra."
Com os recursos da captura digital de desempenho à sua disposição no recém criado estúdio ImageMovers - parceria de Zemeckis com a Disney - Jim Carrey pode desempenhar sete papéis simultâneos em "Os Fantasmas": Scrooge velho, Scrooge criança, Scrooge jovem, Scrooge na meia idade, mais os três fantasmas, cada qual com vozes e características físicas marcadamente diferentes. Mas ele diz que o velho Scrooge foi o mais difícil: "Ele sem dúvida é o mais complexo de todos, o tipo de personagem cruel e desprezível que já fiz várias vezes mas que, desta vez, tive a oportunidade de levar até sua raiz mais profunda, explorar sua mesquinharia como fruto da sua tristeza, do abandono que sofreu, a solidão. E depois a catarse, a transformação, essa idéia fantástica que alguém pode, mesmo tarde na vida, redimir sua existência."
Como Carrey atuou sem objetos ou cenário, vestindo apenas macacão com sensores e o capacete com câmeras necessários para a captura, só com o projeto mais adiantado ele foi capaz de ver como Zemeckis criara os aspectos físicos de seus personagens, adicionando a caracterização digital. "Fiquei louco!", Carrey sorri, entusiasmado. "Como eles foram capazes de captar cada minúcia da minha interpretação?. E como eu, velho, como Scrooge, fiquei a cara de meu pai? (NA: falecido em 1994).Minha família vai ficar doida quando vir o filme. Velho Percy, este filme é para você!"