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07/06/2010 - 07h02

Atriz de "Coco Chanel e Igor Stravinsky" não fica à vontade com cenas de sexo

THAIS FONSECA*
Enviada especial para o Rio
  • Anna Mouglalis e Mads Mikkelsen em cena do filme Coco Chanel e Igor Stravinsky

    Anna Mouglalis e Mads Mikkelsen em cena do filme "Coco Chanel e Igor Stravinsky"

Se houvesse uma eleição para musa do Festival de Cinema Francês Varilux deste ano, haveria grandes chances de que a francesa Anna Mouglalis fosse a escolhida. Alta e esguia, Anna parece desfilar naturalmente, além de ter um bom cartão de visita: em 2003, seu rosto foi escolhido por Karl Lagerfeld para representar a renomada marca francesa. Anos depois, seria a vez de ir mais fundo no mesmo universo como atriz, na pele da protagonista de ''Coco Chanel e Igor Stravinsky", longa de Jan Kounen que retrata um suposto romance entre a estilista e o compositor russo. Em passagem pelo Rio de Janeiro, onde participa da divulgação do filme (o evento se realiza até 10 de junho em nove cidades brasileiras), Anna falou ao UOL Cinema sobre Coco Chanel, considerada por ela um símbolo francês comparável à Torre Eiffel. "Meu principal desafio foi ser fiel ao que as pessoas acreditavam que ela era. Isso significa ser dura, às vezes grosseira ou tirana", diz.

A trama retrata o envolvimento entre os protagonistas, capaz de balançar a estabilidade familiar do músico, casado e com filhos. "O que fez ela se sentir atraída por ele foi o interesse por escândalo, mais do que por música", opina Anna. Logo no início, o filme - ambientado entre as décadas de 1910 e 1920 - mostra a apresentação da obra "A Sagração da Primavera", de Stravinsky (Mads Mikkelsen), no Teatro Champs Élysées de Paris. Enquanto o público se vê chocado e vaia, Chanel passa a ver o artista com encanto e, tempos depois, se oferece para ajudá-lo financeiramente.

Apesar dos diálogos pouco calorosos entre os dois, "Coco Chanel e Igor Stravinsky" expressa o desejo latente com cenas de sexo, para desespero de Mouglalis, que se diz pouco à vontade para gravá-las. "É a coisa mais chata que se tem que fazer no cinema", afirma. A atriz mencionou ainda o "concorrente" "Coco Antes de Chanel", com Audrey Tautou (lançado antes e com mais destaque que o filme de Kounen), e seu novo papel em uma comédia francesa. A seguir, leia os principais trechos. O filme de Mouglalis como a estilista famosa estreia em seis de agosto no Brasil.

UOL Cinema - Você já foi chamada para trabalhar como modelo da Chanel e depois interpretá-la no filme. Você acha que há alguma
semelhança física entre você e ela?

  • Getty Images

    Anna Mouglalis é vista em evento da marca Chanel, na França, em imagem de maio de 2010

Anna Mouglalis - Não, não acho que pareço fisicamente com ela. Quando você incorpora alguém, o interessante não é como você parece, mas é o que você faz, como fizeram no filme sobre Bob Dylan com Cate Blanchett e Heath Legder, por exemplo. O interessante é achar a mesma energia, o mesmo carisma.

UOL Cinema - Como atriz, o que mais te interessou na personagem Coco Chanel?

Anna Mouglalis -
Chanel é uma personagem muito complexa, tem algo como branco e preto, um antagonismo, ela pode ser coisas muito diferentes ao mesmo tempo. Ela também mistificou o próprio passado, o que é muito intrigante para um ator. Decidiu que seria alguém e se dipos a contar diferentes histórias sobre seu passado.

UOL Cinema - Chanel é uma personagem conhecida no mundo todo. Qual foi o principal desafio em interpretá-la?

