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Adultério? Tio nazista? O que é verdade na segunda temporada de "The Crown"

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

20/12/2017 04h00

"The Crown" voltou no início do mês com mais uma temporada dedicada à vida da rainha britânica Elizabeth 2ª. E se na primeira parte o foco da série da Netflix estava principalmente nos dilemas de quem acabou de assumir o trono, esta segunda se aprofunda nos dramas da família real.

Separamos abaixo cinco histórias da série e contamos o que tem de verdade e ficção nelas. Confira:

  • Robert Viglasky/Netflix

    As (supostas) infidelidades de Philip

    Desde a primeira temporada, "The Crown" insinua fortemente que o príncipe Philip era mulherengo e não totalmente fiel à rainha Elizabeth 2ª, com quem se casou em 1947 -- mas nenhum caso extraconjugal foi comprovado.

    O que se sabe, com certeza, é que o Palácio de Buckingham se viu obrigado a negar rumores de uma crise no casamento da rainha com Philip logo após chegar ao público a notícia do divórcio de Mike Parker, secretário pessoal do Duque de Edimburgo (mais sobre isso abaixo), enquanto ambos estavam em uma turnê real que durou meses. E, logo em seguida, Elizabeth realmente se reencontrou com o marido a bordo do iate real em Portugal. O que eles discutiram nesse encontro, porém, dificilmente vamos saber.

    Os boatos de que Philip era infiel vinham desde antes de a rainha assumir o trono. Um dos primeiros veio em 1948, quando o consorte foi ao camarim da dançarina Patricia Kirkwood enquanto a mulher estava grávida de oito meses do príncipe Charles -- o que Kirkwood negou por vários anos. Outras mulheres foram apontadas como amantes do príncipe, mas todas negaram.

    Na série, uma das apontadas como alvo do interesse do príncipe é a bailarina russa Galina Ulanova, que apresentou em Londres o balé "Giselle". A rainha encontra uma foto dela nas coisas de Philip, e fica visivelmente chateada. No entanto, não se sabe se os dois realmente tiveram algo concreto -- e a mídia britânica trata essa possibilidade como improvável, já que ambos tinham agendas muito apertadas.

    Curioso é que biógrafa da rainha, Sarah Bradford, mudou de ideia quanto às supostas infidelidades de Philip. Em 2004, ela afirmou "sem dúvidas" que o príncipe havia sido infiel, mas sete anos depois anunciou que não acreditava mais nisso.

    E o que o próprio Philip tem a dizer sobre isso? Em 1992, durante uma entrevista, ele foi direto: "Meu Deus, por acaso você já parou para pensar que, por anos, eu nunca saí sem um policial me acompanhando? Como eu conseguiria me safar de uma coisa dessas?"

  • Coco Van Oppens / Netflix

    O divórcio escandaloso do melhor amigo de Philip

    Desde seus tempos na Marinha, Philip era amigo de Mike Parker, que mais tarde viria a se tornar seu secretário pessoal. Parker, que era casado com Eileen Parker e tinha dois filhos pequenos, foi pego de surpresa com o pedido de divórcio em fevereiro de 1957, enquanto estava na turnê real ao lado do Duque de Edimburgo. Assim como na série, sua mulher o acusou de adultério -- mas não há indícios de que tenha existido uma carta indiscreta como a do Clube das Quintas-Feiras, do qual Parker e Philip eram realmente membros.

    O que foi diferente foi a forma como Parker deixou os serviços da família real. De acordo com a revista britânica "Radio Times", relatos da imprensa da época asseguram que o comandante não foi demitido, como mostrado na série, mas renunciou ao cargo -- e o casal real demorou a aceitar sua demissão. Parker eventualmente se mudou para a Austrália, seu país natal, e manteve contato com Philip até sua morte, em 2001.

  • Robert Viglasky / Netflix

    As ligações nazistas do Rei Edward 8º

    Não por acaso, o sexto episódio da nova temporada se chama "Vergangenheit", a palavra alemã para "passado". Ele explora um tema incômodo para a família real: as ligações do rei Edward 8º, que abdicou do trono em 1936, com Adolf Hitler e o alto-comando nazista.

    Edward, conhecido como o Duque de Windsor, fez uma visita à Alemanha ao lado da mulher, a divorciada americana Wallis Simpson, em 1937. E, mais tarde, uma série de telegramas alemães, obtidos por forças dos Estados Unidos, levantaram novas suspeitas contra o duque, insinuando que ele estava a par de um plano dos nazistas para recolocá-lo no trono do Reino Unido e que sua mulher "havia apreciado bastante" a ideia.

    Assim como foi mostrado na série, o governo britânico e a família real agiram para abafar o caso, mas o conteúdo dos documentos veio a público anos depois, em 1957. Na ocasião, o duque classificou as alegações como "mentiras".

    Para o biógrafo real Andrew Morton, o duque não era um nazista em si, mas tinha simpatia para com o regime. "Mesmo depois da guerra ele achava que Hitler era uma cara legal e que havia feito um bom trabalho na Alemanha. E ele também era antissemita, antes, durante e depois da guerra", afirmou à BBC, em 2016.

  • Reprodução/Entertainment Weekly

    Jackie Kennedy falou mal da rainha?

    Um encontro icônico aconteceu em 1961: o presidente americano John F. Kennedy e sua mulher, Jackie, extremamente populares na época, conheceram a família real no Palácio de Buckhingham durante uma visita oficial à Europa. Na série, Elizabeth 2ª faz um tour por sua residência com Jackie e compartilha com ela um raro momento de intimidade, só para se decepcionar semanas depois, ao ouvir que a primeira-dama teria feito vários comentários desabonadores a seu respeito.

    Os comentários foram imaginados pelo criador da série, Peter Morgan, mas podem não estar tão distantes assim da realidade. Cecil Beaton, fotógrafo e figurinista, escreveu em seus diários que Jackie criticou os móveis do palácio, além da roupa e do cabelo da rainha. E o escritor Gore Vidal afirmou que a primeira-dama achou a rainha "difícil" e se sentiu "ressentida" por ela.

    Outra licença poética de Morgan foi a segunda cena das duas, quando Jackie pede desculpas à rainha pelos comentários "tolos" e diz que estava sob o efeito de medicamentos. Mas essa segunda parte também tem uma base real: os Kennedys eram pacientes do médico Max Jacobson, famoso por injetar anfetaminas em seus clientes famosos.

  • Alex Bailey / Netflix

    Charles sofrendo na escola

    No penúltimo episódio da temporada, um príncipe Charles ainda adolescente come o pão que o diabo amassou na escola escocesa Gordostoun, para onde foi mandado para fazer o ensino médio. E há muita correspondência com a realidade aqui.

    A instituição é a mesma em que o príncipe Philip estudou -- e de fato foi ele que decidiu que o filho deveria ir para lá, e não para a tradicional Eton. No primeiro dia, inclusive, ele levou o filho para a escola de avião.

    Lá, a vida de Charles não foi fácil. O príncipe, com o temperamento mais sensível, sofreu bullying dos colegas e, mais tarde, descreveu seu tempo na escola como "uma sentença de prisão".