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Na estreia de "Django Livre", Tarantino diz estar cansado de defender violência de seus filmes

Divulgação/Sony Pictures
Jamie Foxx e Kerry Washington em cena de "Django Livre", novo longa de Quentin Tarantino Imagem: Divulgação/Sony Pictures

Teresa de Miguel

De Nova York

24/12/2012 18h18

A sangrenta história de vingança de um escravo negro transformado em um caçador de recompensas no Estados Unidos prévio à guerra Civil conduz o primeiro western de Quentin Tarantino, "Django Livre", que chega nesta terça (25) às salas de cinema americanas, rodeado por algumas polêmicas.


"Sempre quis fazer um filme que abordasse o horroroso passado de escravidão dos EUA, mas não queria fazer um filme histórico, queria envolver a História em um gênero", disse à imprensa o diretor, produtor, roteirista e ator durante a apresentação do filme em Nova York.

A estreia americana acontece pouco depois de Adam Lanza cometer em uma escola primária de Newtown (Connecticut) um dos piores massacres jamais perpetrados neste país e, por isso, não demoraram a aparecer as perguntas sobre a possível influência da violência do cinema neste tipo de incidente.

"As tragédias acontecem", respondeu Tarantino, que se declarou "cansado" de defender seus filmes cada vez que ocorrem fatos como este, e que o levou a cancelar a pré-estreia e o tapete vermelho do filme em Los Angeles, onde acabou exibido apenas para os atores e seus familiares.


Ao mais puro estilo Tarantino, "Django Livre" se vale de elevadas doses de sangue e violência para narrar um dos capítulos mais obscuros da história dos EUA, um país que, na opinião do cineasta, "realmente não quer olhar" para esse passado.

"Muitos westerns ocorreram durante a escravidão e fizeram o impossível para evitar o tema, como se costuma fazer sempre nos EUA", comentou Tarantino, acrescentando que seu filme "não pode ser mais espantoso, surrealista ou vergonhoso" do que foi a realidade.

Fã dos "westerns spaghetti", como foram batizadas as produções italianas desse gênero tipicamente americano populares nos anos 1960, Tarantino decidiu fazer seu primeiro filme "no universo" de um dos mais reconhecidos diretores dessa escola, Segio Corbucci.

"Gostei de evocar o nome de Django, pelo que significa para os 'westerns spaghetti' e sua mitologia", contou o diretor, fazendo alusão ao filme rodado em 1966 pelo cineasta italiano, que deu origem a uma longa série de sequências com esse nome, como a do próprio Tarantino.

Django é assim o nome do protagonista do último filme do diretor de "Pulp Fiction" (1994) e da saga "Kill Bill" (2003), um escravo que procura vingar-se dos donos brancos por cujas mãos foi passando ao longo dos anos após ser libertado pelo caçador de recompensas, Dr. King Schultz.


Encarnado com mestria pelo ganhador de um Oscar por "Ray", Jamie Foxx, o protagonista de "Django Livre" canaliza seu rancor associando-se a Schultz (interpretado pelo também oscarizado Christoph Waltz) em um trabalho que lhe permite "matar brancos e que te paguem por isso. Não há nada igual".

Com a ajuda de seu novo sócio, Django tenta salvar sua mulher, Broomhilda (Kerry Washington), da plantação do impiedoso Calvin Candie, encarnado por Leonardo DiCaprio.

Para resgatar Broomhilda, Django tem que invadir a plantação de Candie, onde ocorrem as cenas mais violentas de um filme no qual também aparecem estrelas como Samuel L. Jackson, que interpreta o fiel servente Stephen.

A escravidão é "uma parte de nossa História que costuma ser lavada ou perfumada de uma forma que este filme simplesmente não faz", declarou Jackson, "encantado" de voltar a trabalhar com Tarantino depois de "Pulp Fiction" e "Jackie Brown" (1997).

O filme, que será lançado no dia 18 de janeiro no Brasil, pode ser o último de Tarantino, que disse que "após todos estes anos, e com as novas tecnologias digitais", acha que não vale a pena seguir assim.

"Além disso, não quero entrar em uma ladeira de decadência como diretor", concluiu.

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