Cinema

Mostra em Bruxelas retrata intimidade de Antonioni, mestre do cinema moderno

EFE
Cena de "A Aventura", com Lea Massari e Gabriele Ferzetti imagem: EFE

Arnau Cuesta Bruxelas

Uma exposição que reflete o retrato íntimo profissional e vital do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, elo entre o neorrealismo e o cinema moderno, chega pela primeira vez a uma cidade fora de sua Itália natal.

O Palácio de Belas Artes de Bruxelas recebe pela primeira vez uma mostra sobre o célebre diretor de filmes como "Deserto Vermelho" (1964), "Blowup - Depois Daquele Beijo" (1966) e "Zabriskie Point" (1970), que serão projetados paralelamente na Filmoteca da Bélgica.

A exposição "Michelangelo Antonioni: o mestre do cinema moderno" reúne extratos de filmes, fotografias, objetos pessoais, artigos de imprensa, roteiros originais, correspondência e também alguns quadros que o próprio cineasta (1912-2007) pintou.

O cineasta não se afasta demais das salas de cinema, já que a Filmoteca começou esta semana a programar seus filmes até o dia 30 de agosto, com o apoio da Cinemateca di Bologna, graças à qual poderão ser vistos 19 filmes e sete curtas-metragens.

O conservador da Filmoteca, Nicola Mazzanti, destacou à Agência Efe a marca deixada pelo diretor italiano na história do cinema, com quem "termina o movimento neorrealista e se dá o passo rumo ao cinema moderno", ao qual o próprio Antonioni representa e que tem em Ingmar Bergman outro de seus grandes expoentes.

Especialmente famosa é sua trilogia existencial, composta por "A Aventura" (1960), "A Noite" (1961) e "O Eclipse" (1962), para os quais contou com sua atriz fetiche, a italiana Monica Vitti, com quem manteve uma relação amorosa durante toda a filmagem.

Mazzanti admitiu que o primeiro filme da série "mudou a paisagem do cinema de autor, embora então o tenham acusado de matar o cinema".

Também estão programados dois documentários e duas conferências para aprofundar ainda mais o papel de Antonioni como pioneiro do cinema moderno, que sucedeu o estilo de diretores como Luchino Visconti, Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Federico Fellini.

No entanto, Mazzanti reconheceu que a figura de Antonioni é muito menos conhecida que a de outros diretores italianos como Fellini, o que atribuiu ao fato de que sua obra é "mais complicada", já que "requer muito mais trabalho e atenção".

Michelangelo Antonioni iniciou sua carreira cinematográfica justamente pelas mãos de Rosselini (1906-1977) e Fellini (1929-1993), para quem escreveu os roteiros de seus respectivos filmes "Un pilota ritorna" (1942) e "Abismo de um sonho" (1952).

Embora durante a década de 1940 tenha feito alguns documentários e curtas de ficção, apenas nos anos 50 o cineasta deu o salto aos longas-metragens, embora ainda fortemente influenciado pelo neorrealismo italiano.

Antonioni demoraria ainda dez anos em desenvolver um estilo verdadeiramente próprio que, de certo modo, deixava de lado a narração e os diálogos para concentrar-se em grande medida nos cenários, caracterizados pela sensação de solidão, silêncio e irrealidade, dentro dos quais evoluem personagens em crise.

"Ele, mais que nenhum outro cineasta italiano de sua geração, esteve atento aos aspectos do mundo contemporâneo, seu mundo contemporâneo, e a maneira na qual evoluía rumo a mais abstração, mais vazio", explicou o curador da exposição, Dominique Païni, em um vídeo divulgado pelo Palácio de Belas Artes de Bruxelas.

Não em vão, o diretor italiano transformou a alienação do homem dentro do mundo moderno em uma constante temática dentro de toda sua obra, à qual se somaram os problemas de comunicação e as dificuldades sociais de sua época.

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