Apesar da conhecida versatilidade do ator Chico Diaz, as pessoas ainda se surpreendem quando o veem em cena no longa "Praça Saens Peña", que estreia em São Paulo nesta sexta-feira (22), após cinco semanas em cartaz no Rio de Janeiro. "Todo mundo está acostumado a me ver em papéis de pessoas rudes, matadores, cangaceiros. E aqui eu faço um professor de literatura, sensível, marido e pai dedicado", contou o ator ao
UOL Cinema.
Diaz filmou "Praça Saens Peña" na mesma época em que gravava a novela "Paraíso Tropical", em 2007, na qual interpretava o cafetão Jader. "Era muito divertido fazer televisão pela manhã e cinema à tarde, com dois personagens completamente opostos. Era bom poder ir para os sets do filme e deixar de lado aquela energia pesada do Jader".
"Praça Saens Peña", que marca a estreia na ficção do premiado documentarista Vinicius Reis, ambienta-se nos arredores do local do mesmo nome, na Tijuca, que dá título ao filme. Diaz e Maria Padilha formam um casal de classe média que luta para criar a filha que está prestes a fazer vestibular, interpretada pela estreante Isabela Meirelles. Morando num apartamento pequeno, a família sonha em ter uma casa própria e maior.
"É uma história que se passa no Rio de Janeiro, mas nem por isso bairrista. Pelo contrário, acho que o público de qualquer lugar do mundo vai se identificar com o drama daquela família porque é tudo muito humano", opina o ator, que trabalha com Reis desde a concepção do projeto, por volta de 2003.
"Fazer esse filme foi um trabalho muito peculiar. Eu e a Maria [Padilha] entramos no filme com conhecimento de causa. Fizemos leituras de várias versões do roteiro. Para o ator, isso é muito proveitoso". Diaz também destaca a longa parceria com sua colega de filme - com quem já contracenara em "Os Matadores", de Beto Brant, lançado em 1997. "A gente se conhece desde os grupos de teatros dos quais participava. Ela sempre foi uma força motriz, uma incentivadora do teatro. Esse nosso entrosamento, essa intimidade foram muito bons na hora de rodar o filme. Eu acho que isso está lá estampado na tela."
Em busca da TijucaDurante o filme, Diaz teve que sair em busca de uma Tijuca verdadeira, aquela que o diretor queria para o filme. Para isso, uma das estratégias foi conversar com o músico e letrista Aldir Blanc - um notório morador do bairro. No filme, há uma cena em que Chico Diaz o entrevista. "Esse é um momento bastante documental do filme. O diretor havia me dado umas instruções, mas deixou livre para interagir. Eu estava muito nervoso, para falar a verdade". No fim, a entrevista rendeu quase uma hora e Reis teve de reduzi-la a cerca de 5 minutos - mas estará na íntegra no DVD, promete o diretor.
Em breve, Diaz poderá ser visto novamente em "O Sol do Meio-Dia", filme de Eliane Caffé, que ganhou o Prêmio da Crítica na Mostra de SP do ano passado, sendo que Diaz e Luiz Carlos Vasconcelos dividiram também o prêmio de melhor ator. Neste filme, Diaz encarna um sujeito com problemas com o alcoolismo, cheio de altos e baixos. Como aconteceu em "Praça Saens Peña", rodar in loco - no caso de "O Sol do Meio-Dia", no meio da floresta amazônica - "ajudou muito a entrar no personagem".
Diaz confessa que gosta de se arriscar. "Para o ator é essencial descobrir novas possibilidades. O ator representa um personagem, mas esse personagem representa um monte de gente." Além de trabalhar no lançamento dos dois filmes, há pouco encerrou uma temporada teatral de "Moby Dick", assinada por Aderbal Freire Filho, no Rio de Janeiro, que pode viajar pelo Brasil este ano. Agora, ele prepara uma montagem de "A Lua vem da Ásia", texto de Campos de Carvalho.
TRAILER DO FILME ''PRAÇA SAENS PEÑA"
Ele confessa que não são apenas os desafios que o atraem quando escolhe um filme ou peça para atuar: "Quando mais fica no contemplativo, no devaneio, mais me atrai a obra. Não apenas para trabalhar, mas também filmes e peças para ver. No caso do 'Praça Saens Peña' há outro fator. É um filme muito representativo do povo brasileiro. Não é preciso gritar para se fazer um filme engajado".