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Como o assassino de Versace nunca foi preso -- e virou tema de nova série

Divulgação
Na nova temporada de "American Crime Story", Darren Criss vive o assassino Andrew Cunanan e Edgar Ramirez, o estilista Gianni Versace, Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

18/01/2018 09h26

Na manhã do dia 15 de julho de 1997, o estilista Gianni Versace saiu de sua luxuosíssima mansão em Miami Beach para comprar café e revistas de moda. Mas ele nunca chegaria a entrar novamente na residência: ao voltar, foi surpreendido no portão por Andrew Cunanan, que o matou com dois tiros no rosto. O italiano se tornou a última das cinco vítimas de um assassino em série que, apesar de ter entrado na lista dos mais procurados do FBI, nunca foi preso; ele só foi encontrado pela polícia oito dias após matar Versace, quando já havia cometido suicídio.

É Cunanan, mais do que sua vítima, a estrela da série “American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace”, que estreia nesta quinta-feira (18), às 23h, no canal pago FX. A antologia, premiadíssima em sua primeira temporada, que recriou o julgamento de O.J. Simpson, agora deixa de lado os tribunais para acompanhar a errática caçada ao responsável por um dos crimes mais notórios dos anos 1990.

A série não faz mistério: o assassinato de Versace ocorre logo em sua primeira sequência, acompanhado de uma forte trilha instrumental. Daí em diante, a história acompanha a investigação do caso, enquanto reconta, de traz para frente, a jornada criminosa de Cunanan – em uma interpretação intensa e perturbadora de Darren Criss (“Glee”), que, assim como o personagem, também tem ascendência filipina.

Caçada pelos EUA

Cunanan, à época com 27 anos, havia sido garoto de programa e traficante de drogas e, segundo o site do FBI, buscava relacionamentos com homens mais velhos que o enchiam de presentes. Era um jovem inteligente, narcisista, extrovertido e com delírios de grandeza, que exibia amostras desse comportamento desde cedo. Em um almanaque de colégio, foi eleito pelos colegas como “o mais provável de ser lembrado” e escolheu uma frase atribuída ao rei francês Luís XV para se definir: “après moi, le dèluge” (depois de mim, o dilúvio).

Reprodução/FBI
Imagem real de Andre Cunanan, o assassino de Gianni Versace Imagem: Reprodução/FBI

“Cunanan estava tão cheio de raiva e tão determinado em ficar famoso que estava disposto a matar por isso. Quem sabe? Hoje, ele poderia ter dado vazão a essa raiva trolando Versace nas redes sociais”, escreveu em artigo recente Maureen Orth, jornalista da “Vanity Fair” que investigou a trajetória do assassino nos anos 1990 e publicou o livro que serviu de base para a série, “Vulgar Favors – The Assassination of Gianni Versace”.

Sua primeira vítima foi Jeff Trail, que era um de seus melhores amigos quando ambos moravam em San Diego, na Califórnia. Ex-oficial naval, ele foi um dos primeiros a falar publicamente sobre a presença de gays no exército norte-americano. Em abril de 1997, ele foi encontrado morto em um apartamento em Minneapolis, Minessota, que pertencia à próxima vítima, David Madson. O arquiteto, que teria vivido um affair com Cunanan, foi encontrado morto, a tiros, seis dias depois. 

O terceiro alvo foi o milionário Lee Miglin, 72, magnata do mercado imobiliário na cidade de Chicago. Ele foi encontrado no dia 4 de maio, na garagem de sua casa, com o rosto coberto por fita adesiva e ferimentos causados por uma chave de fenda e uma serra. Cunanan roubou o carro do homem e dirigiu até New Jersey, onde então matou William Reese, funcionário de um cemitério. Abandonando o outro carro, ele pegou a caminhonete vermelha de sua vítima e foi até Miami, onde conseguiu se esconder até matar Versace, em julho.

Segundo Maureen Orth, já era sabido que Cunanan era fã do estilista. “Mas até o assassinato e a minha reportagem subsequente, eu não tinha consciência de quão profunda era sua antipatia e sua raiva pelo fato de Versace ser um ícone gay famoso, e ele não”, escreveu. À época, a jornalista foi a primeira a revelar que o italiano e o jovem haviam se conhecido no passado, uma informação contestada pela família Versace.

A investigação do caso foi complicada – um efeito, de acordo com Orth, do julgamento de O.J. Simpson, em que várias evidências foram descartadas no julgamento. “Promotores locais e investigadores em diferentes estados temiam que poderiam estragar o caso com evidências circunstanciais e acabar com um veredito de ‘inocente’, o que os levou a ser excessivamente cautelosos e perder muito tempo que poderia ser usado para perseguir Cunanan”.

O FBI entrou na investigação no dia 7 de maio, após o crime cometido em Chicago. Pouco mais de um mês depois, Cunanan fez sua estreia na lista dos mais procurados e foi disponibilizada uma linha telefônica para quem tivesse pistas de seu paradeiro. O órgão ainda entrou em contato com comunidades LGBT por todo o país, que chegaram a oferecer recompensas por pistas, abaladas pela brutalidade dos crimes.

As medidas, porém, não deram resultado, no que foi um dos grandes fracassos recentes da polícia americana. Após matar Versace, Cunanan foi persguido por um amigo do estilista, mas conseguiu escapar – e manteve-se fora do radar por dias. Ele foi encontrado em uma casa-barco, a poucos quilômetros da mansão do italiano, após a polícia receber uma denúncia de um homem que ouviu um barulho de tiro vindo do local. Depois de um cerco de quatro horas, os oficiais invadiram o local e encontraram o rapaz, já sem vida.

A série

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Penélope Cruz é Donatella Versace em "American Crime Story" Imagem: Divulgação

Escrita novamente por Ryan Murphy, a nova temporada de “American Crime Story” é significativamente diferente da primeira em sua estrutura. A ação, agora, está mais na investigação do que nos meandros da Justiça – o que, ao lado da opção de contar a história de Cunanan de traz para frente, pode causar estranhamento para os fãs em um primeiro momento.

E assim como “The People vs O.J. Simpson” tratou da questão racial nos anos 1990, “O Assassinato de Gianni Versace” tenta fazer o mesmo pela homossexualidade, retratando o que significava ser LGBT em uma época em que o assunto ainda era tratado como tabu e seus representantes ainda não faziam parte da cultura pop mainstream.

O grande destaque dos dois primeiros episódios, vistos pelo UOL, são as atuações. Além do retrato poderoso de Darren Criss como Andrew Cunanan, o venezuelano Edgar Ramirez entrega uma performance sólida como Gianni Versace, e Ricky Martin surpreende com uma interpretação equilibrada de Antonio D’Amico, que era namorado de Versace há 15 anos. Mas a maior estrela é Penélope Cruz, que vive Donatella Versace. Com um sotaque carregado, a espanhola encarna muito bem o papel da estilista.

A produção também é de grande escala, e nota-se o cuidado com os cenários – a Casa Casuarina, mansão de Versace hoje convertida em hotel de luxo, é de encher os olhos.

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