Alicia García de Francisco.
Veneza (Itália), 11 set (EFE).- O estilista Tom Ford estreou como diretor com "A Single Man", protagonizado por Colin Firth, que teve hoje uma grande recepção no Festival de Cinema de Veneza, no qual compete pela seção oficial da mostra e, além disso, levou o Leão Gay 2009 de melhor filme de temática homossexual.
O prêmio concedido pela associação cultural Cinemarte, à margem do júri oficial do Festival de Veneza, foi para "A Single Man", segundo a entidade, por causa da "perfeição formal" da obra, que conta a história de um professor de Los Angeles que perde o namorado em um acidente de trânsito.
A escolha do ganhador foi também "porque nos lembra a urgência de leis que garantam a igualdade de direitos para que os homossexuais possam viver seus amores à luz do dia".
"A Single Man", baseado em um livro de Christopher Isherwood, conta a história de um professor (Colin Firth) na Califórnia de 1962 que perde seu companheiro (Matthew Goode) em um acidente. Seu luto e seu desejo de morrer são contados em um dia de sua vida.
O filme foi recebido com aplausos na exibição e com grande ovação no começo da entrevista coletiva de apresentação, onde grande parte das perguntas foi sobre a temática gay e as intenções do diretor de dar voz a este grupo.
No entanto, Tom Ford insistiu em que a história não é sobre ser ou não gay, mas "sobre um homem que perdeu o amor" e "sobre personagens humanos", independentemente de sua condição sexual.
"É um poema sobre um homem que acredita que está no último dia de sua vida", acrescentou o diretor sobre seu filme.
Por sua vez, Firth destacou o "privilégio" para ele de interpretar um papel que sabia que era "tão pessoal" para o diretor, o que fez com que também se transformasse em algo muito pessoal para ele.
A história se desenrola em um dia da vida de George (Firth), no momento em que paira sobre ele uma clara intenção de suicídio.
Com uma estética muito elaborada e um desenvolvimento com base em flashbacks, Ford mostra sensibilidade para tratar a dor, mas, ao mesmo tempo, mostra o excesso típico das óperas.
O abuso dos primeiros planos, dos movimentos de câmara e dos jogos com foco desacelera uma história já lenta por si só, na qual, sem dúvida, o melhor é a interpretação de Colin Firth.
Também houve brincadeiras durante a entrevista coletiva, sobretudo da parte de Firth, que disse que o maior desafio de seu trabalho neste filme foi "ser homossexual e ter de beijar Julianne Moore".
Moore, que interpreta a melhor amiga do protagonista - "uma mulher que não avança na vida e está bloqueada em casa", nas palavras da atriz - foi a principal inspiração de Firth ao compor seu personagem.
Apesar de sua defesa do "amor universal" da história, tanto o protagonista quanto o diretor expressaram seu ponto de vista da situação do grupo homossexual.
Firth ressaltou a "enorme ironia" de que, no momento em que estavam filmando na Califórnia, este estado aprovasse uma lei que proibia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, algo que levou os Estados Unidos a um retrocesso de 50 anos.
Ford disse que "é bastante vergonhoso que, nos Estados Unidos e em muitos outros países, não exista o casamento gay ou algum tipo de união civil", e ressaltou sua própria experiência, com um companheiro estável há 23 anos, a quem só pode visitar no hospital com uma permissão expressa assinada pelo mesmo.
Sobre sua passagem do mundo da moda para a direção de filmes, ressaltou que o cinema é a arte mais permanente que pode ser criada, "é algo que se mantém para sempre. É o projeto de design definitivo".
O ex-estilista da Yves Saint Laurent e da Gucci considerou que a moda é "completamente efêmera", com um aspecto comercial muito marcado, enquanto o cinema é "realmente uma pura expressão artística".
"A Single Man" representou o fechamento da seção oficial do 66ª edição do Festival de Veneza, com 25 filmes à espera da divulgação amanhã de quem levará o Leão de Ouro.