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26/10/2010 - 07h04

''Não existem barreiras geográficas ou culturais para o meu trabalho'', diz Bent Hamer, homenageado pela Mostra

ALYSSON OLIVEIRA
Do Cineweb
  • O cineasta norueguês Bent Hamer no Festival de San Sebastián, onde foi promover o filme Uma Casa para o Natal  (21/09/2010)

    O cineasta norueguês Bent Hamer no Festival de San Sebastián, onde foi promover o filme "Uma Casa para o Natal" (21/09/2010)

Não é porque o diretor norueguês Bent Hamer tem sentimentos dúbios em relação ao Natal que ele fez um filme sobre a data, “Uma Casa Para o Natal”. Nem para superar nenhum trauma de infância ou algo parecido. “Eu gosto de ver personagens vivendo no limite, forçados a fazer escolhas. E o Natal me pareceu uma boa época para se ambientar esse tipo de história”, disse o diretor ao UOL Cinema, que está em São Paulo, onde participa da 34ª Mostra como um dos homenageados.

Com seus sete filmes exibidos pela Mostra, é possível acompanhar o trabalho de Hamer desde 1995, ano de seu longa de estréia, “Ovos”, até o mais recente, “Uma Casa Para o Natal”. Neste último, o cineasta parece dar sinais de uma mudança, com uma história mais emotiva e menos cínica e irônica do que os anteriores, embora ele não concorde com isso. “As pessoas veem muitos dos meus traços autorais aqui. Eu não tinha a intenção de fazer um filme de Natal, mas acabou calhando. E, sejamos honestos, o Natal acontece todos os anos, queiramos ou não”, ironiza.

O filme acompanha as mudanças na vida de um grupo de personagens na noite da Natal, com roteiro baseado numa série de contos de Levi Henriksen. Mudanças, aliás, não faltam na vida dos personagens dos filmes de Hamer. Hank Chinaski (Matt Dillon), de “Factotum”, por exemplo, é um escritor que nunca publicou nada e vive de pequenos bicos. Não dura nada em seus empregos, sua grande alegria é beber. O protagonista de “Caro Sr. Horten”, por sua vez, é um condutor de trem que repensa a sua vida depois de sua aposentadoria.

ASSISTA AO TRAILER DE "FACTOTUM"


Baseado no livro homônimo de Charle Bukowski e em trechos de outras obras do escritor norte-americano, “Factotum” aconteceu na vida de Hamer quase por acaso. “Eu havia conhecido [o produtor] Jim Stark, que fez vários filmes com Jim Jarmusch, e ficamos amigos. Tempos depois ele me liga dizendo qual autor eu gostaria de adaptar. Pouco depois de escolher Bukowski, ele me liga de novo e diz que conseguiu os direitos do livro. Levei um temendo susto, nem sabia mesmo que se queria fazer essa adaptação”. Nesse processo, Hamer acabou se tornando amigo da viúva do escritor, Linda Bukowski.

Ao longo dos oito anos que o filme levou para se materializar, Hamer fez “Histórias de Cozinha” – um dos seus melhores trabalhos, que lhe rendeu o prêmio de direção na Mostra de 2003 e que também começou por acaso. “Nos anos de 1950, na Noruega, tínhamos uns tipos de manuais para tudo: ‘como costurar’, ‘como criar seus filhos’, ‘como se portar na cozinha para otimizar seu tempo’. Nesse último, eu encontrei uns diagramas muito interessantes sobre como a dona-de-casa devia andar na cozinha para ganhar tempo. Daí que veio a ideia para o filme”.

ASSISTA AO TRAILER DO FILME
"HISTÓRIAS DE COZINHA"


Apesar de ter filmado “Factotum” nos Estados Unidos, Hamer confessa que Hollywood nunca foi um sonho. Está muito contente fazendo filmes em seu pais, muitos deles coprodução com a Alemanha. “Eu vou aonde me interessa. Se eu encontrar uma boa história no Brasil, venho filmar aqui. Não existem barreiras geográficas ou culturais para o meu trabalho”.

Na Noruega, Hamer explica que, para fazer cinema, é preciso contar com a ajuda de fundos criados pelo governo. “Levando em conta a população do país, de 5 milhões de pessoas, até temos um bom público para os 25 filmes que fazemos por ano. Mas poderia ser melhor, se nos paises vizinhos, como Suécia e Dinamarca, não houvesse preconceito contra o cinema norueguês”, explica o diretor. “Nosso mercado é até saudável se comparado com o restante do mundo, mas temos que enfrentar uma competição com os grandes filmes americanos”.

Hamer, que abandonou logo no início a faculdade de direito, matriculando-se em teoria cinematográfica e literatura, na Universidade de Estocolmo, confessa que no Brasil se sente em casa. “Acho que a minha personalidade tem muito a ver com a brasileira. Queria mesmo era poder ficar mais e aproveitar mais o país. Adoraria navegar pela costa ou conhecer Brasília. A construção de Niemeyer me parece genial”. Apesar desse amor pela brasilidade, o norueguês confessa que não vê a hora de voltar para casa, sua esposa e seus dois filhos, de 10 e 15 anos. Está há meses viajando com seu filme – que deve chegar em circuito brasileiro ainda este ano. “Vou apenas a mais um festival depois volto para a Noruega. Quem quer uma casa para o Natal agora sou eu!”



"CARO SR. HORTEN"
RESERVA CULTURAL 1- 26/10/2010 - 13:00 - Sessão: 451 (Terça)
CINE LIVRARIA CULTURA 2 - 27/10/2010 - 16:00 - Sessão: 541 (Quarta)

"FACTOTUM"
RESERVA CULTURAL 1 - 26/10/2010 - 18:50 - Sessão: 454 (Terça)

"HISTÓRIAS DE COZINHA"
RESERVA CULTURAL 1 - 26/10/2010 - 14:50 - Sessão: 452 (Terça)
CINEMARK CIDADE JARDIM sala 5 - 27/10/2010 - 21:00 - Sessão: 573 (Quarta)
MULTIPLEX MARABÁ  2 - 30/10/2010 - 20:20 - Sessão: 917 (Sábado)

"OVOS"
MULTIPLEX MARABÁ  2 - 27/10/2010 - 20:40 - Sessão: 589 (Quarta)
CINE OLIDO  - 28/10/2010 - 14:00 - Sessão: 666 (Quinta)
MATILHA CULTURAL -  30/10/2010 - 14:00 - Sessão: 918 (Sábado)

"UMA CASA PARA O NATAL"
RESERVA CULTURAL 1 - 26/10/2010 - 20:50 - Sessão: 455 (Terça)
UNIBANCO ARTEPLEX 5 - 28/10/2010 - 14:30 - Sessão: 621 (Quinta)

"WATER EASY REACH"
RESERVA CULTURAL 1 - 26/10/2010 - 16:50 - Sessão: 453 (Terça)
UNIBANCO ARTEPLEX 2 -  04/11/2010 - 22:10 - Sessão: 1318 (Quinta)

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