(Atualizada às 12h51)Foi revelado neste início de tarde o segundo filme-surpresa da competição no Festival de Veneza, o filipino "Lola", de Brillante Mendoza. O diretor irá a São Paulo no dia 17, para participar da Mostra Indie, em São Paulo, onde haverá uma retrospectiva de seu trabalho. Dia 19, ele participa de uma conversa com o público, no CineSesc.
O primeiro filme-surpresa fora "My Son, My Son, What Have Ye Done?", de Werner Herzog, único diretor na história do festival a ter dois filmes concorrendo ao Leão de Ouro no mesmo ano (o outro filme de Herzog é "Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans).
Habitual frequentador do Festival de Cannes, onde exibiu em competição "Serbis" (2008) e "Kinatay" (prêmio de melhor diretor em 2009), Mendoza realizou em "Lola" seu filme mais humanista, ao traçar um paralelo entre as histórias de duas avós, Lola Sepa (Anita Linda) e Lola Puring (Rustica Carpio). As duas atrizes são profissionais, sendo que Anita Linda tem 84 anos, Rustica Carpio, 79.
Uma mesma morte une os destinos das duas: o neto de Lola Puring, Mateo (Ketchup Eusebio), matou o neto de Sepa, para roubar-lhe o celular. Ao revelar passo a passo, com realismo documental, o cotidiano das duas, o cineasta mais uma vez expõe os bastidores da economia e da justiça de seu país.
Como em seus trabalhos anteriores, a impressão mais forte é de que os cidadãos pobres do país encontram-se entregues à própria sorte, enfrentando péssimas condições de moradia, trabalhos irregulares e nenhuma proteção por parte do Estado.
Um dos recursos mais eficientes do roteiro, assinado por Linda Casimiro, é a ênfase no quanto a resolução dos problemas do dia a dia, dos mais elementares aos mais dramáticos - até mesmo o processo do assassinato - passam por uma negociação individual, em que as pessoas devem encontrar alguma espécie de solução fora da esfera institucional.
Um outro aspecto do filme é a procura do realismo. Mendoza filmou seu segundo filme este ano (o primeiro foi "Kinatay") em junho, em plena estação de chuvas em Manila. Isto fortalece a impressão de sufoco dos personagens, sempre ensopados, ilhados e enfrentando alagamentos.
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(Neusa Barbosa escreve para o site Cineweb)