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"Adoro vestir o uniforme, nunca mais quero tirá-lo", diz Chris Evans sobre figurino do Capitão América

Chris Evans é o Capitão América no filme "Capitão América: O Primeiro Vingador" - Divulgação
Chris Evans é o Capitão América no filme "Capitão América: O Primeiro Vingador" Imagem: Divulgação

ALESSANDRO GIANNINI

Enviado especial a Londres, Inglaterra *

31/07/2011 07h05

Localizados a uma hora de Londres, na Inglaterra, os Estúdios Shepperton foram cenário de grandes momentos do cinema, como por exemplo a cerimônia final do primeiro "Guerra nas Estrelas" (1977). Foi lá também que, em setembro de 2010, a reportagem do UOL Entretenimento visitou em companhia de outros jornalistas estrangeiros o set de filmagem de "Capitão América: O Primeiro Vingador" e conheceu outros detalhes da produção da Marvel em parceria com a Paramount. O filme está em cartaz no Brasil desde sexta (29).
 

Na visita, durante o 43º dia de filmagem de 90 previstos, ficaram mais claros os detalhes da história de Steve Rogers, o jovem e patriota americano que se oferece como voluntário para uma experiência no Exército dos EUA, durante a 2a. Guerra Mundial, e se transforma no Capitão América. Chris Evans e Hugo Weaving, respectivamente caracterizados como o Capitão America e o Caveira Vermelha, também falaram sobre seus personagens. E Kevin Feige, produtor da Marvel e cérebro por trás dessas produções, destrinchou a trama do filme. "Será mesmo um filme de época", diz Feige. "E será ambientado no início dos anos 40. Mas a guerra, bem, não será exatamente 'a' guerra mundial, mas uma elaboração ficcional dela."

Ainda segundo Feige, no primeiro terço da história, até o momento em que Rogers aceita passar por uma experiência secreta promovida pelo Exército americano, Evans será retratado como um jovem franzino. O método usado foi explicado pelo supervisor de efeitos especiais, Christopher Towsend, que mostrou testes em que apenas a cabeça do ator apareceria no corpo de um outro ator de compleição física mais magra. E, em outro teste, o corpo do próprio Evans passaria por uma espécie de ferramenta de maquiagem digital para ser encolhido. "Optamos por preservar a interpretação dele, em vez de fazer essa montagem", disse o técnico, em uma rápida explicação sobre o método.

E a reportagem assistiu a uma cena em que os dois personagens interagem no Hydra Plane, uma fortaleza voadora que é também o quartel-general do vilão.

Chris Evans

 

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Chris Evans está em seu sexto filme como personagem de histórias inspiradas em quadrinhos, depois de duas aparições como Tocha Humana em "Quarteto Fantástico", uma em "Tartarugas Ninja", uma em "Os Perdedores" e outra em "Scott Pilgrim Contra o Mundo", disse que pensou muito antes de aceitar o papel de Steve Rogers/Capitão America.

UOL - Que tal manipular o escudo do Capitão América?
Evans -
Eles têm um monte de escudos diferentes. Alguns deles são realmente pesados, escudos de verdade que parecem fantásticos na tela. Alguns são de borracha para ocasiões em que você está fazendo coisas perigosas e não quer ser atingido na cara. Cada um tem um peso. É sempre muito estranho, mas vale a pena experimentá-los.

UOL - E há o uniforme em si, que também passa por várias transformações.
Evans -
Eu acho que o figurino, em geral, é um negócio muito importante para qualquer personagem. Sem querer menosprezar os figurinos de outros filmes, mas sempre que você coloca essas roupas... certamente, isso ajuda a dar vida ao personagem. Mas de todos os personagens que eu já interpretei, super-heróis ou não, fiquei muito animado para colocar o uniforme desse. Justamente por que se presta ao papel. Pensei muito para aceitar esse papel, mais do que qualquer outra coisa que fiz, e decidir fazê-lo foi uma grande coisa e me deixou muito nervoso - fiquei um monte de noites sem dormir. Quando eu coloquei o uniforme pela primeira vez, foi como: 'Será que vou me sentir bem? Meu corpo vai rejeitá-lo? É tarde demais?' Mas me senti muito bem. Adorei. E nunca mais quero tirá-lo.

 

UOL - Você demorou para aceitar o papel. Por quê?
Evans -
Havia uma série de fatores. Um, eu já tinha feito outros super-heróis. E não sabia como as pessoas iam reagir. E estava numa fase muito boa da minha vida, na medida em que encontrei um modo de navegar por esta profissão, mas sem perder o anonimato. Os paparazzi não me perseguem e eu posso viver minha vida e continuar a fazer isso, o que é um equilíbrio complicado. Este filme certamente é um potencial divisor de águas, um compromisso gigantesco.

UOL - Qual a sua referência para construir o personagem?
Evans
- Eu tenho um amigo que é fanático por quadrinhos, e ele adora quando eu digo isso. Ele é o melhor ser humano, eu sei. Ele é como um escoteiro. Ele é apenas um bom homem que faz a coisa certa. Nem sequer sabe falar uma mentira branca. Ele não é piedoso, não condescendente.... Só quer fazer a coisa certa. Sua moral está intacta. Ele é o Capitão América para mim.

Hugo Weaving


Hugo Weaving, que ganhou fama como o agente Smith da série de filmes "Matrix", e daquele ponto em diante tornou-se uma escolha certa para interpretar qualquer tipo de vilão, faz no filme o papel do Caveira Vermelha, alter ago do oficial nazista Johann Schmidt, inimigo do Capitão América. Com a prótese vermelha na cabeça e a ponta do nariz pintada de preto - para ser removida depois, por computação gráfica -, o ator falou por apenas três minutos aos jornalistas, em função de uma diária de filmagem muito apertada

UOL - Alguma esperança de redenção para o Caveira Vermelha?
Weaving
- Espero que ele tenha alguma. Mas eu não tenho certeza.

UOL - Há entre o Caveira e o Capitão algum ponto em comum?
Weaving
- O soro parece aumentar certas caracaterísticas que cada um deles possui. O Capitão está muito mais em sintonia com outras pessoas, eu acho. Schmidt está em sintonia consigo mesmo e com suas próprias necessidades, seu próprio ego. A administração da droga aumenta essa perspectiva. Desse ponto de vista, eles são completamente o oposto.

UOL - Como desenvolveu seu sotaque alemão para o filme?
Weaving -
Escutei muito Werner Herzog falando. Quanto mais eu ouvia Herzog, mais achava engraçado... há algo meio maravilhosamente louca por ele.

Antes que pudesse continuar, no entanto, um assistente interrompeu a conversa dizendo que Weaving tinha que voltar para o set. "E isso é tudo que eu tenho tempo para o momento, senhoras e senhores deputados", brincou o ator sob a máscara do Caveira Vermelha, curvando-se levemente para o pequeno público. "E eu sinto muito por parecer tão estranho."

 

* (O jornalista viajou para a Inglaterra a convite da Paramount)