Filmes e séries

Há 50 anos, "Mary Poppins" inovou ao misturar imagens reais e animação

Divulgação
Julie Andrews interpreta a babá voadora em cena do clássico "Mary Poppins" Imagem: Divulgação

Alicia García de Francisco

27/08/2014 13h52

Foi o primeiro filme a utilizar o fundo de tela azul para misturar imagens reais e animação, além de ter sido premiado com cinco Oscars, mas nada lembra mais "Mary Poppins" (1964) do que suas próprias canções, como "Supercalifragilisticoespialidoso", cantada facilmente mesmo 50 anos depois de sua estreia.

Essa história fantasiosa, familiar e musical rendeu à atriz Julie Andrews o seu primeiro e único Oscar, prêmio que também reconhece as proezas de sua personagem. Isso porque, por trás das tarefas de uma babá qualquer, Mary Poppins escondia um universo cheio de magia, cores e vida.

Baseada na série de livros da escritora australiana Pamela Lyndon Travers, a adaptação das histórias da babá Mary Poppins aos cinemas representou um empenho pessoal de Walt Disney, que teve que se esforçar muito para conseguir concluir tal missão.

Antes de lançar o filme, o criador dos estúdios Disney teve que ganhar uma árdua batalha contra as exigências de Travers, etapa que fica claramente exposta em "Walt nos Bastidores de Mary Poppins" (2013), filme que traz Emma Thompson no papel da escritora e Tom Hanks como o prestigiado produtor cinematográfico.

O amor que a escritora sentia por sua personagem fez com que ela rejeitasse todas as propostas de adaptação cinematográfica recebidas, especialmente por sua vontade de fazer do livro um musical que misturasse personagens reais com imagens de animação. E foram justamente esses dois elementos que diferenciaram o filme dos demais.

Por um lado, a equipe de efeitos especiais, formada por Peter Ellenshaw, Eustace Lycett e Hamilton Luske, desenvolveu uma técnica muito inovadora para aquele momento, mas que seria absorvida rapidamente pelo cinema.

Na ocasião, o segredo era o vapor de sódio, etapa prévia do que hoje se conhece como "tela azul" --também conhecido como cromaqui.

A técnica trouxe um grande realismo às cenas, como naquela em que todos os protagonistas --Julie Andrews, Dick Van Dycke e as crianças Karen Dotrice e Matthew Garber-- sobem em um carrossel para percorrer um parque ou na qual um simpático grupo de pinguins atua como garçons.

Trilha sonora
Junto a essas revolucionárias e preciosas imagens, a música foi o outro elemento fundamental, principalmente pelo fato de o filme abordar uma história tão pouco original como efetiva: crianças criadas por um pai ocupado encontram em uma mágica babá a válvula de escape e a melhor forma de ensino para toda família.


A trilha sonora do filme foi composta pelos irmãos Richard M. Sherman e Robert B. Sherman, que conseguiram dois prêmios Oscar por seu trabalho: o de melhor trilha sonora e o de melhor canção, por "Chim Chim Cher-ee".

Canções inocentes e divertidas que encontraram sua perfeita combinação na extraordinária voz de Julie Andrews e nas cômicas interpretações de Van Dycke.

A mistura de humor, drama, história familiar, amor e amizade fez deste filme o maior sucesso da carreira do diretor Robert Stevenson (também responsável por "Se Minha Cama Voasse") e o lançamento definitivo de Andrews no cinema.

Foi o filme que mais arrecadou nas bilheterias de 1964, mesmo ano em que estreou "Minha Bela Dama", um filme que Julie Andrews esperava realizar após ter interpretado a obra no teatro, mas que foi estrelada por Audrey Hepburn, também indicada ao Oscar nesse ano.

Andrews ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e, em seu discurso, realizou uma pequena vingança ao dedicar os prêmios a Jack Warner, diretor dos estúdios Warner Bros. e que dizia que ela não era conhecida suficientemente para interpretar "Minha Bela Dama" no cinema.

Essa decisão, no entanto, acabou beneficiando a atriz, que, a partir daquele momento, estrelou sucessos como "A Noviça Rebelde" e "Cortina Rasgada".

Passados 50 anos desde a estreia de "Mary Poppins", ocorrida no dia 27 de agosto de 1964, a atriz afirmou em uma entrevista ao jornal "USA Today": "Sou uma mulher afortunada por ter feito este maravilhoso filme. É um desses golpes de sorte que ocorrem apenas uma vez na vida e na carreira. Eu soube então e sei agora".

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