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06/10/2012 - 08h57

Diretor de "Éden" arrisca com tema evangélico e provoca com interpretação de Leandra Leal e João Miguel

Fabíola Ortiz
Do UOL, no Rio de Janeiro
  • Leandra Leal e João Miguel atuam juntos no filme Éden

    Leandra Leal e João Miguel atuam juntos no filme "Éden"

Com Leandra Leal e João Miguel, “Éden” de Bruno Safadi arrisca na temática evangélica em drama psicológico e não busca “aceitação total” do público, admite o diretor.

“Éden” foi exibido na noite de sexta-feira (5), na sessão de gala da mostra competitiva da Première Brasil no Festival de Cinema do Rio.

O longa de 73 minutos conta com Leandra Leal no elenco, que vivea grávida Karine de oito meses e perde seu marido assassinado, interpretado por André Ramiro.

João Miguel encarna o pastor Naldo da Igreja Evangélica do Éden, na Baixada Fluminense, que busca salvar seus seguidores e atrair novos fieis.

“Não estou em busca de aceitação total. O tema pode ser polêmico no sentido de que trata de algo muito contemporâneo. Talvez seja o primeiro filme que trate esse tema como pano de frente e não como pano de fundo”, admitiu ao UOL, Bruno Safadi.

Este é o terceiro longa do realizador carioca. Ele já dirigiu “Meu nome é Dindi” (2007), lançado em 15 cidades no Brasil e licenciado para 40 países pelo Sundance Channel International, e “Belair” (2009), exibido em festivais de Roterdã, Lisboa e Munique.

Em conversa com o UOL antes da pré-estreia do filme de baixíssimo orçamento, um dos longas mais baratos da Première Brasil do festival, que não alcançou nem um R$ 1 milhão, Safadi admitiu estar preparado para as críticas quando o filme entrar em cartaz em maio de 2013.

“O dever da arte é provocar, estou preparado (para críticas). O objetivo do filme é aguçar e estar aberto a críticas. Não estou em busca de aceitação total. Estou em busca do crescimento através da arte, é o que me move enquanto realizador. Esse filme trata de um tema real e presente e é calcado na arte e no amor ao risco.”, discutiu.

Safadi reconhece o tema evangélico como diferenciado no cinema. “O filme não se posiciona evangelicamente, mas há um reconhecimento da Igreja, e a personagem é quem escolhe”.

O realizador arrisca a tratar este tema na sétima arte com o objetivo de lidar com um contexto “brasileiro e contemporâneo, além de tratar esse tema com respeito”. No Brasil, 40 milhões de pessoas são evangélicas e, nos últimos 10 anos, houve um crescimento de 14 milhões de fieis, explica Safadi que já investe no projeto há quatro anos.

“O filme é um drama psicológico e começa no luto da Karine sendo levada pelo irmão à Igreja do Éden que inventamos. No momento extremo, ela vai precisar se reerguer e vai para a Igreja em busca de salvação, mas vê que a salvação está no filho que vai nascer”, resume Safadi.

“Éden” foi rodado em apenas duas semanas em dezembro de 2011 em locações na beira da Rodovia Dutra, na altura de Nova Iguaçu. Passagens também foram gravadas na Saara, comércio popular no centro do Rio de Janeiro.

Para encarnar o pastor

Para dar vida ao pastor evangélico, o ator João Miguel teve que alterar a aparência e colocou um implante móvel de borracha no nariz para marcar os traços do rosto do personagem Naldo.

“Eu coloquei uma borracha para abrir mais o nariz. A gente imaginou o pastor uma figura com traços mais brutos e teatralidade, com um certo assustamento. Não fui ao campo pesquisar um pastor realista. Esse personagem foi criado com uma certa licença poética conversando com a realidade”, contou.

João Miguel já vem de longa data no cinema e participou de 22 longas em um período de dez anos. Só no Festival do Rio, já foi premiado em 2005 por “Cinema, Aspirinas e Urubus” de Marcelo Gomes; em 2007 com “Estômago” de Marcos Jorge; e 2011 com “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” de  Vinícius Coimbra.

Este é o quarto trabalho que João Miguel contracena com Leandra Leal e brinca ao dizer que a atriz é como se fosse sua “irmã”.

Ele conta que recebeu o convite de Safadi um ano antes de filmar e disse que “topou de cara”. Mesmo com pouco tempo para rodar, foi possível entrar no personagem, lembrou.

“Não tive dúvida (em relação ao papel) porque eu venho do cinema autoral e sei a importância, para mim, de estar mergulhado em projetos como esse. A gente teve tempo para conversar sobre quem era o pastor. A equipe em si tinha uma sintonia grande”, disse.

Leandra Leal que acaba de fazer a novela das 19h “Cheias de Charme” da Rede Globo e de gravar quatro longas, não compareceu a pré-estreia de “Éden”, no Cine Odeon. Segundo informações da equipe do filme, ela saiu de férias e não pôde ir à exibição do filme.

André Ramiro, que despontou na atuação de “Tropa de Elite” 1 e 2 de José Padilha, também integra o elenco numa participação especial com o marido de Karine que é assassinado.

“Este é mais um personagem que abracei com carinho. O trabalho de ator ensina que a gente deve respeitar as diferenças que são bem vindas e importantes. O Bruno tem uma pegada bastante artística de cinema e os temas que ele aborda são interessantes. Vamos ver o que acontece, eu me arrisco a dizer que vai emocionar muita gente”, anunciou Ramiro.

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