Filmes e séries

Raízes do terrorismo alemão é tema de filme que promete prêmios para anfitriões do festival

Getty Images
Os atores August Diehl e Lena Lauzemis participam do evento com ''If Not Us, Who'' (17/02/2011) Imagem: Getty Images

ALESSANDRO GIANNINI

Enviado especial a Berlim

17/02/2011 13h31

O filme "If Not Us, Who" lotou o Berlinale Palast, quartel-general do Festival de Berlim, na manhã desta quinta (17). Produção de grandes proporções, o filme de Andreas Veil compete pelo Urso de Ouro e estava cercado de expectativas. Primeiro, por ser uma esperança de prêmios para os alemães. E também pela abordagem de um período histórico atribulado da Alemanha e de personagens ambíguos e complexos. Ao fim de duas horas de projeção, o filme foi bastante aplaudido e realmente deve aparecer na lista de consagrados pelo júri presidido por Isabella Rosselini.

O filme mostra o início da relação entre o escritor Bernward Vesper (August Diehl) e a editora Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis, fantástica no papel) no começo dos anos 60. E acompanha os dois personagens e suas escolhas ao longo de uma década em que a luta entre totalitarismos e liberdade tomou uma dimensão mundial. Enquanto Vesper, filho de um escritor pró-nazista, escolhe o poder da palavra, Gudrun, filha de uma família de classe média, decide se juntar à causa de Andreas Baader (Alexander Fehling), para quem não existia outra opção para se lidar com o assunto a não ser o terrorismo.

"If Not Us, Who" é o primeiro longa-metragem de ficção de Veil. Na entrevista coletiva após a exibição do filme, em que esteve acompanhado de Diehl, Lauzemis e do produtor, o diretor explicou que dois fatores o levaram a investir no projeto. "Em 2003, li um livro ["Vesper, Ensslin, Baader - Prehistory of German Terrorism"] e achei que muitas coisas sobre esse episódio da nossa história não haviam sido ditas", disse ele. "Por exemplo, a maneira como Ensslin era retratada, comparada a uma 'Medeia' sem coração que abandona o filho para se dedicar a uma luta. E também como Vesper era visto, filho de um escritor que trabalhou a soldo de Hitler e fez o discurso que antecedeu a famosa queima de livros em Dresden, em 1933."


O outro fator que levou Veil a apostar no filme foi o necessidade de dizer algo sobre assuntos que estão ligados à atualidade. "Não sei se o Iraque ou o Egito são reflexos do que aconteceu no passado, não saberia dizer se esses assuntos estão intimamente ligados ao filme", completou ele. "Mas a crise economica que vivemos certamente sim. E enquanto privatizarmos os ganhos e socializarmos as perdas não sei o que será de nós. Para evitar que isso aconteça novamente acho que temos de nos posicionar."

Antes de ser concebido como ficção, "If Not Us, Who" passou por uma tentativa de ser feito como documentário. "Chegamos a iniciar a produção, mas muitos personagens envolvidos na história não queriam falar em frente às câmeras", contou Veil. "Por isso, decidimos partir para a ficção."

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