Filmes e séries

Revolta com Woody Allen cresce à medida que filha reafirma abuso

Kevin Winter/Getty Images
O diretor de cinema Woody Allen com o produtor Harvey Weinstein na pré-estreia de "Vicky Cristina Barcelona", em 2008 Imagem: Kevin Winter/Getty Images

Nova York (EUA)*

17/01/2018 18h57

Woody Allen tornou-se alvo da onda de denúncias de assédio sexual que tomou conta dos Estados Unidos nesta quarta-feira (17), quando sua filha reafirmou as acusações de abuso que teria sofrido do diretor quando era uma criança, pedindo ao mundo que finalmente acredite nela.

As alegações de Dylan Farrow de que o diretor a tocou de forma inapropriada quando tinha sete anos apareceu pela primeira vez há 25 anos, na sequência da separação de sua mãe de Allen, que em 1992 começou um relacionamento com umas das filhas adotivas do casal, Soon-Yi Previn, que tinha 21 anos na época.

Mas o lendário diretor, de 82 anos, quatro vezes ganhador do Oscar e muito premiado na Europa, sempre negou as alegações. As denúncias nunca foram comprovadas e ele continuou a desfrutar de uma brilhante carreira.

No entanto, a onda de denúncias de assédio sexual foi um combustível para uma crescente revolta contra Allen.

No rastro do movimento "Time's Up" (Acabou o tempo), lançado pelas mulheres em Hollywood contra o assédio sexual e o machismo, a filha adotiva de Allen disse que era hora de o mundo finalmente escutá-la.

Reprodução
Elle Fanning e Timothée Chalamet em "A Rainy Day in New York" Imagem: Reprodução

"Por que não devo querer derrubá-lo? Por que não devo ficar com raiva? Por que não devo estar magoada?", disse ao "CBS This Morning", em sua primeira entrevista televisionada, cujos trechos foram transmitidos nesta quarta. A entrevista completa irá ao ar na quinta-feira.

"Por que eu não deveria sentir algum tipo de indignação depois de todos esses anos, sendo ignorada, desacreditada e jogada de lado?", acrescentou Farrow.

Questionada sobre o motivo pelo qual as pessoas deveriam acreditar nela, respondeu: "suponho que isso seja com eles, mas tudo o que posso falar é da minha verdade e esperança, esperança de que alguém acredite em mim ao invés de apenas ouvir".

Reprodução
Filha de Woody Allen e Mia Farrow, Dylan Farrow Imagem: Reprodução

O agente do diretor não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários da AFP.

Em outubro, a reportagem sobre os supostos casos de estupro, abuso e assédio publicada pelo irmão de Farrow, Ronan, filho biológico de Allen e Mia Farrow, ajudou a acabar com a carreira de Weinstein.

A primeira vez que Dylan Farrow detalhou o suposto abuso com suas próprias palavras foi em uma carta aberta publicada em um blog do "New York Times" em 2014.

Após esta publicação, Allen negou a acusação e criticou Mia Farrow, dizendo que ela estaria "mais interessada em sua própria raiva do que no bem-estar de sua filha".

Um juiz de Nova York que presidiu a audiência de custódia em 1994 entre Allen e Farrow decidiu que as alegações de abuso eram inconclusivas, mas, ao mesmo tempo, criticou o diretor como "autocentrado, indigno e insensível".

Allen continua casado com Soon-Yi, com quem tem dois filhos.

Atrizes e atores doam cachês

A atriz britânica Rebeca Hall foi a primeira a se posicionar publicamente contra ele, com quem acaba de rodar "A Rainy Day in New York" (ainda sem título em português). Apesar de só ter filmado por um dia e de seu cachê não ser alto, ela decidiu doar o que recebeu para o fundo da "Time's Up", movimento contra o assédio sexual criado por atrizes e produtoras de Hollywood.

"Após ler e reler as declarações de Dylan Farrow de alguns dias atrás e voltar para ler as mais antigas, eu vejo não só o quão complicada é essa questão, mas também que minhas ações fizeram outra mulher se sentir silenciada e repudiada. Me arrependo dessa decisão e não faria o mesmo hoje", disse a atriz.

Ontem, o protagonista do filme, Timothée Chalamet, anunciou que doaria o salário recebido para ajudar a "acabar com a injustiça, a desigualdade e, principalmente, com o silêncio". Selena Gómez, que também está no longa, fez o mesmo. Segundo a imprensa americana, ela teria feito uma doação anônima maior do que o que recebeu pela participação para a instituição.

Há uma semana, a atriz e diretora Greta Gerwig afirmou que se arrependia de ter trabalhado com Woody Allen em "Para Roma com Amor" (2012).

Poucas vozes se manifestaram a favor do premiado cineasta. Um dos que resolveram defende-lo é Alec Baldwin, que trabalhou três vezes com o diretor e que disse que "negar" Woody Allen é "injusto e triste".

Palavras que em pouco tempo foram abafadas pelas duras declarações de Dylan à "CBS". "Por que eu não deveria derrubá-lo? Por que não deveria estar irritada? Por que não deveria estar ferida? Por que não deveria sentir uma espécie de indignação por ter sido ignorada, afastada e por não ter me encontrado por todos esses anos?".

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

AFP
AFP
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Da Redação
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
do UOL
UOL Cinema - Imagens
Colunas - Flavio Ricco
do UOL
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
AFP
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
do UOL
AFP
do UOL
do UOL
AFP
do UOL
do UOL
Reuters
UOL Cinema - Imagens
Cinema
EFE
Topo