Cinema

Jovens cineastas mostram um Marrocos sem tabus em festival de cinema

Laura Casielles

Marrakech (Marrocos) - Os olhares mais jovens do cinema marroquino encontraram na décima edição do Festival de Cinema de Marrakech um lugar onde mostrar seus trabalhos, que contam seu país sem tabus e com intenção crítica.

Pela primeira vez em seus dez anos de existência, o evento convocou, em paralelo à competição oficial, um concurso de curtas-metragens destinado exclusivamente a alunos dos institutos e escolas de cinema de todo o país.

Perante um júri presidido pelo diretor alemão Volker Schlöndorff e composto por cineastas, como a iraniana Marjane Satrapi, a palestina Hiam Abbass e o francês Xavier Beauvais, nesta semana foram exibidos os 14 filmes selecionados, todos assinados por diretores com menos de 30 anos.

O filme "Apneé" (Apnéia) foi o escolhido por unanimidade pelo júri, e sua diretora, Mahassine El Hachadi, recebeu, emocionada, o prêmio das mãos da atriz americana de origem cubana Eva Mendes, que comemorou o fato de uma mulher ter vencido.

Com essa decisão, os 300 mil dirhams (26.878 euros) para a realização de um novo curta-metragem que o festival dá como prêmio recompensa o filme que apresenta o asfixiante dia a dia de uma mulher que desempenha a função de cuidar do próximo.

Muitos dos curtas apresentados eram projetos de estudantes que estão quase se formando, outros participantes ainda estão no meio dos estudos, mas todos tiveram a oportunidade de usar o crachá de "cineasta" em um festival que recebe nomes como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e John Malkovich.

Em um país em que a liberdade de expressão nem sempre é respeitada, estes jovens diretores quebraram tabus ao abordarem temas tão pouco debatidos pelos marroquinos como a violência machista, a pluralidade de culturas dentro do Marrocos, o conflito do Saara Ocidental e o questionamento da tríade "Deus, pátria e rei".

Em seus filmes, nas quais abunda a crítica social, são recorrentes preocupações como "religião, família e patriarcado", assinalou Schlöndorff.

É o caso de "Anaruz", um curta que reúne estes três temas através do retrato da família de uma aldeia rural cuja filha mais nova vai descobrindo que o papel que a sociedade reserva para ela é muito diferente do de seu irmão.

"Queria fazer esse filme principalmente porque é um tema que me toca muito, e apresentá-lo no maior número de festivais que puder para que as pessoas saibam o que ocorre nesses pequenos povoados, porque a maioria não sabe", explicou à Agência Efe a diretora, Samia Bulkaid.

Histórias universais de amor, viagens e vingança tomam nestes filmes uma cor local, através de belas localizações e da reprodução de tradições e rituais.

Também não faltam o humor, a experimentação estética, nem a indagação tecnológica, para tramas que vão desde a última noite de alguns emigrantes, até a surrealista história de um homem que passou toda a vida assistindo televisão.

"A confiança no futuro é a principal linha editorial deste festival", indicou o diretor artístico, Bruno Barde, para quem um dos objetivos do evento é "acolher os talentos do amanhã".

Enquanto esse amanhã não chega, estes 14 jovens marroquinos mostram através de suas câmaras uma panorâmica do presente de um país que herdaram, mas que já não é visto sob os mesmos véus que seus antepassados.

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