Cinema

Protagonizado por Hermila Guedes, novo filme de Marcelo Gomes retrata a classe média do Nordeste

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Os atores Hermila Guedes e João Miguel aparecem nas filmagens de "Era Uma Vez Verônica", filme de Marcelo Gomes, em Recife (Pernambuco) imagem: Divulgação

GEISA AGRICIO

Colaboração para o UOL, de Recife

O olhar poético e humano de Marcelo Gomes sobre o nordeste emergiu em seus filmes anteriores como "Cinema, Aspirinas e Urubus”  - que o projetou internacionalmente -  e  “Viajo Porque Preciso, Volto porque Te Amo”  - dirigido em parceria com Karin Aïnouz (“O Céu de Suely”) . Nestas produções, foi além dos estereótipos de pobreza e miséria ao utilizar a aridez do sertão como pano de fundo em tramas sobre amizade, solidão e descobertas.  Em seu terceiro longa metragem, "Era Uma Vez Verônica", o cineasta pernambucano arrisca outra perspectiva sobre a região, que lhe é peculiar: o cotidiano da classe média metropolitana.

O filme, em pós-produção após as filmagens em Recife (Pernambuco), pretende retratar uma geração em crise existencial. No caso, jovens de vinte e poucos anos em rito de passagem da adolescência - estendida até o término da faculdade - para a idade adulta, incluindo a entrada no mundo profissional. Traz ainda uma personagem feminina como destaque, algo até então pouco explorado pelo diretor. “O filme resume uma série de coisas que eu queria fazer há muito tempo: filmar Recife numa história contemporânea, focar numa personagem feminina e ter a Hermila no papel principal”, resume Marcelo Gomes.

Hermila Guedes ("O Céu de Suely") interpreta Verônica, uma médica recém-formada de 24 anos que encara plantões estressantes num hospital psiquiátrico, ao mesmo tempo em que se vê diante de questões afetivas e profissionais.  “Ela está se descobrindo, experimentando amores, emoções, responsabilidade. No núcleo de amigos mais próximos ela se encontra, se identifica, e vê que todo mundo tem problemas parecidos e dilemas semelhantes. Verônica se depara com ela mesma quando sai de casa e começa a exercer sua profissão, ali ela amadurece”, comenta  Guedes.

“Parti, é claro, dos anseios da minha juventude, mas queria fazer um retrato dessa geração. Ao longo da pesquisa de roteiro entrevistei pelo menos 25 mulheres nessa faixa etária e social. Os questionamentos são parecidos, mas o modus operandi muda com o passar dos anos”, afirma a atriz.

Luz, câmera, calor e ação

A reportagem do UOL Cinema visitou o set em um dia de filmagem emblemática para a trama. À frente das lentes buscava-se a reprodução autêntica do Carnaval de Pernambuco. Cheia de cores, a cena retratou características marcantes da festa como juventude e libido, tradições populares, festa de rua, troça de frevo e beijos na boca, numa tarde atípica até para a agitada Rua do Amparo, conhecido recanto boêmio do sítio histórico de Olinda. Foram mais de 300 figurantes e 70 profissionais envolvidos. “Quero ver loló, todo mundo muito doido, naquele clima. Mais doideira!”, brincava o diretor, tentando transmitir o clima que almejava ao elenco.

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    Cena do filme "Era Uma Vez Verônica", de Marcelo Gomes, que retrata o Carnaval em Recife

A protagonista divide a cena com os amigos e com Gustavo, sua paixão controversa , interpretado por João Miguel (“Estômago”). Ambos já trabalharam juntos em “Cinema, Aspirinas e Urubus” e em “O Céu de Suely”, onde aparecem como um casal. 

“É uma reunião muito feliz, Marcelo revela um cinema autoral de coragem. A gente se sente envolvido no projeto que afasta o caricato. Trabalhar com a Hermila também traz uma memória alegre, por que a gente se conhece e tem química. Estarmos todos juntos outra vez - inclusive aquela equipe incipiente que fez um filme que ficou maior que a gente  - é uma confirmação de um cinema ao qual pertenço, em que todos os Brasis são possíveis”, diz João Miguel.

Previsão para 2011

“Era Uma Vez Verônica” está previsto para estrear no segundo semestre de 2011. Todas as cenas do longa foram rodadas no Grande Recife, principalmente na zona sul da cidade, de bairros nobres. A cidade tem se configurado como um pólo da produção nordestina. Nos últimos meses serviu de cenário para filmes dos diretores Cláudio Assis (“Febre do Rato”), Kléber Mendonça Filho (“Som ao Redor”) e do produtor de “Tropa de Elite” Marcos Prado (“Paraísos Artificiais”). 

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    João Miguel em cena do filme "Cinema, Aspirinas e Urubus", dirigido por Marcelo Gomes

Sob os holofotes

De “Cinema, Aspirinas e Urubus” para cá, Marcelo Gomes, Hermila Guedes e João Miguel se notabilizaram no cinema nacional.  O filme estreou em 2005 no Festival de Cannes e arrebatou 50 prêmios em festivais pelo mundo. Logo depois, “Viajo Porque Preciso, Volto porque Te Amo” venceu como melhor filme em competições em Portugal, Cuba e França, além do Festival do Rio.

A atriz pernambucana protagonizou o premiado “Céu de Suely”, participou de “Deserto Feliz “, de Paulo Caldas, e está em “Febre do Rato”, de Cláudio Assis. Popularizou seu rosto em aparições na TV ao interpretar Elis Regina e fazer parte do elenco da série “Força Tarefa”. Aguarda, ainda, o lançamento de “Assalto ao Banco Central”, dirigido por Marcos Paulo, com Lima Duarte, Giulia Gam e Vinícius de Oliveira no elenco. 

Já o baiano João Miguel fez 18 filmes. Em 2011, poderá ser visto em “Ex-isto”, de  Cao Guimarães (exibido em Gramado), “Xingu”, de Cao Hamburguer, “À Beira do Caminho”, de Breno Silveira, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Vinícius Coimbra e “Além de Éden”, de Bruno Safadi, ao lado de Leandra Leal.

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