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Harry Styles: A transformação do ídolo teen em ótimo ator de filme adulto

Reprodução
Harry Styles em cena do filme "Dunkirk", de Christopher Nolan Imagem: Reprodução

Eduardo Graça

Colaboração para o UOL, em Los Angeles

26/07/2017 04h00

O sorrisão aberto é o mesmo, as tiradas engraçadas idem, mas é um Harry Styles ligeiramente diferente que aparece no hangar do aeroporto de Santa Monica, em Los Angeles, para conversar com o UOL. O popstar avisa que o papo, desta vez, não vai girar em torno de música. Nem do One Direction, a boy band que formou em 2010 com os amigos Niall Horan, Liam Payne, Louis Tomlinson e Zayn Malik, e que deixou o grupo em 2015.

Nem de sua primeira turnê solo, que começa em março na Suíça e chegará ao Brasil em maio, com dois shows, no Rio e em São Paulo. "Vamos nos concentrar em 'Dunkirk', tudo bem? Honestamente, não consigo pensar em outra coisa", ele diz. "Nunca fui tão diferente de mim mesmo em um projeto. Adorei a sensação de me transformar em outra pessoa, longe do Harry que você e os fãs conhecem dos palcos e dos lançamentos de discos", acrescenta o agora também ator de 23 anos. O bate-papo aconteceu antes dos efusivos elogios recebidos por Harry da crítica nos dois lados do Atlântico Norte, surpresa com sua porção ator.

Em "Dunkirk", líder na bilheteria americana esta semana e a partir desta quinta-feira nos cinemas brasileiros, ele vive o fuzileiro naval britânico Alex. Em um filme quase sem diálogos, uma reconstituição fiel de um dos episódios mais dramáticos da Segunda Guerra Mundial, a retirada de pouco mais de 300 mil soldados aliados encurralados pelos alemães no litoral francês, Styles pouco fala e, obviamente, não dança nem canta.

Mas é protagonista de várias cenas perigosas de ação que vão de um quase afogamento à tentativa de escapar do ataque de tanques Panzer e aviões de guerra da Luftwaffe. Na internet, fãs do ídolo teen perguntam, entre curiosos e receosos: "Mas o Harry morre no filme, pelas mãos dos nazistas?". Bem, não vamos dar spoiler, mas os melhores trechos da conversa com o rapaz seguem abaixo.

UOL - Atuar e cantar, Alex e Harry. Há mais semelhanças ou diferenças aqui?

Harry Styles - Diferenças. Água e vinho. Gostei muito de fazer algo artístico sem estar no palco, ou em um estúdio, ou pensando em música com o grupo. O fato de ser uma experiência completamente diferente ajudou. Fiquei pensando muito em quem seria este tal Alex, como ele se movimentaria, falaria, embora fale pouco.

Bem diferente do Harry de carne e osso.

Tentei fazer o mais diferente possível de mim. Como não tinha muitos diálogos, tive de criar o Alex na minha cabeça bem claramente. Fui ler e descobrir mais sobre o período, não só sobre a batalha em si mas sobre as pessoas na época, como viviam, como pensavam, suas expectativas. "Dunkirk" não é um filme típico de guerra, que você vai lá, dá uns tiros, tem um drama com a família, um grande amor. O elenco é 99% masculino. Eu ficava imaginando estar no meio da guerra, aquele porto estar repleto de corpos na praia e nas ruas. Ser outra pessoa, de verdade, sair de mim.

Como você conseguiu o papel?

Soube que Chris [Nolan] iria dirigir o filme. Decidi tentar, fazer os testes, para algo que era, para mim, um sonho. Foram cinco testes ultrassecretos e com cenas que nem estavam no roteiro final. Quando consegui o papel, não parava de pensar nos riscos e no peso de se fazer um personagem tão importante em um filme deste tamanho.

Você teve alguma experiência anterior no cinema?

Nada. Zero. Só a de ser fã ardoroso de cinema, vejo tudo o que posso. Eu coloquei nas mãos do Chris. Ele queria alguém na pele do Alex que não fosse uma estrela de Hollywood, alguém que você, desde o início do filme, não pensasse: "Ah, não vão matar o Brad Pitt, o Leonardo Di Caprio, né?" (risos). E o Chris é um cara presente. Nas cenas debaixo d'água, ele estava lá com a gente. Nas da areia da praia coberta de neve, gélida, também.