Anna Mouglalis - O maior desafio foi ser fiel ao que as pessoas acreditavam que ela era. Isso significa ser dura, às vezes grosseira ou tirana...ela podia ser a pessoa má do filme. Foi desafiador demonstrar certa frieza e, ao mesmo tempo, não ser malvada.

UOL Cinema - O filme "Coco Antes de Chanel", com Audrey Tatou no papel principal, foi lançado quase no mesmo período que "Coco Chanel e Igor Stravinsky". Você ficou curiosa ou insegura para saber o resultado do outro filme?

Anna Mouglalis - Fui a primeira a ir assistir. As filmagens aconteceram ao mesmo tempo, mas eles finalizaram primeiro para lançar antes. Eles tinham um número bem maior em termos de orçamento. Foi estranho para mim. Era assistir ao meu papel e eles trabalharam com o mesmo material. Eu não fui uma espectadora quando vi o filme, não consegui me deixar levar.

UOL Cinema - O filme mostra várias cenas de sexo entre Coco Chanel e Stravinsky. Como foi para você filmá-las?

Anna Mouglalis - Cena de sexo é a coisa mais chata que se tem para fazer no cinema. Não tem muito o que atuar, infelizmente, por que na maior parte das vezes a descrição é "eles fazem amor", e você não sabe exatamente o que fazer. Na maior parte do tempo você tem que estar quase nua, então não fica muito confortável...e eu não sou muito exibicionista, apesar de ser atriz.

UOL Cinema - Como você descreveria e relação dos protagonistas?

Anna Mouglalis - Acho que o que fez ela se atrair por ele foi o interesse por escândalo, mais do que por música. A música e a coreografia de "A Sagração da Primavera" eram quase obscenas, por que os corpos não se mexiam como no balé clássico, os movimentos eram mais quebrados. Ela se apaixona por este escândalo. Quando ela o conhece, na década de 1920, ela é rica e oferece dinheiro a Stravinsky, para que ele tenha conforto.

Há uma confusão entre o homem e o artista. Ela tem profunda admiração pelo artista, mas o homem é típico do século 19, tem uma mulher que vive a sua sombra, tem filhos. E ela luta para que as mulheres sejam como ela, que não vivam como escravas das convenções. Então ela não pode amar o homem, apesar de amar o artista.

TRAILER ORIGINAL DE ''COCO CHANEL E IGOR STRAVINSKY''

UOL Cinema - Quais são seus novos projetos no cinema?

Anna Mouglalis - Terminei as filmagens da minha primeira comédia na França. Eu estava assustada no princípio por que era um gênero que nunca tinha feito. As pessoas geralmente me procuram para personagens "frias". Não que eu reclame disso, pois pude interpretar mulheres fortes como Simone de Beauvoir e Chanel. Mas nesta comédia eu tenho dois filhos adolescentes, chego até a ser avó. O nome é ''Chez Gino'', sendo que o personagem do título, meu marido, é um pizzaiolo.

UOL Cinema - Você tem algum plano de filmar algo em inglês?

Anna Mouglalis - Por enquanto, não. É outra indústria [a dos EUA] . Às vezes funciona, e é claro que eu adoraria trabalhar em Hollywood com diretores como Paul Thomas Anderson, Scorsese ou David Lynch. Há ótimos diretores lá. A atriz [francesa] Marion Cotillard, por exemplo, está indo muito bem. E está conseguindo bons papeis nos EUA por que antes fez muito sucesso na França. Não é a mesma coisa com os que vão para lá sem ter feito sucesso em seus próprios países, acabam não conseguindo trabalhos tão interessantes. Me interesso mais em ter um bom papel em uma produção pequena que algo menor em uma produção grande. É como se um ator africano viesse tentar uma carreira na França. As coisas seriam difíceis para ele, por que ninguém conhece direito o que está sendo feito no país dele em cinema. Sobre a França, mesmo que conheçam a Nouvelle Vague, você tem que provar muitas coisas para conseguir um pequeno papel lá fora.

 

*(A repórter viajou a convite da organização do Festival Varilux de Cinema)

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