Filmes e séries

Porto celebra 105 anos do incansável cineasta Manoel de Oliveira

Pascal Le Segretain/Getty Images
O cineasta português Manoel de Oliveira comparece com a mulher, Maria Isabel Brandão de Meneses, à edição de 2010 do Festival de Cannes para divulgar o filme "O Estranho Caso de Angélica" Imagem: Pascal Le Segretain/Getty Images

Antonio Torres del Cerro

De Lisboa (Portugal)

11/12/2013 17h58

O cineasta Manoel de Oliveira, o mais velho do mundo em atividade, comemorou nesta quarta-feira (11) 105 anos homenageado em seu Porto natal, mas com a cabeça na filmagem para 2014 de uma nova produção, "O Velho do Restelo".

A inauguração da exposição "Manoel de Oliveira - 105 Revistas", homenagem que publicações especializadas em cinema e artes estão lhe prestando, foi um dos atos organizados na cidade portuguesa que lhe viu nascer em 11 de dezembro de 1908.

O Museu Nacional de Imprensa exibe a partir de hoje artigos sobre o diretor divulgados pela "Cahiers du Cinéma", "Beaux Arts", "L'Avant Scéne Cinéma" e "L'Acchiappa Film", entre outras 101 revistas que fizeram matérias sobre ele.

Acompanhado de sua família, o diretor declarou aos veículos de imprensa que sua ideia é continuar filmando por muitos anos: "As vontades são muitas, mas as possibilidades, bastante remotas", admitiu.

As homenagens no Porto, onde Oliveira nasceu, se encerram com o lançamento de uma peça de porcelana em tributo a um de seus filmes mais célebres, "Aniki-Bóbó" (1942), considerado um precursor do neo-realismo italiano.

Oliveira, considerado o cineasta português mais reconhecido internacionalmente, é um incansável autor de quase 60 filmes, entre longas, curtas e documentários, caracterizados por sua profunda perspectiva cultural e histórica através da qual procura encontrar a harmonia entre a palavra e a imagem.

No dia de seu aniversário, o Estado português o homenageou também ao declarar a casa em que viveu por 42 anos, entre 1940 e 1982, "monumento de interesse público".

Situada na zona oeste do Porto, a residência obteve o reconhecimento tanto pela relevância de Oliveira como por sua qualidade arquitetônica, associada a grandes nomes do modernismo português.

No fim de semana passado, a Orquestra Sinfônica do Porto também lhe rendeu um tributo, ao qual foi o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, e em novembro se anunciou que o prestigiado Museu Serralves do Porto abrirá uma Casa do Cinema para o estudo de sua obra, de raízes cristãs e humanistas.

A passagem dos anos não prejudicou a criação do diretor, que a partir dos anos 1980 lançou quase um filme por ano, com mais sucesso nos circuitos independentes do que entre o grande público.

"Francisca" (1981), "A Divina Comédia" (1991), "'Non', ou a Vã Glória de Mandar" (1990) e "Um Filme Falado" (2003) são três exemplos citados pelos cinéfilos como melhores expoentes da universalidade de sua obra, recebida em muitos casos pelo produtor português Paulo Branco.

Sua prolífica carreira, iniciada em 1931 com um documentário mudo e em preto e branco, "Douro, Faina Fluvial", levou também prêmios como o Leão de Ouro de Veneza de 1985, por "O Sapato de Cetim", e o prêmio do júri de Cannes, em 1999, por "A Carta".

Desde que em 2008 completou 100 anos, filmou quatro longas de ficção, o último no ano passado, intitulado "O Gebo e a Sombra", baseado no texto de Raul Brandão e protagonizado por Michael Lonsdale, Claudia Cardinale e Jeanne Moreau.

Adelaide Maria de Oliveira Trêpa, filha de Oliveira, confirmou à EFE que seu pai se prepara para filmar em 2014 outra produção.

Para "O Velho do Restelo", um média-metragem que reflete sobre a história de Portugal através de textos de Camões ou Cervantes, só falta o financiamento, calculado em cerca de 350 mil euros (R$ 1,12 milhão).

"Ainda não há o dinheiro, mas parece que o assunto está indo por um caminho bom", adiantou hoje mesmo o cineasta.

A falta de apoio à criação cinematográfica foi precisamente um dos cavalos de batalha de um diretor que trabalhou com figuras como John Malkovich, Catherine Deneuve e Alfredo Mastroianni.

"Eu não me queixo de nada, porque não adianta (...). Os governos deveriam auxiliar muito ao cinema, ajudando os produtores, não como um favor, mas como uma obrigação", disse Oliveira em um discurso público em 2009.

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