Filmes e séries

Estrela na Comic-Con, Santoro diz que já ouviu para ser "menos latino"

Getty Images
Rodrigo Santoro no painel Brave New Warriors na San Diego Comic-Con Imagem: Getty Images

James Cimino*

Colaboração para o UOL, em San Diego (EUA)

23/07/2017 08h31

Embora Anitta e Pabllo Vittar estejam gravando com Diplo e Gretchen esteja aparecendo em clipe da Katy Perry, nos Estados Unidos as verdadeiras estrelas pop brasileiras são as modelos (Gisele Bundchen, Adriana Lima, Alessandra Ambrosio) e os atores.

Os principais hoje são Wagner Moura, que depois de interpretar Pablo Escobar em "Narcos" da Netflix, foi indicado a um Globo de Ouro; Alice Braga, rosto onipresente nos outdoors e na frota de ônibus de Los Angeles com os anúncios de sua série "Queen of South"; e Rodrigo Santoro, que neste fim de semana figurava entre os astros do maior evento de cultura pop do mundo, a San Diego Comic-Con.

Divulgação
Rodrigo Santoro em cena de "Simplesmente Amor" (2003) Imagem: Divulgação
Esta é sua segunda participação na exposição, que é uma vitrine de filmes, séries e brinquedos de crianças e de adultos. Veio em 2006 quando interpretou o rei Xerxes em "300", papel pelo qual ainda hoje é lembrado pelos fãs americanos, além do Karl de "Simplesmente Amor".

"É o meu filme do qual as pessoas mais se lembram. Especialmente porque passa aqui todo Natal", disse ele ao UOL durante uma conversa de meia hora em um hotel de San Diego. A entrevista aconteceu depois de o ator telefonar para a reportagem e conversar por outra meia hora sobre a volatilidade das notícias na internet, sua presença na Comic-Con, sua dificuldade em lidar com as redes sociais, o horror que tem em expor sua vida pessoal e seu atual trabalho.

Santoro tem papel fixo em uma das séries mais elogiadas da última temporada da HBO, "Westworld", produzida por Jonathan Nolan e Lisa Joy. Seu personagem, Hector, é um dos robôs de um parque em estilo velho oeste onde as pessoas vão para viver suas fantasias e satisfazer seus desejos. Mais ou menos como uma Comic-Con pra valer, onde é muito fácil de se perder o controle e onde a discussão sobre a objetificação do ser humano ganha tinturas de ultra violência no momento em que os robôs passam a tomar consciência.

Divulgação/HBO
Santoro é o robô Hector na série "Westworld", da HBO Imagem: Divulgação/HBO
 

O prestígio do show é tão grande que, com o atraso na estreia de "Game of Thrones", seus talentos dominaram as indicações ao Emmy deste ano: foram 22, incluindo melhor série de drama. Por este trabalho, o brasileiro também concorreu ao prêmio do sindicato dos atores (SAG na sigla em inglês) na categoria melhor elenco.

E neste ano, por uma ação afirmativa que vem acontecendo na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, foi nomeado membro e, portanto, eleitor do Oscar. "Eu fiquei sabendo quando estava exatamente na academia, malhando. Um amigo ligou e eu demorei a entender, até que cheguei em casa e vi vários e-mails."

Ele, que vive entre o Rio de Janeiro e Los Angeles, nesta semana começou as gravações da segunda temporada da série, portanto a agenda teve de se apertar para encaixar os eventos de divulgação durante a Comic-Con. Além do painel no Hall H, onde não lhe fizeram nenhuma pergunta sobre seu personagem, o que revoltou os fãs brasileiros, Santoro participou de um outro chamado "Brave New Warriors", mas que na verdade era um painel só com os galãs de várias séries.

David Harbour, o xerife de "Stranger Things", estava lá com o brasileiro participando de uma brincadeira que consistia em levantar a mão caso a resposta para uma dessas perguntas fosse afirmativa: "já teve uma tatuagem de que se arrependeu"; "e um piercing"; "já paquerou colega de elenco"; "e qual foi a pior bronca que você já levou no set"?

Nesta hora, Santoro levantou a mão e contou que um diretor, cujo nome ele obviamente não revelou, pediu, durante a gravação de uma cena de pegação, que ele fosse "menos latino". "Respondi que não sabia ser menos latino. Acho que ele queria dizer 'mais delicado', mas no fim acertamos o tom."

