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19/08/2010 - 13h33

Em "Último Mestre do Ar", Shyamalan decepciona outra vez

  • Cena do filme ''O Último Mestre do Ar''

    Cena do filme ''O Último Mestre do Ar''

SÃO PAULO (Reuters) - Quando o diretor M. Night Shyamalan renovou os thrillers de suspense com "O Sexto Sentido" (1999), foi cotado instantaneamente como um dos maiores nomes de Hollywood. A história do menino que via pessoas mortas e seu psicólogo faturou mais de bilhões de dólares pelo mundo e consagrou um cineasta que até então havia assinado um par de filmes, sem qualquer destaque ou relevância.

Passado mais de dez anos desde seu grande sucesso, Shyamalan não conseguiu mais do que frustrar as expectativas da crítica e do público, com uma série de produções não tão bem-sucedidas. "Sinais", "Corpo Fechado", "A Vila" e "Fim dos Tempos", para lembrar apenas de algumas, colocaram em xeque a competência do diretor, deixando no ar uma pergunta: como pode?

Mesmo assim, com o resquício de popularidade que ainda conserva, Shyamalan chega às telas com a primeira parte de "O Último Mestre do Ar". Baseado em um desenho de sucesso do canal de TV Nickelodeon (no Brasil, sua audiência só perdia para "Bob Esponja"), trata-se de uma mescla de culturas orientais e ocidentais, em estilo anime, que conta a história de povos em busca de sua liberdade. O filme estreia em circuito nacional, em cópias convencionais e 3D, dubladas e legendadas.

Para quem não acompanhou a animação, o enredo pode parecer um tanto confuso. Em um mundo fictício, os povos são divididos em diferentes nações e seus poderes sobrenaturais: Fogo, Água, Ar e Terra. Cada um desses povos consegue manipular os elementos correspondentes ao nome que levam.

TRAILER DO FILME "O ÚLTIMO MESTRE DO AR"

O equilíbrio entre os reinos é mantido pela atuação de um Avatar (nome original da série, mudado para não confundir com o filme homônimo de James Cameron). Único a dominar todos os elementos, ele mantém uma ligação com o mundo espiritual que garante a ordem natural no planeta.

No entanto, por algum motivo misterioso, o Avatar desapareceu e começam as guerras. A Nação do Fogo passa a invadir as outras e quebrar a harmonia.

O Avatar, Aang (Noah Ringer) reaparece na forma de um menino, que ainda não completou seu treinamento, porque permaneceu adormecido por 100 anos. Ele precisará da ajuda de Katara (Nicola Peltz, de "Um Natal Brilhante") e de Sokka (Jackson Rathbone, o Jasper da franquia "Crepúsculo"), habitantes da Nação da Água, para desenvolver plenamente seus poderes.

Como a fiel adaptação feita por Shyamalan, autor do roteiro, ambiciona ser uma franquia, a história não acaba ao final da projeção, quando já se projeta uma continuação. O grande problema é que, diferentemente de produções como "O Senhor dos Anéis", o diretor não gravou de uma só vez a continuação e corre o risco de sequer poder apresentar um segundo filme, dado o fracasso desta produção, que amarga prejuízos.

De fato, o filme está longe de ser considerado um grande épico infantil. Com ritmo lento, cenas mal coreografadas, fracas atuações -- como a de Dev Patel, o protagonista de "Quem quer ser um Milionário" - e trama confusa, pouco se salva desta produção, além da mensagem clara de que a intolerância é intolerável não só para as vítimas.

Curiosamente, Shyamalan mais uma vez idealizou um filme graças às opiniões de seu filho, fã do desenho, tal como ocorreu com "A Dama na Água". E errou. Resta saber se o diretor conseguirá sair desse limbo em que ele mesmo se colocou e voltar a ter um grande sucesso.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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