Topo

"Vestido de Laerte" retoma episódio em que cartunista foi proibido de usar banheiro feminino

Cena inicial de "Vestido de Laerte", curta-metragem estrelado pelo cartunista Laerte - Divulgação
Cena inicial de "Vestido de Laerte", curta-metragem estrelado pelo cartunista Laerte Imagem: Divulgação

Ana Okada

Do UOL, em São Paulo

23/08/2012 07h00

O curta-metragem "Vestido de Laerte", que estreia neste sábado (25) no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, relembra o episódio em que o cartunista foi proibido de usar o banheiro feminino de um restaurante, no início do ano. Apesar da história não estar no primeiro roteiro do trabalho, a codiretora da produção, Claudia Priscilla, que já tem um histórico de trabalhos ligados às questões do travestismo e sexualidade, diz que o assunto precisava ser abordado pois causava "uma inquietação muito grande".

"No primeiro roteiro, o filme terminava numa festa, no mesmo estilo dos quadrinhos do Laerte, mas achamos que ia ficar muito aberto. Essa questão da proibição ao uso dos banheiros já era uma inquietação muito grande para nós, por isso a inserimos junto com a história do Laerte", explica a diretora. No filme, uma mistura entre ficção e histórias vividas pelo cartunista, Laerte vai a uma espécie de órgão do governo entregar uma série de documentos para ganhar o direito a frequentar o banheiro feminino.

A ideia para o filme veio do outro diretor, Pedro Marques, que conviveu com os dois filhos de Laerte na infância: "Das poucas lembranças de infância que tenho, ele está sempre junto. Leio 'Piratas do Tietê' desde quando tinha 6 anos". Das lembranças do passado e de acompanhar o processo em que o cartunista começou a se vestir de mulher no dia a dia, surgiu a ideia de fazer um documentário. O cartunista, no entanto, disse não se achar "tão interessante" para isso, mas disse que toparia fazer uma ficção.

Os diretores então fizeram uma série de entrevistas com Laerte e elaboraram um roteiro baseado livremente nas histórias e aberto a improvisações. A travesti Fedra de Córdoba, que já foi tema de outro curta de Claudia, "Phedra" (2008), participou do filme como uma espécie de protetora de Laerte. O diretor Kiko Goifman, marido de Claudia, também faz uma ponta no curta, como o funcionário do governo.

Travestismo tem que ser vivido
Laerte conta que relutou um pouco até aceitar a interpretar ele mesmo porque o processo do travestismo tinha que ser "vivido" e não exibido. No entanto, a proposta de misturar ficção e realidade o interessou e ele topou participar.

Para o cartunista, que não está acostumado a cumprir horários muito rígidos, a única dificuldade era acordar cedo para as filmagens. "Foi cansativo, mas muito legal, muito emocionante", diz. Ele diz que a questão da proibição do uso do banheiro já é "velha" e está resolvida para ele, e que ele não vê problemas em se tornar uma espécie de "porta-voz" dos travestis.

"Não tenho esse problema não, esse grupo já tem muitas vozes. Apesar da fragilidade, da dissolução e da desordem, eles têm tornado visíveis suas questões e reivindicações, e eu tenho mais é que surfar e me integrar a esse movimento, que já existe, e já tem uma quantidade respeitável de vitórias."

O cartunista, que não assistiu o filme ainda, irá vê-lo pela primeira vez no primeiro dia de exibição ao público: neste sábado (25), às 17h, na Cinemateca Brasileira. O curta também será exibido no domingo (26), no cine Olido, e na terça-feira (28), no CineSesc. A programação do festival pode ser consultada aqui.

Veja o trailer de "Vestido de Laerte" abaixo:

Vestido de Laerte - Trailer from Pedro Marques on Vimeo.


"Vestido de Laerte" no Festival de Curtas de SP
Quando: 25/6 na Cinemateca Brasileira; 26/8 no Cine Olido; 28/8 no Cine Sesc
Quanto: Grátis