Conhecido por dramas como "Contra a Parede" (Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2004) e "Do Outro Lado"(prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes de 2007), o diretor alemão Fatih Akin realizou sua primeira comédia em "Soul Kitchen", cujo cenário é um restaurante descolado em Hamburgo. O filme compete pelo Leão de Ouro no 66º Festival de Veneza. No Brasil, o filme será distribuído pela Imovision.
Assinado por Akin e pelo ator Adam Bousdoukos, o roteiro de "Soul Kitchen" tem um pé na realidade. Parte da experiência real do próprio Bousdoukos, um alemão de origem grega que teve um restaurante no bairro de Ottensen, em Hamburgo, o "Taverna Grega".
Ele mesmo interpreta o protagonista, Zinos Kazantsakis, que enfrenta uma porção de problemas para administrar seu restaurante de bairro, o Soul Kitchen. Sozinho, ele o administra e cuida da cozinha. Vive atormentado por cobradores de impostos e fiscais de saúde. Para piorar, sua namorada Nadine (Pheline Roggan, de "Irina Palm") resolveu mudar-se para Xangai.
Não é tudo. Seu irmão, Ilias (Moritz Bleibtreu, de "Corra Lola, Corra") ganha o benefício da prisão-albergue e ressurge em sua vida, precisando de ajuda. E, ao arrastar uma pesada máquina no restaurante, Zinos desloca um disco em sua coluna e passa o tempo com dores e mancando - o que se torna uma verdadeira metáfora de sua situação precária.
Na coletiva do filme, nesta tarde de quinta (10), o ator Adam Bousdoukos contou que o diretor Akin usou sua própria experiência com uma hérnia para orientá-lo sobre sua postura corporal no filme. Em sua opinião, o problema tem tudo a ver com o personagem: "Ele carrega todo um peso, não só psicológico, como físico, decorrente de todo o estresse que ele está vivendo".
Akin, por sua vez, admitiu que "foi muito mais difícil" escrever uma comédia do que todos os dramas anteriores. "Tive muito mais dificuldade de criar diálogos cômicos do que os dramáticos. Também achei mais difícil respeitar as regras da narrativa tradicional, com começo, meio, fim".
O diretor contou não ter tido tanto medo de errar, ao mudar de gênero: "Não quero me repetir. Prefiro fracassar e continuar tentando".
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(Neusa Barbosa escreve para o site Cineweb)