VENEZA, Itália, 11 Set 2009 (AFP) - Na véspera do encerramento do Festival de Veneza, o estilista Tom Ford apresentou nesta sexta-feira seu primeiro filme, "A Single Man", que concorre ao Leão de ouro.
Estilista influente e empresário de sucesso, o americano Tom Ford, ex-diretor artístico das marcas Gucci e Yves Saint Laurent, apostou numa adaptação de um romance do britânico Christopher Isherwood para se lançar na sétima arte.
"A Single Man" traça o perfil de George Falconer, um professor de universidade de idade avançada (Colin Firth) cujo companheiro morre em um acidente de carro.
Oito meses mais tarde, George ainda sofre e perdeu o gosto de viver, apesar do reconforto de sua velha amiga Charley (Julianne Moore), ela também uma solitária.
Testemunha desta tragédia, um belo aluno resolve se aproximar do professor.
"A Single Man" abusa um pouco nas cores. Reconstituído com cuidado, mas sem grande originalidade, o filme se passa em 1962 durante a crise dos mísseis em Cuba e evoca também a reprovação social ligada à homossexualidade invisível da época.
Já o comovente filme filipino "Lola", de Brillante Mendoza, conquistou o público e a imprensa, que também aplaudia a divertida comédia "Soul Kitchen", do turco-alemão Fatih Akin.
Introduzido como o filme surpresa da competição, "Lola" aparece entre os favoritos ao grande prêmio.
O cineasta filipino, premiado este ano no Festival de Cannes pela direção de "Kinatay", apresentou em Veneza um documento social contundente sobre seu país através da história de duas avós, duas 'lolas', como se diz em filipino.
Filmado como um documentário, com a câmera no ombro, o filme se passa nos bairros pobres de Manila, uma cidade violente e caótica.
"Conto o que vejo, o lado obscuro das Filipinas, o abismo entre ricos e pobres", explica o cineasta de 49 anos.
Completamente diferente, mas também passado em zonas pobres, desta vez na Europa, é a comédia "Soul Kitchen", que entusiasmou o público com as peripécias de um imigrante grego para manter seu restaurante na periferia de Hamburgo.
"Isabel Allende me deu permissão para usar suas receitas", revela Fatih Akin, de 36 anos, que usa a comida como metáfora da vida em seu filme.
Este ano em Veneza "poucas produções foram unanimidade, tanto junto aos críticos e ao público", apesar de longas como "Lebanon", "Lola", "Life during wartime" ou "Lourdes" aparecerem como os favoritos da crítica, conforme afirma o jornal Il Gazzetino de Venise.
Muito aplaudido, o filme israelense "Lebanon" de Samuel Maoz era o favorito entre os dez sondados pela revista especializada Variety, à frente de "Life During Wartime", do americano Todd Solondz, e "Lourdes", da austríaca Jessica Hausner.
Com relação aos prêmios de interpretação, os nomes de Isabelle Huppert, Sylvie Testud e Margherita Buy circulavam com bastante frequência, e com relação aos homens, os favoritos são Viggo Mortensen ou Michael Shannon.
Ainda existe o problema de "Baaria", do siciliano Giuseppe Tornatore, afirma o Il Gazzetino, "um filme caro (35 milhões de euros) e cuja ampla difusão se beneficiou de um reconhecimento local".
Apesar de uma obra pouco sedutora, insiste o jornal, o júri pode sofrer pressões externas, "algo que nunca faltou em Veneza".