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02/02/2012 - 11h15

Com Sam Worthington, suspense "À Beira do Abismo" não escapa de clichês

Alysson Oliveira
Do Cineweb, em São Paulo
  • Sam Worthington em cena de À Beira do Abismo, de Asger Leth

    Sam Worthington em cena de "À Beira do Abismo", de Asger Leth

Quantos clichês são necessários para destruir uma boa idea? Na verdade, não muitos - a julgar pelo resultado pífio do suspense "À Beira do Abismo", que conjuga um amontoado de chavões, seja nos personagens, nas situações ou nos diálogos risíveis.

A trama parte de uma situação extrema - um homem na beira da janela de um hotel em Manhattan ameaçando se jogar - para virar uma pirotecnia sem graça que, se questionada um pouquinho, não faz o menor sentido.

Os diálogos são repletos de frases de efeito e os personagens mais parecem figuras de papelão desfilando sua função na história: o policial injustiçado, cumprindo pena porque caiu numa armadilha, interpretado por Sam Worthington ("Avatar"); o especulador imobiliário megarrico e inescrupuloso (Ed Harris); a psicóloga que não conseguiu salvar seu último suicida e vive atormentada (Elizabeth Banks); a mexicana bonitona que vai ficar com pouca roupa a certa altura do filme e xingar em espanhol no final (Genesis Rodriguez); e por aí segue.

Enfim, em "À Beira do Abismo" há mais clichês do que o filme tem direito. E pouco ajuda a falta de tato do diretor Asger Leth para lidar com esse amontoado de ideias surradas.

A trama principal gira em torno de Nick (Worthington), policial que está cumprindo pena injustamente, foge durante o enterro do pai e vai parar no beiral de um hotel. Quando a polícia chega para salvá-lo, aos poucos ele revela seu plano para a psicóloga atormentada que vê nele a chance de se redimir e voltar a acreditar em si mesma e na sua competência.

Em paralelo, o irmão de Nick, Joey (Jamie Bell), e sua namorada mexicana (Genesis Rodriguez) colocam em prática uma ideia para provar a inocência do ex-policial. É um plano que nem MacGyver em seus dias mais inspirados iria pensar com tantos detalhes nem lançar mão de tantas ferramentas e equipamentos.

Enquanto no alto do hotel está Nick e, no prédio ao lado, seu irmão e a namorada, no chão está uma repórter de televisão inescrupulosa (Kyra Sedgwick), que quer mais é que o rapaz se esborrache no chão, assim, ela terá uma tremenda reportagem. A multidão agrupada ao redor do prédio também parece compartilhar desse sádico desejo.

O final, como é de se esperar, é visível a milhas de distância. E Leth e o roteirista Pablo F. Fenjves fazem questão de não decepcionar, de não mudar uma vírgula das escolhas que seriam mais óbvias para concluir a história. Ao final, fica a decepção de ver bons atores, como Harris e Worthington, dizendo diálogos que beiram o constrangimento.

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

TRAILER DE "À BEIRA DO ABISMO"

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