Foi como calçar sandálias da humildade, então, porque lá estava você, uma estrela pop, fazendo teste de elenco nesta altura do campeonato.

Ótima imagem (risos). Sim, foi um processo que me fez acessar a importância de ser humilde, de aprender, de ser o novato uma vez mais. Não foi exatamente fácil, mas eu gostei muito e, no fim, fiquei orgulhoso com o resultado, Acho que fiz minha parte direitinho.

Foi mais complicado justamente por seus colegas saberem que você é um popstar...

...E pensarem: "Ele vai ser um nojo" (risos)? Falando sério, tentei não compensar muito na linha do "olhem aqui o Harry gente boa" e simplesmente agir naturalmente no set. Deixei meu ego lá fora, muito longe das filmagens. Não tive um coach, Chris achou ok, e tentei encontrar a mesma segurança que tenho no palco, aos poucos, durante as filmagens.

O que foi mais difícil para você?

A parte física. As filmagens, para o tipo de história que o Chris queria contar, me exigiram bem mais do que um show. O filme é curto para os padrões de Hollywood, mas cada cena é muito intensa. Literalmente não tem blábláblá (risos).

Você já comentou que prender a respiração embaixo d'água não é exatamente sua praia.

Minha praia é a música, né? (risos). E ficar debaixo d'água nunca é exatamente confortável para mim. Quando você vê o Alex penar com a respiração é o Harry sofrendo em cena também, mas foi um pouco menos desesperador do que parece. E, no fim, quando vi o resultado, fiquei feliz demais.

AP
Harry Styles nos tempos de One Direction Imagem: AP

"Dunkirk" não é exatamente um filme teen, mas a bilheteria certamente vai engordar com seus fãs, em sua maioria mais jovens. Qual a sua expectativa em torno da reação deles, não apenas sobre sua atuação, mas sobre a história que se vê na tela?

Espero que, mesmo quem não seja louco por História ou narrativas de guerra, absorva a emoção dos personagens, a verdade que a gente colocou ali. E que aprenda algo interessante, que pense nos paralelos com os dias de hoje.

"Dunkirk" trata de um momento na história do Reino Unido em que civis de todas as classes sociais e posicionamentos políticos se uniram para ajudar as forças armadas do país em um momento crítico e de forma concreta. Você tem falado bastante do espírito de "Dunkirk" neste momento em que seu país tem sofrido com ataques terroristas terríveis, inclusive no show de sua amiga Ariana Grande, em Manchester. Você vê um paralelo aí?

Vejo sim, sem tentar forçar a barra. A ligação aqui é a força que a gente precisa ter, todos nós. Como precisamos, mais do que nunca, nos unir. "Dunkirk" me inspirou na importância de falarmos, de valorizarmos, o espírito de comunidade, de que somos, no fim, os mesmos, um só, seres humanos, e precisamos olhar uns pelos outros.

Você aprendeu algo específico com Christopher Nolan? Acha que vai levar algo desta experiência para sua turnê mundial?

O lance do Chris, para mim, foi a paixão com que ele encarou "Dunkirk". Fiquei com os olhos bem abertos e fui infectado, espero, por este comprometimento dele. E sobre aprender, não sei... pelo menos te garanto que vou querer nadar em todas as paradas da turnê, especialmente no Brasil. Você sabe que tenho uma tatuagem escrita Brasil no meu corpo, e Brasil com "S", é claro, né? Adoro o seu país, as pessoas, a comida, a energia.

E seus fãs brasileiros vão ver mais filmes com Harry Styles no elenco?

Espero que sim! Querer, eu quero. Quero poder me remover de mim mais vezes. E queria fazer algo agora completamente diferente, mas ainda não tenho ainda nenhum projeto fechado no cinema, vamos ver se alguém me convida depois de ver do que fui capaz (risos). Mas, de verdade, já me sinto privilegiado de ter podido trabalhar com Chris e com um elenco com gigantes como Kenneth Branagh, Cillian Murphy e Tom Hardy. O que vier, agora, é lucro (risos).

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