Filmes e séries

"Universidade Monstros" resgata passado das criaturas da Pixar

Antonio Martín Guirado

21/06/2013 06h36

Mike e Sulley, os dois protagonistas de "Monstros S.A." (2001), um dos grandes sucessos da Pixar, voltam nesta sexta-feira (21) às telas dos cinemas no Brasil, mas dessa vez em "Universidade Monstros", que conta a história dos personagens na época em que estavam na faculdade e constitui um desafio para o diretor Dan Scanlon, que estreia na saga.

"As 'sequências' que contam uma história anterior a do filme original são mais difíceis de fazer do que continuações comuns", admitiu à Agência Efe o cineasta, de 36 anos, que é responsável pela primeira vez em que a Pixar produz esse tipo de 'sequência'.

"É preciso ter um argumento adequado para uma história cujo final já se conhece. O grande desafio foi lidar com os detalhes na hora de contar a origem da amizade de Mike e Sulley. O público sabe que o protagonista acabará conseguindo realizar seus objetivos, mas agora descobrirá o quanto significava para ele e o quanto desejava que se tornassem realidade", acrescentou.

"Monstros S.A." ganhou o Oscar de melhor canção original - e foi indicado a outras três categorias -, além de ter arrecadado US$ 5,26 bilhões em bilheteria.

Billy Crystal e John Goodman emprestaram novamente suas vozes a Mike e Sulley, respectivamente, apesar de os personagens serem 10 anos mais novos do que no primeiro filme.

O público lembra os monstros Mike - um pequeno ser verde com um só olho - e Sulley - um gigante azul e peludo -, especializados em assustar crianças, como uma dupla inseparável, mas nem sempre foi assim.

Na verdade, quando se conheceram eles não se davam nada bem, mas ao longo do filme se aproximam e se tornam melhores amigos.

"Universidade Monstros", disponível também em 3D, conta essa história e aproveita a ocasião para apresentar ao público novos e carismáticos personagens. O elenco inclui as vozes de Steve Buscemi, Helen Mirren, Alfred Molina, John Krasinski e Bonnie Hunt, entre outros.

TRAILER DUBLADO DE "UNIVERSIDADE MONSTROS"

"Na Pixar estivemos ocupados desde a estreia de 'Monstros S.A.', mas há cinco anos nos reunimos com Pete Docter, o diretor do filme, para desenvolver ideias sobre um possível retorno a esse mundo", explicou à Efe Kori Rae, produtora do longa.

"Pensamos em várias possibilidades e deixamos claro que não faríamos nada se não chegássemos à conclusão de que era uma grande história. Tivemos, então, a ideia de retornar ao passado e questionar a adolescência de Mike. Essa foi a origem, e nos entusiasmou", disse Kori.

Também não foi preciso muito esforço para convencer Crystal e Goodman a voltarem a emprestar suas vozes aos protagonistas, segundo Kori. "Billy é completamente apaixonado por seu personagem. Os dois estavam prontos para retornar", afirmou a produtora, que garantiu que a amizade entre Mike e Sully vai contagiar o público porque "eles realmente se complementam apesar de serem completamente diferentes".

"No filme aprendemos muito mais sobre eles. Como se conheceram, como brigam, como se reconciliam e como nasce essa relação. É divertido ver, de novo, toda essa interação através de uma perspectiva diferente. Acho que tudo o que os separa os transforma em uma grande dupla", contou Kori.

Docter, que após o sucesso de "Monstros S.A." também dirigiu "Up - Altas Aventuras", outro clássico de Pixar, foi o "mentor" de Scanlon, que qualificou a própria estreia no mundo dos monstros como "uma experiência fantástica de aprendizagem, muito criativa e enriquecedora".

Mike, apesar do tamanho e da aparência inofensiva, quer se transformar em um monstro assustador, e se esforça muito para isso. Já Sulley, que não deseja isso para seu futuro, tem potencial inato para aterrorizar, o que faz com que os outros alunos pensem que ele não tem necessidade de lutar para alcançar suas metas.

"Suponho que, de certo modo, me sinto como Mike. Estou vivendo meu sonho. Quando frequentava a universidade talvez me parecesse mais com ele. Era solitário e trabalhador, aquele tipo de estudante invisível. Espero que todas aquelas horas tenham servido para algo", comentou entre risos o diretor californiano, que dedicou os últimos cinco anos à produção do filme. 

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