O relato não apenas revela que a questão do estereótipo na indústria do cinema americano não se resume apenas a negros, mulheres e LGBTs. Vai muito além. Em um tempo que a palavra representatividade é tão discutida, em que a Academia abre suas portas para diversas culturas, gêneros e orientações sexuais, o ator brasileiro ainda está limitado ao traficante latino (Wagner e Alice) e ao amante latino (Rodrigo).

Dizem que a beleza é um passaporte. Eu acho que é um visto. Tem tempo. Expira. Nunca nem me incomodou nem acho pejorativo

Rodrigo Santoro

Suas cenas na série da HBO são muito ligada a sexo. A mais marcante do último episódio é quando Hector, totalmente nu, na sala de manutenção, está na iminência de ser violentado sexualmente por um dos funcionários da empresa que cuida do parque Westworld.

Quando a personagem Maeve (Thandie Newton), a dona de um bordel, começa a tomar decisões autônomas e a controlar outros robôs, o homem que ela escolhe para transar por prazer é Hector.

E em outra cena, ele é requisitado pela nova gerente do parque, interpretada pela atriz Tessa Thompson, para prestar, digamos, serviço de acompanhante. No tapete vermelho de “Thor: Ragnarok", um dia depois, a preocupação da atriz era saber se era verdade que ele era conhecido no Brasil como "o corpo". Ela, cuja primeira cena na série foi com ele e nua, disse que ele é o "sex toy" da série por culpa do Brasil. "Vocês são muito sexy! Vocês têm que parar com isso", disse brincando.

Mas Rodrigo Santoro não vê maldade neste tipo de comentário nem se importa com a pecha de galã, segundo ele. "Dizem que a beleza é um passaporte. Eu acho que é um visto. Tem tempo. Expira. Nunca nem me incomodou nem acho pejorativo. Não ligo de ser o personagem sexy, nem vou negar minha aparência. Se o personagem tem profundidade, isso é o que me importa. E Hollywood tem seus estereótipos: tem o latino, tem o engraçadão. As mulheres são quem sofre mais com isso. E se eu fosse só aparência, jamais teria feito tantos papéis diferentes e interessantes na minha carreira."

E quando se trata de "Westworld", onde a nudez é um elemento constante, o brasileiro se importa menos ainda. "Não é gratuito e ali é uma representação de um estado natural. Aquelas criaturas estão cruas e expostas, porque são tratadas como coisas, mas em plena força. Não foi nem de longe a coisa mais difícil para mim [ficar nu]. Para mim é mais difícil fazer uma cena com um dia de antecendência, sem tempo para me preparar."

Ainda na Comic-Con, o ator participou de um terceiro evento: ele e o elenco da série da HBO seguiram direto da apresentação no Hall H para o estande da Warner Bros., onde participaram de uma concorrida sessão de autógrafos.

Renata Nogueira/UOL
Rodrigo Santoro dá autógrafos em painel da San Diego Comic-Con 2017 Imagem: Renata Nogueira/UOL
 

A presença dos atores gerou tumulto. E um dos mais assediados foi justamente Rodrigo Santoro. Embora estivesse acompanhado dos colegas Evan Rachel Wood, James Marsden, Ed Harris, Thandie Newton, Angela Sarafyan, Jeffrey Wright, Jimmi Simpson, Ben Barnes, Ingrid Bolsø Berdal, Shannon Woodward, Luke Hemsworth, Simon Quaterman, além de Jonathan Nolan e Lisa Joy, o nome mais ouvido entre os gritos dos fãs era mesmo "Rodrigo", em todos os sotaques possíveis. Um grupo de mulheres brasileiras que gritavam "Brasil", uma mexicana de Tihuana fã do galã e um grupo de orientais se acotovelavam para fazer fotos do ator.

"Acho isso tudo aqui superdivertido. Tem muito a ver com o Carnaval, né? As pessoas se vestem, são comprometidas com aquilo. Eu faria cosplay sim, embora para mim isso possa parecer trabalho. Eu sempre gostei muito do Aquaman, mas sei lá, roupa de látex laranjada e verde? Talvez Indiana Jones? Agora teve uma coisa muito engraçada que eu descobri nesses eventos foi que as pessoas vêm e pedem que você assine umas fotos superproduzidas. Um dia estranhei, porque esse cara me pediu para assinar umas dez fotos. Eu não entendi. Até que me contaram que era para vender no e-bay."

*Colaborou Renata Nogueira

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