Filmes e séries

Homenageado no Cine Ceará, Marcos Palmeira relembra trajetória no cinema

AgNews
Marcos Palmeira é homenageado no festival de cinema do Ceará Imagem: AgNews

Um dos homenageados da 23ª edição do Cine Ceará, ao lado da portuguesa Maria de Medeiros, o ator Marcos Palmeira relembrou sua trajetória cinematográfica neste sábado em Fortaleza e revelou que carrega um desejo latente de ir para trás das câmeras e dirigir seu próprio filme.

"Sou um ator palpiteiro, gosto de me meter no trabalho do diretor. Já tive, inclusive, a experiência de dirigir duas cenas na novela 'Irmãos Coragem', mas ainda não me sinto seguro para dirigir um filme. Sorte que o tempo está ao meu lado", declarou o ator de 50 anos, que receberá hoje o Troféu Eusélio Oliveira, na noite de encerramento do festival de cinema ibero-americano.

O homenageado da noite sempre respirou cinema. Filho da produtora Vera de Paula e do renomado diretor cearense Zelito Viana, Marcos Palmeira estreou como ator com apenas cinco anos de idade, em 1968, no filme "Copacabana Me Engana", de Antonio Carlos da Fontoura.

Depois da estreia precoce, o ator - "com 45 anos de carreira", como ele mesmo brinca - participou de diversas produções, como "Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão" (2000), "Dom" (2003), "O Homem que Desafiou o Diabo" (2007) e, mais recentemente, "Vendo ou Alugo" (2013), da sua irmã, Betse De Paula.

"Sou muito intuitivo, gosto de dizer 'sim' para vários projetos. E, como tenho um jeito bem brasileiro, posso fazer desde o playboy da cidade como o sujeito do campo", declarou o ator, que também lembrou os três anos que conviveu com índios durante a adolescência e foi batizado por eles como Tsiwari, que significa "sem medo".

"Nessa época cheguei a trabalhar pra Funai, no Museu do Índio, e pensava em ser indigenista. Mas foi essa convivência que me fez optar por seguir a carreira de ator. Como eu não falava a língua deles e nem eles a minha, eu atuava muito para mostrar como era a vida na cidade. Foi uma época de grande aprendizado", comentou.

O Brasil talvez tenha perdido um competente diretor da Funai, mas ainda hoje o ator continua ligado a questões indígenas e mantém um forte ativismo em diversos projetos de alimentação orgânica espalhados pelo Brasil, tudo paralelo à carreira cinematográfica e na televisão, onde participou de produções antológicas como "Vale Tudo", "Irmãos Coragem", "Renascer" e "Pantanal".

No final da coletiva em Fortaleza, o ator fez questão de evocar a figura de outro grande cearense fundamental na construção de sua carreira: o humorista Chico Anysio, seu tio.

"Eu era um sobrinho chato, do tipo que pedia pra ele fazer todas as imitações, mas o tio Chico sempre me estimulou demais e me deu dicas que trago comigo até hoje. Sem dúvida, foi um dos grandes mestres na escola da minha vida", afirmou.

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