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Atrizes Cara Delevingne e Léa Seydoux acusam Weinstein de assédio sexual

Getty Images/Montagem
Cara Delevingne e Léa Seydoux, que revelaram episódios de assédio Imagem: Getty Images/Montagem

De Washington (EUA)

11/10/2017 20h30

As atrizes Cara Delevingne e Léa Seydoux relataram, nesta quarta (11), terem sido alvo de assédio sexual do produtor de Hollywood Harvey Weinstein, após uma série de testemunhos de mulheres acusando um dos homens mais poderosos da indústria cinematográfica.

Em um comunicado divulgado por sua assessora de imprensa, Delevingne disse que Weinstein tentou beijá-la após uma reunião para discutir um filme.

A atriz, de 25 anos, disse que quando ficou sozinha com Weinstein, o produtor começou a "se gabar" de como "criou as carreiras" de atrizes com as quais afirmava ter tido relações sexuais, e depois a convidou para seu quarto.

Embora inicialmente tenha recusado o convite, ela acabou indo. "Nesse momento me senti muito vulnerável", contou.

Delevingne disse que havia outra mulher no quarto e que Weinstein, um dos homens mais poderosos de Hollywood, pediu para elas se beijarem. A atriz tentou reduzir a tensão perguntando se podia cantar e fazer uma audição para ele.

"Depois de cantar, eu disse outra vez que tinha que ir. Ele me acompanhou até a porta e tentou me beijar nos lábios. Eu o impedi e consegui sair do quarto", acrescentou.

Embora tenha conseguido o papel no filme, Delevingne disse que se sentiu "horrível" porque "sempre" pensou que tinha sido por causa desse encontro.

A atriz francesa Léa Seydoux contou uma história similar em um artigo no jornal britânico "The Guardian".

Al Powers/Invision/AP
O produtor Harvey Weinstein Imagem: Al Powers/Invision/AP

"Estávamos conversando no sofá quando de repente veio para cima de mim e tentou me beijar. Tive que me defender. Ele é grande e gordo, então eu tive que ser forte para resistir. Saí do quarto dele totalmente enojada", disse a atriz, de 32 anos, que ganhou a Palma de Ouro em 2013 por "Azul É a Cor Mais Quente".

Seydoux contou que viu, em jantares, Weinstein se gabar das mulheres com que tinha tido relações sexuais em Hollywood e fazer inúmeros comentários misóginos.

"Isso é o mais nojento, todo mundo sabia o que Weinstein fazia e ninguém fez nada. É incrível como alguém pode se comportar assim por décadas e ainda manter sua carreira", denunciou.

Weinstein foi despedido no domingo de sua própria companhia, três dias depois de um artigo no jornal "The New York Times" afirmar que o ganhador do Oscar assediou sexualmente jovens mulheres que aspiravam a uma carreira no cinema.

Entre suas vítimas estavam Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie.

Seydoux e Delevingne relataram que o caso de Weinstein, embora possa ser o mais extremo, não é único na indústria cinematográfica.

"Em todas as indústrias, e especialmente em Hollywood, os homens abusam do seu poder e usam a intimidação para sair impunes", disse Delevingne, indicando que todos os que defendem os abusadores são "parte do problema".

"Nesta indústria há diretores que abusam da sua posição, têm muita influência. Com Harvey foi físico, com outros só palavras", apontou Léa Seydoux.

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