Filmes e séries

Não faço filmes pelo dinheiro, mas para me conhecer, diz Coppola em SP

Getty Images
Francis Ford Coppola participa de evento na Itália, em imagem de 2009 Imagem: Getty Images

ALYSSON DE OLIVEIRA

Do Cineweb

01/12/2010 16h40

O cineasta Francis Ford Coppola apareceu bem disposto para entrevista coletiva à imprensa nesta quarta-feira (1), em São Paulo. Depois de posar para os fotógrafos, demonstrou bom-humor ao falar com o grupo de jornalistas, do qual UOL Cinema fez parte, e chegou a extrapolar o tempo previsto, abrindo espaço, espontaneamente, para perguntas extras.

ASSISTA AO TRAILER DE "TETRO"

Além de falar sobre "Tetro", que tem estreia prevista para 10 de dezembro, Coppola falou sobre o recente "Twixt Now and Sunrise", sua nova produção que terá trechos em 3D, mencionou as filmagens de "On the Road", de Walter Salles, e fez comentários sobre os talentos na própria família, incluindo a filha Sofia, também cineasta. A seguir, leia os principais trechos e temas abordados.

Produção na América-Latina

"Eu filmei ['Tetro']na Argentina porque estou interessado na tradição da ficção latino-americana. Na literatura da Argentina, do Chile, do Brasil. Em autores como Jorge Amado e Roberto Bolaño."

Inovações no cinema

"O Cinema é uma criança comparada ao teatro e à ópera. Os compositores do passado eram como cineastas em seu tempo. Na década de 20, o cinema pode fazer experimentações e evoluir e encontrou momentos de beleza. Com a aceitação do público se tornou uma indústria e com isso não podia fazer mais tanta experimentação. Atualmente não se pode fazer um drama a não ser que seja uma sequência. Mas o cinema está muito vivo e tenho certeza de que em 20 ou 30 anos o cinema será diferente."

Arte e entretenimento

"Acho que é maravilhoso que o cinema seja de entretenimento, mas não se deve sacrificar a arte. Você pode fazer diversão, mas também deve se fazer um cinema de ideia. No cinema comercial, os filmes são muito parecidos. Eu gosto de ser supreendido quando vejo um filme. Por isso gosto dos independentes como os irmãos Coen. Agora que eu sou mais velho, posso fazer o que eu quiser. Quando jovem, fazia filmes de Hollywood, mas mesmo assim, fazia trabalhos artísticos.
 

  • Divulgação

    Vincent Gallo em cena do filme ''Tetro'' (2009)

  • Divulgação

    Mickey Rourke faz parte do elenco de ''O Selvagem da Motocicleta'' (1983)

"Aos 71 anos, tenho a liberdade de um jovem graças a minha indústria de vinhos. Posso fazer o filme que quiser, contanto que tenha baixo orçamento. E posso me dar ao luxo de perder dinheiro. Não me importo de fazer vários trabalhos no set, inclusive de carregar minha cadeira".

Prazer em filmar e independência financeira

"Uma das alegrias de se fazer cinema é que você aprende sobre o assunto do filme. Quando o assunto toca sua vida pessoal, você aprende algo sobre você mesmo. Fiz três filmes independentes, acabei de rodar o terceiro. Em cada um deles, aprendi muito sobre mim mesmo. O prazer da vida é aprender."

"É difícil ir a um produtor e mostrar um roteiro que é uma grande dúvida pessoal. Por isso que nesses casos é necessário bancar a si mesmo. Nas últimas décadas, o mundo se tornou muito interessado em vinhos e eu tenho essa empresa por acidente. Isso me permite fazer os meus filmes."

Inspirações

"Quem conhece a obra de Bolaño, sabe que em 'Noturno do Chile' há um personagem que é um crítico, que é parecido com o personagem de Carmem Maura no filme ['Tetro']. No Chile, há um crítico chamado Alone, que também é o nome da personagem no filme. Javier Barden faria este papel, mas depois do Oscar ele não pôde. Eu iria usar outro nome para o personagem, mas como é uma mulher que fez o papel, resolvi manter o nome do crítico verdadeiro.

"Acho muito saudável e importante não ter medo de se inspirar num outro artista. Meu pai, que é músico, tem um slogan: 'roube sempre dos melhores'. Músicos estão sempre roubando. Quando eu estudava teatro, eu admirava Tenessee Williams, Elia Kazan e Marlon Brando. Só agora tive a chance de colocar isso nos meus filmes. Antigamente eu não podia fazer filmes pessoais na minha carreira. Agora sou praticamente imune. Posso fazer os filmes que eu quiser. As pessoas podem amar ou odiar, mas depois eu consigo fazer outro."

"Na minha carreira, as pessoas sempre foram generosas comigo. Olham os filmes que fiz há 30 anos e os admiram. Mas eu não vou estar aqui em 30 anos para saber o que elas acham dos filmes que fiz agora."

"Não faço filmes pelo dinheiro, nem para ficar famoso, faço para aprender sobre mim."

"On the road"

"Walter Salles é maravilhoso. Em uma semana termina de filmar 'On the Road'. O casting foi bastante complicado por que é um livro bem famoso, mas o filme me parece estar ficando muito bom."

3D nas telas

"As pessoas da minha idade sabem que de tempos em tempos há um novo tipo de 3D. Acho muito chato ter que usar esses óculos especiais e acho que o cinema precisa achar uma nova tecnologia. Ver um filme inteiro em 3D não é uma boa experiência. O cinema é feito de roteiro e atuação. O meu novo filme tem duas cenas em 3D. Uma no meio e uma no final. Mas o 3D é o menos importante."

"Tetro"

"Eu queria fazer 'Tetro' em preto e branco por que eu acho muito bonito. Não é apenas uma ausência de cor, mas também uma metáfora para expressar as cores com luzes e sombras. Fiz o filme como "O Selvagem da Motocicleta" na década de 1980, que também é em preto e branco. O preto e branco é um tipo de realismo poético, é real, mas também não é. Para diferenciar isso, fiz as cenas do passado, os flashbacks, em cores."

Filme novo

"Twixt Now and Sunrise" marca a volta às minhas raízes. Com os filmes de terror que fiz com Roger Corman. O filme é como uma história de Halloween. Um conto gótico. É filmado em cores, não em preto e branco."

Relação com atores no set

"Os atores sempre têm a fama de serem difíceis. Mas eu nunca tive nenhum problema com nenhum deles por que eu os admiro e também deixo claro que somos amigos. Não importa qual problema eles tiverem, podem sempre me procurar e contar comigo."

Gênios numa mesma família

"No passado já foi comprovado que é possível ter vários gênios em uma família. Criamos nossos filhos como um família de circo, viajando conosco, indo a sets de filmagens e cercados por arte. Sofia um dia me disse que queria pintar, escrever e ser fotógrafa de moda. Eu disse para ela que não precisava se concentrar em uma coisa. Que deveria fazer todo tipo de arte que pudesse, mesmo que não fizesse sentido. Alguns anos depois ela disse que queria fazer o seu primeiro filme."

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