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Filme que faz paródia do hinduísmo vira sucesso na Índia

Sean Gallup/Getty Images
O ator indiano Aamir Khan está no elenco Imagem: Sean Gallup/Getty Images

De Nova Déli

17/01/2015 11h28

A produção "PK" se tornou o filme de maior bilheteria da história de Bollywood com sua paródia à religião feita através dos olhos de um extraterrestre, um sucesso impulsionado pela profunda rejeição de alguns setores do hinduísmo mais radical ao longa-metragem.

O alienígena, interpretado pelo superastro de Bollywood Aamir Khan, é um ser inocente que logo após chegar à Terra tem seu colar verde luminoso, seu único contato com sua espécie, roubado. A partir daí ele reúne todos os seus esforços para recuperá-lo.
 
Em sua busca pelo desértico estado indiano de Rajastão e pela capital Nova Délhi, o extraterrestre, chamado de "PK" (expressão usada na Índia para perguntar se uma pessoa está bêbada) por seu estranho comportamento, encontra diversos personagens que o recomendam pedir ajuda a Deus para localizar o colar.
 
É nesse contato com a divindade que "PK" descobre como os humanos são extorquidos e enganados por homens que, em nome de Deus, se aproveitam da fé cega de alguns, como o vilão do filme: um guru hindu que está com o colar roubado, "um presente divino", segundo ele.
 
"O filme fere os sentimentos dos hindus e deveria ser proibido imediatamente", afirmou à agência local "Ians" Vishnu Gupta, presidente do partido Hindu Sena, de fortes raízes religiosas.
 
Gupta é um dos críticos mais ferrenhos do filme e protagonizou vários distúrbios e manifestações em frente a salas de cinema que exibiam "PK", com direito a queima de bonecos que representavam o "muçulmano" Aamir Khan e quebra de cartazes e bilheterias.
 
O famoso guru Baba Ramdev - que diz poder curar a aids com yoga e remédios ayurvédicos, como urina de vaca - declarou pelo Twitter que o filme "denigre os deuses e deusas e insulta os santos".
 
"As pessoas pensam muito antes de falar mal do islã. No entanto, quando se trata do hinduísmo, todos dizem o que quiserem, é vergonhoso. Deveria haver um boicote contra os envolvidos neste tipo de filme", disse o guru, que tem seu próprio programa de televisão, ao jornal indiano "Economic Times".
 
A crítica chegou inclusive ao Tribunal Superior de Délhi, que foi enfático ao considerar que "o filme não é ofensivo" aos sentimentos religiosos dos hindus.
 
"O que tem de ruim no filme? As pessoas não podem se incomodar com tudo", declararam os juízes G. Rohini e R.S. Endlaw, segundo o jornal local "The Hindu".
 
Diante da polêmica, o diretor do filme, Rajkumar Hirani, esclareceu em comunicado que não é "contra os gurus em geral, só os enganadores, e respeito todas as religiões e crenças".
 
Segundo vários especialistas, o diretor, ciente da repercussão que o filme poderia causar, incluiu nos créditos agradecimentos a influentes integrantes da direita hindu para se resguardar, como o político L.K. Advani e o adorado guru Sri Sri Ravi Shankar, que cedeu suas instalações para a filmagem de algumas cenas.
 
A polêmica, no entanto, está longe de prejudicar "PK". O longa-metragem, que estreou em 19 de dezembro, foi beneficiado pela repercussão e se tornou a maior bilheteria da história de Bollywood, com uma arrecadação de 3,3 bilhões de rúpias (cerca de US$ 53,4 milhões) na Índia.
 
"PK" desbancou a liderança de "Dhoom 3" (2013), que faturou 2,8 bilhões de rúpias, também protagonizado por Aamir Khan, uma mina de ouro em Bollywood. Ele também está em cartaz no filme que ocupa a quarta posição: "3 idiotas" (2009), que arrecadou 2,02 bilhões de rúpias, segundo o site "Koimoi".
 
Os espectadores entrevistados pela Agência Efe não entendem os insultos a "PK", que consideraram "incrível".
 
"Os críticos estão interpretando o filme em um sentido negativo, mas o que ele quer transmitir é que é bom crer em Deus, mas não fazer negócio com isso", disse Parag Gureja, de 18 anos, no centro de Nova Délhi.
 
Na mesma linha, Sachin Kumar, de 26 anos, disse que "não é verdade que são feitas piadas sobre as religiões".
 
"A mensagem é que se deve acreditar em Deus, mas não se aliar aos que enganam em seu nome. O filme ensina como se deve crer em Deus", concluiu. 
 

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