Cinema

Ator de "Santuário" diz que filmar debaixo d'água é como "estar em outro mundo"

Divulgação
Exploradores passam por perigos em cavernas submersas no filme "Santuário", produzido por James Cameron imagem: Divulgação

ANA MARIA BAHIANA

Especial para o UOL, de Los Angeles

Em 2003, quando tinham concluido com sucesso a expedição que resultaria no documentário "Fantasmas do Abismo" - e que testou na prática, pela primeira vez, o protótipo da câmera Fusion 3D  que tornaria possível "Avatar" - James Cameron e o australiano Andrew Wight,  mergulhador, explorador e seu produtor de fé para projetos documentais, trocaram ideias sobre o que era possivel fazer com o novo "brinquedo". Cameron garantia que a Fusion podia ser usada igualmente em documentarios de aventura e filmes de ficção - e que ninguém melhor que Wight para produzir um deles.

"Eu disse a Andy: 'se você é capaz de produzir algo tão complicado, perigoso e rigoroso em detalhes como 'Fantasmas' com certeza você é capaz de produzir um filme de ficção'", diz James Cameron. "Na verdade, você vai achar muito mais fácil."

A ideia estava plantada . Nos anos seguintes, enquanto Wight trabalhava com Cameron em outros documentários - "Extraterrestres nas Profundezas", "Titanic Adventures" - dois continuavam conversando sobre o que poderia ser um bom assunto para essa estreia, "algo que incoporasse temas e locais que conheço e pudesse tirar partido da minha experiencia como produtor de documentarios de aventura", diz Wight. "E, é claro, que pudesse ser rodado com a Fusion."

TRAILER DO FILME "SANTUÁRIO"

O resultado estreia esta semana simultaneamente em todo o mundo: "Santuário", a versão altamente ficcionalizada de um incidente durante os primeiros anos de Wight como explorador. "Eu cresci no sudoeste da Australia, numa região repleta de cavernas profundissimas e rios subterrâneos", Wight conta.

"Os aborígenes conhecem bem essa rede de cavernas, e muitas delas são sagradas para eles - mas eles são sábios o bastante para não se aventurarem dentro delas."

Em 1988, liderando uma excursão numa dessas cavernas, na planície de Nullarbor, Wight e 14 companheiros ficaram aprisionados durante quatro dias quando uma enchente provocou o desabamento da entrada do subterrâneo.

Todos foram resgatados a tempo, mas Wight jamais esqueceu a experiência: "Quanto mais eu conversava com Jim, mais eu tinha certeza de que ali estava a base para um filme de ficção."

Uma coisa Wight sabia - poderia contar com o apoio integral de seu parceiro James Cameron, e, é claro, com a câmera Fusion. "Todo o resto era uma nova aventura para mim - eu teria que trabalhar com um roteirista, achar o diretor certo, escolher o elenco…"

O roteirista acabou sendo um veterano parceiro de mergulho, John Garvin. "Era difícil encontrar outra pessoa que compreendesse o que realmente se passa num mergulho em cavernas", diz Wight. Para diretor, e dupla escolheu Alister Grierson, cujo único longa anterior, o drama de guerra "Kokoda", foi um dos maiores sucessos de 2006 na Australia. Primeira providencia: iniciá-lo no mundo do mergulho.

"Eu sabia nadar, mas não mergulhava nem em piscina", diz Grierson, rindo. "E esses malucos me levaram para um curso de mergulho de nível profissional. E no terceiro dia me carregaram para um mergulho em caverna."

Cameron completa: "É preciso enfatizar que é muito, muito raro que alguém com apenas 3 dias de treinamento seja levado para um mergulho fora de um tanque ou piscina. Muito menos ainda numa caverna…"

O elenco, todo de atores australianos, passou pelo mesmo treinamento, com especial atenção para Richard Roxburgh, um dos atores mais populares da Australia, hoje, que faz o papel principal de "Santuário", o líder da expedição e mestre mergulhador Frank.

"Ah, tive muitas oportunidades para ficar íntimo dos tubos, máscaras, tanques e, especialmente dos re-respiradores, um aparato infernal usado em mergulhos mais demorados, como os de cavernas", ele diz, rindo. "Acho que tenho sorte de ter sobrevivido à preparação!"

Rhys Wakefield, que faz o filho de Frank, Josh, tem lembranças especiais das quatro semanas de filmagens noturnas num tanque de água com sete metros de profundidade, nos estúdios da Village Roadshow em Queensland, no nordeste da Australia, quando a maior parte das sequencias sub-aquáticas foram rodadas. "Isso sim é estar em outro mundo", diz Wakefield.

"Não queríamos que fosse apenas uma sucessão de sequencias de ação", diz Grierson. "A jornada de Frank, Josh e seus companheiros precisava ser vista como uma jornada de sobrevivência num sentido amplo e profundo - qual é o limite que nossa humanidade pode tolerar? Quanto mais próximos da superfície, mais civilizados nossos personagens se comportam - são todos seres humanos vivendo no seu ambiente, no tempo presente. À medida em que eles descem pelas cavernas, é como se viajassem tambem no tempo, despindo-se da civilização e indo a um lugar onde tudo é visceral, primitivo, e a única regra é a sobrevivência."

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