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01/05/2010 - 07h00

Animação "As Aventuras do Avião Vermelho" se inspira em livro infantil de Érico Veríssimo

ALYSSON OLIVEIRA
Especial para o UOL, do Cineweb
  • Cena da animação brasileira ''As Aventuras do Avião Vermelho''

    Cena da animação brasileira ''As Aventuras do Avião Vermelho''

Quando o assunto é o futuro do cinema, José Maia, que atualmente trabalha como codiretor da animação “As Aventuras do Avião Vermelho”, é bastante otimista. Para ele, daqui a alguns anos tudo será exibido em 3D. Mas até lá, no entanto, ele mesmo acredita que a técnica de exibição tradicional, sem óculos para efeitos especiais, serve muito bem para contar boas histórias – como é o caso do seu longa, produzido há um ano e que deve demorar outro até ficar pronto.

“Se tiver uma boa história, você consegue contá-la até com dois palitos de fósforo”, explicou ao UOL Cinema. A boa história que ele e o codiretor Frederico Pinto, mais conhecido como Fred, estão levando para as telas vem do livro infantil “As Aventuras do Avião Vermelho”, do escritor gaúcho Érico Veríssimo, um clássico da infância de muita gente. “É uma pena que eu não tenha lido o livro quando era pequeno; acho que teria uma percepção diferente da história. Quando conto que estou fazendo esse filme, os olhos de muita gente brilham”.

  • Divulgação

    Milton Gonçalves é um dos dubladores de ''As Aventuras do Avião Vermelho''

Segundo Fred, que assina o roteiro com Camila Gonzatto e Emiliano Urbim, a escolha desse livro se deu por ser o mais visual do autor. “Não é necessariamente o melhor livro infantil do Érico Veríssimo, mas é o que nos dava maiores possibilidades num filme”. A obra original serve como inspiração, pois os roteiristas tiveram de expandir a história para criar trama suficiente para um longa. “Fizemos várias pesquisas e descobrimos influências de Julio Verne, por exemplo, e tudo isso nos ajudou a aumentar a trama”.

Já a animação do filme, sob os cuidados de Maia, combina o uso de duas técnicas, o tradicional 2D dos desenhos animados e o 3D feito em computador. “Essa combinação facilita o nosso trabalho. Cenários e outras coisas que tinham de ser feitas a mão, podem ser desenvolvidas em computador. Os personagens também podem ser planejados no computador e isso facilita o trabalho do desenhista e ganhamos tempo. Mas, quando o filme estiver pronto, tudo será exibido no formato convencional”, explica o diretor. Fazer uma animação nesses moldes não é muito comum e Maia acredita que seja inédito no Brasil. Com as imagens criadas em computador, o animador tem uma base para criar a cena por diversos ângulos. “É uma técnica que chamamos de 2D e meio”, brinca Fred.

Maia confessa que chegou a pensar em transformar “As aventuras do Avião Vermelho” num filme em 3D, mas acabou desistindo porque teria de fazer mudanças no meio do processo. “Eu acho que quando se quer lançar um filme em 3D é preciso pensar nisso desde o início e planejar para que ele seja assim. Mudar no meio do caminho, só para aproveitar o sucesso do formato, me parece que acaba prejudicando o resultado final, porque fazer um filme em 3D depende de muito planejamento e trabalho”.

Ao contrário da maioria das animações, em “As aventuras do Avião Vermelho” primeiramente os dubladores gravam seus diálogos e depois os desenhistas criam em cima das vozes. “Assim, os animadores podem incorporar gestuais à animação. Inclusive gravamos os dubladores trabalhando para que pudesse servir de inspiração para os desenhos”, explica Fred. O elenco de vozes do filme inclui Milton Gonçalves, Lázaro Ramos, Fernando Alves Pinto, Wandi Doratiotto e Zezeh Barbosa.

Atualmente, cerca de 23 animadores de diversos estados do Brasil trabalham no filme em Porto Alegre. Maia, que tem mais de 30 anos de experiência na área, conta que não foi muito fácil encontrar os profissionais para trabalhar com a dupla. “Algumas das pessoas que trabalham conosco foram alunos em cursos que dei sobre animação. Muitos estão começando agora e ganhando experiência com o filme”.

Fred, aliás, acredita que o filme, além de colocar diversos animadores no mercado de trabalho, tem tudo para ganhar uma parcela do público que é negligenciada pelo cinema brasileiro: as crianças. “Eu acredito que além da falta de cinema infantil no Brasil, também falta uma discussão sobre fazer cinema para criança no país. Só assim podemos conquistar essa parcela do público, se fizermos bons filmes para eles”, complementa o codiretor.
 

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