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Com "Alien: Covenant", Ridley Scott cria uma nova experiência horripilante

10.jan.2016 - Diretor Ridley Scott segura o Globo de Ouro conquistado como melhor filme - comédia ou musical por "Perdido em Marte"  - Jordan Strauss/Invision/AP - Jordan Strauss/Invision/AP
Ridley Scott recebe Globo de Ouro por "Perdido em Marte" em 2016
Imagem: Jordan Strauss/Invision/AP

De Paris (França)

09/05/2017 12h21

Com "Alien: Covenant", sequência do filme "Prometheus", Ridley Scott traz de volta às telas uma das mais famosas criaturas do cinema, em uma experiência horripilante e eficaz, embora não seja capaz de renovar o gênero.

A saga "Alien" é agora composta por seis filmes. As primeiras quatro partes, "Alien, o Oitavo Passageiro" (Ridley Scott, 1979), "Aliens, o Resgate" (James Cameron, 1986), "Alien 3" (David Fincher, 1992), "Alien: a Ressurreição" (Jean-Pierre Jeunet, 1997) se desenrolam em ordem cronológica, com Sigourney Weaver no papel de Ripley, a heroína que resiste aos monstros.

"Prometheus" (2012), que trouxe Scott de novo no comando da franquia, lançou uma nova série de filmes dedicados à raça Xenomorfo, criatura extraterrestre assustadora criada pelo designer suíço HR Giger. O objetivo: contar, antes dos eventos já conhecidos, a origem do Alien.

O filme, no entanto, decepcionou parde dos fãs pela falta de emoções fortes, com o Alien quase ausente na tela. "Alien: Covenant", que recupera praticamente todos os códigos do gênero, como uma síntese da tetralogia original, promete deleitar os aficionados.

A ação é muito presente e bem conduzida, e o medo toma conta do filme que estreia quinta (11) nos cinemas brasileiros.

Muitas sequências ecoam momentos do passado. Uma deles, em particular, relembra a icônica passagem em que o primeiro Alien sai do corpo humano, onde foi fecundado, "explodindo" a barriga do ator John Hurt. A cena, igualmente terrível e fascinante, traz desta vez uma variante que funciona.

Cena do filme "Alien: Covenant" - Reprodução - Reprodução
Katherine Waterston em cena de "Alien: Covenant"
Imagem: Reprodução

'As pessoas são perversas'

"É preciso ter uma mente distorcida como a minha, para querer assustar as pessoas assim", brinca o diretor britânico de 79 anos, que apresentou recentemente seu filme em Paris.

"No primeiro Alien, tinha uma responsabilidade, porque a reação das pessoas após a cena com John Hurt foi muito além do que eu imaginava. Não foi bom. Mas o filme foi um sucesso, porque as pessoas são perversas", afirma.

Quanto à história em si, "Alien: Covenant" conta como uma nave, com cerca de 2.000 pessoas a bordo em estado de biostasis (espécie de hibernação), futuros colonos de um novo planeta, é desviada para outro planeta onde se encontram criaturas horrendas. Na boca do monstro, quantos vão escapar? Poucos.

No papel da heroína que resiste à criatura, Katherine Waterston ("Steve Jobs", "Animais Fantásticos") não faz feio. Mas interpretar após Sigourney Weaver é tarefa difícil. Em compensação, o personagem de Michael Fassbender (Walter), sobrevivente de "Prometheus", ganha em profundidade no papel de dois antagonistas androides.

Para seu terceiro filme da saga, Ridley Scott reconhece que "a maior armadilha a evitar era ser repetitivo".

"Depois, durante as filmagens, não era possível colocar o Alien em todos os planos, não devemos banalizar suas aparições. Devemos também assegurar uma evolução morfológica de um filme para o outro. Estes desenvolvimentos ajudam a manter uma forte impressão quando o vemos."

"No espaço, ninguém pode ouvir você gritar", dizia o slogan do primeiro filme. Nas salas de cinema, no entanto, a realidade é outra.