UOL Cinema Veneza 2009
 
11/09/2009 - 15h18

Coletiva de "A Single Man" torna-se palco de defesa dos direitos dos gays

NEUSA BARBOSA
Especial para o UOL, de Veneza, Itália*
A coletiva de imprensa do último concorrente da competição no Festival de Veneza, o drama "A Single Man", estreia cinematográfica do estilista norte-americano Tom Ford, tornou-se o cenário de uma apaixonada defesa pelo fim da discriminação aos gays. O filme, aliás, ganhou hoje o Queer Lion Award, prêmio designado por um júri especial dentro do festival, "pela perfeição formal deste retrato de um homem e da dignidade de seu amor, que lembra da absoluta necessidade de leis garantindo a igualdade de direitos, de maneira que todo amor possa ser vivido abertamente à luz do dia".

Baseado em romance de Christopher Isherwood, o filme retrata a dor de um professor universitário (Colin Firth) diante da morte de seu companheiro por 16 anos (Matthew Goode, de "Match Point"), na atmosfera política carregada pela Guerra Fria, em 1962.

Um jornalista italiano levantou a discussão sobre uma cena, em que o protagonista recebe por telefone a notícia da morte do parceiro e também o aviso de que não poderá participar do seu enterro, por proibição da família dele. O mesmo repórter perguntou ao ator Colin Firth como ele via a discriminação aos gays na Itália, relatando um estado atual de discriminação.

Exprimindo-se em italiano fluente (o ator, inglês, é casado com uma italiana), Firth ponderou que não conhecia bem a situação na Itália neste aspecto. Mas lembrou que filmou a cena citada no mesmo dia em que, na Califórnia, se aprovava a Proposição 8 - que reverteu o direito de casamento entre pessoas do mesmo sexo que existia naquele estado norte-americano. "Na mesma América que elegeu pela primeira vez um presidente afro-americano, se voltou atrás 50 anos, na mesma Califórnia associada normalmente ao sol, paz e amor", comentou.

Destacando que não considera "A Single Man" um filme "militante" e sim uma "história de amor que poderia acontecer também entre um homem e uma mulher", o ator destacou que "se os direitos iguais dos gays são uma batalha, ela ainda não terminou".

Homossexual assumido, o diretor Tom Ford acrescentou que era algo "repulsivo que muitos países ainda não tenham a união civil entre gays". Lembrou que manteve uma relação estável com outro homem por 23 anos e que, quando este adoeceu, tinha que andar munido de uma série de autorizações para poder visitá-lo no hospital.

Falando do filme, concordou com o ator Firth que "não era esse o seu foco".


*Neusa Barbosa escreve para o site Cineweb

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