Filmes e séries

Modelo e atriz, Cara Delevingne relata preconceito: "Sempre haverá"

REUTERS
Careca, Cara Delevingne apostou comparece à festa do MTV Movie and TV Awards Imagem: REUTERS

De Los Angeles (EUA)

21/07/2017 21h20

Cara Delevingne é uma das modelos mais requisitadas do mundo, mas seu primeiro e verdadeiro amor sempre foi a interpretação. No entanto, a transição das passarelas para telonas não foi nada simples e demandou muito trabalho.

Delevingne, de 24 anos, ganhou milhões de dólares desfilando nas passarelas de Londres, Paris e Milão para marcas como Burberry e Chanel, e tem incontáveis capas nas revistas Vogue e Grazia.

Sua ascensão no cinema começou em "Anna Karenina" (2012), junto de Keira Knightley, e teve seu ápice com o drama adolescente "Cidades de Papel" e com o blockbuster "Esquadrão Suicida".

Seu filme mais recente, "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas", do cineasta Luc Besson, estreia nesta sexta (21) nos Estados Unidos e em 10 de agosto no Brasil.

Em entrevista à agência France Press, a atriz que a transição da passarela para as telonas não foi tão simples quanto parece.

O mesmo acontece com ex-atletas e outras celebridades que por seu rosto conhecido conseguem os testes, mas ao mesmo tempo têm de trabalhar dobrado para serem levados a sério.

Há dois anos, em um programa matinal nos Estados Unidos para o qual foi convidada para promover "Cidades de Papel", teve que responder perguntas duvidosas, como se tinha lido o romance de John Green que inspirou o filme.

Cara não só leu naquela época, mas também escreveu seu próprio romance, que deve ser publicado em breve.

"Sempre existirão pessoas assim", diz. "Acredito que é apenas outra oportunidade para me manter firme e mostrar que me esforço em meu trabalho, que trabalho muito duro e estou disposta a mostrar que essas pessoas [que a subestimam] estão equivocadas."

Voz forte nas redes sociais, com 40 milhões de seguidores no Instagram, Cara Delevingne foi elogiada por servir de apoio a muitos adolescentes que lutam com suas emoções, falando abertamente de sua bissexualidade e sua luta contra a depressão quando tinha apenas 15 anos.

"Eu me sinto abençoada pro ser uma influência forte para crianças e adolescentes", afirma. "Isso sempre foi uma meta, desde que era mais jovem, servir de modelo, para que possam ver como consegui atingir cada um dos meus sonhos com trabalho duro e determinação."

Divulgação
Cara Delevingne em cena de "Esquadrão Suicida" Imagem: Divulgação

Talento

Quando fez a seleção para Laureline, o diretor Luc Besson pensou imediatamente em Delevingne como a atriz que poderia mentar o espírito de empoderamento da personagem valente que combate o crime junto a Valerian.

"Ela se transformou em modelo por acidente, porque um agente a viu e disse 'pode fazer boas fotos'. Mas ela não estava pronta para isso. Ela teve sucesso porque é simpática, mas é uma atriz nata, me surpreendeu sua capacidade de acreditar que esse é o começo de uma longa carreira", contou Besson em entrevista à AFP.

A crítica define a personagem Laureline como um paradoxo: uma mulher intrépida, independente, que apesar disso define sua felicidade por meio de seu sucesso buscando o amor.

"Isso é o que amo sobre a vida em geral, as dicotomias", diz Delevingne.

"Claro que entendo que quero ser uma mulher que pode cuidar de si mesma e ser completamente independente, mas também entendo que, ao final do dia, todo mundo quer ir para casa e ter alguém que o ame e se preocupe, e vice-versa, e chegar algum dia a ter uma família".

Laureline, acrescenta a atriz, prova que o romance não é esse jogo sem nenhum ganho para as mulheres, que têm que enfrentar a vida familiar e a carreira.

"Me identifico com ela nesse sentido e, claro, sou forte e independente e todas essas coisas, mas no final do dia sou uma romântica incurável", declara. "Muita gente nega, mas não somos todos?"

Manuela Scarpa/Photo Rio News
A atriz, modelo e agora escritora Cara Delevingne Imagem: Manuela Scarpa/Photo Rio News

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